Onde fica a casa de meu amigo? Abbas Kiarostami, 1940-2016

Onde fica a casa de meu amigo?  Abbas Kiarostami, 1940-2016   Abbas Kiarostami é um cineasta, roteirista e produtor de cinema iraniano, nasceu em Teerã, em 1940, e morreu em Paris, em 2016. Antes de tornar-se diretor ou realizador de filmes, ele começa sua carreira cinematográfica produzindo desenhos animados, suportes publicitários e os créditos de personagens e atores; sua capacidade técnica também foi exercida sendo editor de filmes e diretor artístico, e seu talento ainda alcançou a poesia, a fotografia, a pintura e a ilustração através de desenhos gráficos. No mundo do cinema, desde 1970, ele realiza mais de quarenta filmes, alguns documentários e outros curtas-metragens; recebeu aproximadamente um cento de honrarias vindas de Festivais internacionais de cinema como também de Universidades na Europa e nos Estados Unidos, e por sua vez, presidiu cerca de vinte júris, como os de Cannes e Veneza. Sua trajetória inicia com filmes pedagógicos realizados… Continue a ler »Onde fica a casa de meu amigo? Abbas Kiarostami, 1940-2016

Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940 – A Floresta dos Paradoxos

Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940  A Floresta dos Paradoxos    Jean-Marie Gustave Le Clézio nasceu em Nice, sul de França, mas desde muito jovem mudou-se com sua família para as Ilhas Maurício, a leste da costa africana, e antiga colônia holandesa do século XVII, depois reivindicada como propriedade francesa, no decorrer do século XVIII, e ainda transformada em território inglês no século XIX para, finalmente, tornar-se independente a partir de 1968. A área do país é de somente 2.040 km², a capital e maior cidade é Port Louis, e a nação participa da Commonwealth, da Francofonia e da União Africana, sendo a língua inglesa a primeira língua a ser usada em suas relações internacionais, e o francês é a segunda, falada por boa pare de sua população, sem contar com o idioma nativo. Oficialmente, o país chama-se Ilha Maurício ou República da Maurícia, sendo sua população de um milhão e… Continue a ler »Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940 – A Floresta dos Paradoxos

Cronópios – Julio Cortázar, 1914 – 1984

Cronópios Julio Cortázar, 1914 – 1984   Julio Cortázar é um escritor argentino nascido em Bruxelas, em agosto de 1914; no momento de seu nascimento, a família encontrava-se na Bélgica, onde seu pai exercia funções diplomáticas como agregado comercial da embaixada; regressaram à Argentina em 1918, onde Cortázar cumpriu sua educação inicial, frequentou a Universidade de Buenos Aires e trabalhou como professor rural. Em 1951, Cortázar obteve uma bolsa para estudar em Paris, e após, prestou concurso e conseguiu uma colocação como tradutor juramentado na UNESCO, nas línguas francês e inglês. Publicou seu primeiro conto, “Bruxa”, em 1946, daí em diante, colaborou com diversas publicações argentinas, escreveu perto de cem obras, dividindo-se entre romances, novelas, contos, teatro, poesia, artigos para revistas, até destacar-se, a partir dos anos 60, como uma das figuras do chamado “boom” da literatura latina. Essa “explosão” de talentos latino-americanos entre 1960 e 1970, inclui, além de… Continue a ler »Cronópios – Julio Cortázar, 1914 – 1984

Érico Veríssimo, 1905 – 1975

Érico Veríssimo, 1905 – 1975 Escrever sobre Érico Veríssimo é quase como falar sobre um senhor vizinho nosso, com expressão reflexiva e tranquila. Quase é possível ainda encontrar-se com ele, ao sair da rua Sofia Veloso e chegar à avenida Osvaldo Aranha, porque na calçada oposta ao colégio estadual Instituto de Educação, lá está “seu” Érico praticando sua caminhada diária, vindo de sua casa no alto Petrópolis e para lá voltando, sempre a pé. Para mim, tal proximidade frequente não retira dele sua grandeza literária. Érico Veríssimo foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX e destaca- se como um dos mais importantes romancistas da literatura nacional, tendo sido, também, tradutor de obras importantes escritas originalmente em inglês e em francês. Seu texto é o de um autor da chamada geração de 1930, isto é, caracteriza-se pela linguagem sóbria e pela realização de obra de caráter inovador, tendo… Continue a ler »Érico Veríssimo, 1905 – 1975

Edgar Morin, 1921 – Terra-Pátria

Edgar Morin, 1921 Terra-Pátria Edgar Morin nasce em Paris, em 1921, é quase centenário, portanto, e seu pensamento mantém-se lúcido e seu espírito continua brilhante, felizmente. Considerado por muitos como um dos maiores pensadores vivos do Ocidente, ele permanece uma pessoa acessível e mantém o prazer e a alegria de expor suas ideias. Morin é filósofo, sociólogo e antropólogo, formado em Direito, História e Geografia; possui uma extensa obra publicada, perfazendo mais de um cento, sejam livros ou cursos, palestras, ainda entrevistas presenciais, quando era possível e, atualmente, via Internet; trata-se de um pensador da “complexidade”, cuja definição parte dele mesmo, qualificando-se como um “construtivista” e precisando: “eu falo da colaboração do mundo exterior e de nosso espirito, para construir a realidade”. Um dos setores de maior influência exercida por Edgar Morin, é, sem dúvida, a educação; segundo ele, o ensino deve ser um despertar para a filosofia, para a… Continue a ler »Edgar Morin, 1921 – Terra-Pátria

