QUARO POEMAS – QUATRO AUTORES
Os poemas nos atarem e criam composições do mais variado género, como por exemplo Mario Quintana, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.
Primeiramente, vamos nos encantar com a sabedoria de Quintana : “O Tempo”.
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Mario Quintana (1906 – 1994) é um importante poeta brasileiro, nascido do Rio Grande do Sul, que conquistou o amor do público nacional com as suas composições curtas e cheias de sabedoria.
Este é um dos seus poemas mais populares e carrega uma grande lição de vida: muitas vezes, vamos adiando aquilo que queremos ou precisamos fazer, porque achamos que depois teremos mais disponibilidade.
No entanto, o sujeito alerta os leitores para o modo como o tempo passa rapidamente por nós e não espera por ninguém. Por isso, é necessário aproveitarmos e valorizarmos cada segundo em que estamos vivos.
O segundo poema é o de Vinicius de Moraes : “Dialética”.
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste…
Conhecido carinhosamente como “Poetinha”, Vinicius de Moraes (1913 – 1980) foi um dos nomes mais marcantes – (e mais amados) – da poesia e da música brasileira.
Seus versos são atravessados pela beleza e pela delicadeza, e é capaz de expressar grandes emoções humanas; ainda, seu poema é dominado pela melancolia.
Por mais que tenha consciência de todas as coisas boas que existem no mundo e procure se lembrar delas, ele continua enfrentando momentos de tristeza que não pode evitar.
O terceiro autor trata-se de Manuel Bandeira : “Brisa”.
Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.
Manuel Bandeira (1886 – 1968), o poeta, tradutor e crítico nascido no Recife, é outro nome incontornável da literatura brasileira.
Além de abordar temas do cotidiano e ser atravessada pelo humor – com os “poemas-piada” -, a sua produção lírica também é marcada pelos sonhos, fantasias e sentimentos do ser humano.
Neste poema, o autor se dirige à amada e demonstra ter uma visão idílica e profundamente romântica da vida. Entregue à paixão avassaladora que sente, ele quer deixar tudo para trás e fugir com Anarina, já que acredita que nada é mais importante que o amor.
O quarto autor é Carlos Drummond de Andrade : “Viver”.
Mas era apenas isso,
era isso, mais nada?
Era só a batida
numa porta fechada?
E ninguém respondendo,
nenhum gesto de abrir:
era, sem fechadura,
uma chave perdida?
Isso, ou menos que isso
uma noção de porta,
o projeto de abri-la
sem haver outro lado?
O projeto de escuta
à procura de som?
O responder que oferta
o dom de uma recusa?
Como viver o mundo
em termos de esperança?
E que palavra é essa
que a vida não alcança?
Um dos maiores poetas do panorama nacional, Drummond (1902 – 1987) foi um escritor mineiro que pertenceu à segunda geração do modernismo brasileiro.
Suas composições se destacam pelo uso de temáticas e vocabulário cotidianos, assim como pelo intimismo e pelas reflexões sobre o sujeito e o mundo.
O poema acima transmite a impressão de que a vida é, afinal, uma espera, um ato que foi ensaiado pelo sujeito, mas que nunca se concretizou realmente.
Analisando seu percurso, aparenta estar desanimado e confessa que não consegue encontrar esperança e nem entende como é suposto fazê-lo.
Este final é a escrita de Drummond, e este é seu “Viver”.
Enfim, procuramos quatro autores que alegraram nossa satisfação !