Mulheres extraordinárias: Olympe de Gouges, 1748 – 1793

Mulheres extraordinárias Olympe de Gouges, 1748 – 1793 Marie Gouze, conhecida por Olympe de Gouges, nasceu no sul da França, em maio de 1748 e morreu guilhotinada, em Paris, em novembro de 1793; como curiosidade, cerca de três semanas depois da rainha Maria Antonieta; apesar de terem tido o mesmo tipo de morte e no mesmo local, a coincidência entre as duas para por aí; enquanto a rainha foi acusada e executada por traição, visto que participara da fuga de Paris, em 1791, e do projeto de busca de tropas para invadir a capital, no caso de Olympe de Gouges, ela sofreu a pena de morte por suas ideias. Olympe é escritora e tornou-se também política, tendo sido autora da “Declaração dos direitos da mulher e da cidadã”, e ainda de diversos outros textos, todos a favor dos direitos civis e políticos das mulheres e da abolição da escravatura dos… Continue a ler »Mulheres extraordinárias: Olympe de Gouges, 1748 – 1793

Mulheres extraordinárias – Christine de Pizan, 1364 – 1430

Mulheres extraordinárias – Christine de Pizan, 1364 – 1430 Christine de Pizan é considerada como a primeira mulher de letras que viveu de sua produção literária. Sua erudição a distingue dos escritores de sua época, isto é, entre os séculos XIV e XV de nossa era: a autora nasceu em Veneza, em 1364, e morreu em um mosteiro a trinta quilômetros de Paris, em 1430; esse trajeto entre um país e outro ela o fez quando, à idade de quatro anos, em 1438, seu pai, Tomás de Pizan, um renomado médico e sábio italiano, é convidado pela corte do rei Carlos V a exercer suas faculdades de pensamentos científicos em França; ele aceita esse chamado e começa a praticar e a difundir seus amplos conhecimentos abrangentes das matemáticas e até da astrologia; Tomás morre em 1387. A essa época, Christine era casada com um secretário do rei, mas uma epidemia… Continue a ler »Mulheres extraordinárias – Christine de Pizan, 1364 – 1430

Mulheres extraordinárias – Hildegard von Bingen, 1098 – 1179

Mulheres extraordinárias Hildegard von Bingen, 1098 – 1179 Apresentaremos três mulheres excepcionais, de séculos diversos, de percursos também diferentes, mas de inteligências igualmente brilhantes e de alcance que perdura no tempo. Em nosso texto de hoje, vamos discorrer sobre Hildegard von Bingen, uma religiosa beneditina alemã que viveu a maior parte de sua vida no século XII. Ela era dotada de uma personalidade mística, mas exerceu igualmente a medicina de sua época, consagrando-se também ao estudo das plantas e do reino animal, e ainda compôs cânticos para suas abadias e, finalmente, escreveu textos filosóficos apropriados à divulgação de sua crença. Foi  canonizada como Santa da Igreja Católica e, a partir de 2012, ela é reconhecida como Doutora da Igreja, proclamada pelo Papa Bento XVI; ressalte-se que até 1970, só houve doutores da Igreja homens; ela é considerada Doutora da Igreja por sua autoridade excepcional no domínio da teologia, sendo que… Continue a ler »Mulheres extraordinárias – Hildegard von Bingen, 1098 – 1179

Doze contos peregrinos, 1992 – Gabriel García Márquez, 1927 – 2014

Doze contos peregrinos, 1992  Gabriel García Márquez, 1927 – 2014 Os contos a que nos referimos, acima, são ditos peregrinos por uma causa, a saber, seu autor, o escritor colombiano Gabriel García Márquez, estabeleceu cada um dos relatos em uma cidade diferente na Europa, ora Genebra, ou Roma, também Barcelona ou ainda Paris, entre outras. Gabriel García Márquez tem uma vasta obra, escreveu dezenas de livros, entre os quais, os mais notórios são “Cem anos de Solidão”, de 1967, “Crônica de uma morte anunciada”, publicado em 1981, “O amor em tempos de cólera”, 1985, mas também dedicou seu talento à produção de contos, novelas, e diversos artigos jornalísticos, sendo que em todos seus escritos destaca-se sua filiação ao chamado realismo mágico, ainda contando com notas históricas, humorísticas, satíricas ou dramáticas. Compreende-se esse assim chamado realismo mágico como a forma de arte, seja literária ou uma pintura ou ainda um filme,… Continue a ler »Doze contos peregrinos, 1992 – Gabriel García Márquez, 1927 – 2014

Cogito ergo sum – René Descartes, 1596 – 1650

Cogito, ergo sum  René Descartes, 1596-1650 Facilmente reconhecível, essa elocução que consta do título acima é associada a seu autor, o filósofo René Descartes. Vamos discorrer um pouco sobre ele, afinal, ele é a pessoa que, pela primeira vez, admite sua condição de ser humano porque podia reconhecer-se como tal; ele pensou e emitiu sua reflexão de forma peremptória, não deixou dúvida sobre a importância da racionalidade como a grande nota que marca nossa individualidade seja biológica, ou ainda na esfera da vida em sociedade. René Descartes nasceu em 1596, na região central de França, em uma cidade que, atualmente, ostenta seu nome em sua homenagem; morreu em 1650, em Estocolmo, onde foi conselheiro da rainha Cristina desde o ano anterior. Descartes editou inúmeras obras, e escreveu sobre os mais variados assuntos, entre eles, epistemologia, metafísica, física, óptica, matemática, moral, biologia, e princípios do que viria a ser, quase três… Continue a ler »Cogito ergo sum – René Descartes, 1596 – 1650