Leon Tolstói, 1828-1910 – Guerra e Paz, 1869 – e – Anna Karenina, 1877

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Leon Tolstói, 1828 – 1910 

Guerra e Paz, 1869 – e – Anna Karenina, 1877

 

Leon Tolstói, como chamamos o autor no Brasil, ou Lev Nikolaevitch Tolstói, é um escritor russo amplamente reconhecido como um dos maiores de todos os tempos. Ele deve sua celebridade principalmente a seus romances que descrevem em detalhes a vida de seu povo à época dos tsares, mas também é largamente reconhecido por seus ensaios sobre os poderes civis e eclesiásticos de seu tempo e ainda por colocar em evidência as condições, as regras e as convenções da civilização à época de sua existência. Entre romances, contos, ensaios, biografias e teatro, ele escreveu aproximadamente cem obras, sendo duas delas as mais difundidas em todo o mundo, a saber, “Guerra e Paz”, de 1869, e “Anna Karenina”, publicada em 1877. Tolstói levou dez anos para escrever “Guerra e Paz” e, nesse livro ele traça o retrato histórico e realista de todas as classes socias no momento da invasão da Rússia pelas tropas de Napoleão, em 1812, em um vasto afresco das complexidades da vida social e das sutilezas da psicologia humana, e do qual surge uma profunda reflexão sobre os acontecimentos e a violência que perpassam pela vida das pessoas. Interessante ressaltar que Tolstói –  que estudara línguas orientais quando estudante – nos últimos anos de vida, manteve uma breve correspondência com Mahatma Gandhi, em termos de levar adiante a doutrina da “não-violência” e da expansão da solidariedade entre os povos e as nações. Este era seu pensamento dominante, a tal ponto que, já retirado e isolado de tudo e de todos, ele escreve um conto de somente 96 páginas, intitulado “A história de Ivan, o tolo”, e editado no Brasil como “A Morte de Ivan Ilitch”, em 1886, no qual o autor reafirma a virtude da “não-violência”, para ele “essa força espiritual” que só ela pode confrontar a barbárie, opondo-lhe com a bondade e a gentileza; este é um conto filosófico e revolucionário, quer dizer, trata da revolução espiritual fundamentada na compreensão e compartilhamento humanos. Depois desta digressão, passemos ao resumo de “Guerra e Paz”: o romance foi publicado, inicialmente, em fascículos, entre 1865 e 1869, e sua história desenvolve-se ente os anos de 1805 e 1820; os desentendimentos diplomáticos e a guerra contra Napoleão acontecem, enquanto a vida em Moscou continua. Aí encontramos os seguintes personagens: o conde Rostov, que celebra a festa de aniversário de sua filha Natacha, o príncipe Bolkonski e sua mulher, Pedro, filho bastardo de um rico e importante conde, ainda a tia de Natacha, uma senhora da antiga nobreza, e, finalmente, o filho do conde Rostov, chamado Nicolas, e sua prima Sônia, ambos apaixonados um pelo outro. Todas as etapas diplomáticas e todas as batalhas que precedem a guerra, propriamente, assim como a campanha final, elas são descritas em detalhes de negociações e também os tipos de estratégias militares, as posições ocupadas pelas tropas, os embates, as derrotas e as vitórias. Sabemos que essa chamada Campanha da Rússia durou cinco meses e vinte dias, a saber, de 24 de junho a 14 de dezembro de 1812, e que as perdas fatais chegaram a mais de 200.000 mortos de cada lado dos contendores. Como epílogo desse vasto romance de 1225 páginas, depois de todas as considerações sobre as forças em combate, acontece a morte do velho conde Rostov, o casamento de seu filho Nicolas, e ainda a união de Pedro com Natacha, que vivem felizes “para sempre”. Sabe-se que Tolstói buscou continuamente o reconhecimento de sua obra literária, e isso acontece plenamente após a publicação de “Anna Karenina”, romance de 864 páginas, em 1877. Chegamos ao resumo do texto: a história acontece em 1880, Anna Karenina é uma jovem da alta sociedade de São Petersburgo, ela é casada com Alexis Karenina, um importante funcionário da administração imperial que é alguém austero e orgulhoso; ambos têm um filho de oito anos de idade chamado Sérgio. Em determinado momento, Anna vai a Moscou para visitar seu irmão, Stiva Oblonski; ao descer do trem, ela cruza com o jovem conde Vronski, um brilhante mas frívolo militar, o qual viera receber sua mãe. Vronski dá-se conta dessa bela mulher que é Anna, e esta apaixona-se imediatamente por ele; ainda assim, ela volta ao lar, para o convívio de seu marido e seu filho. Nesta altura dos acontecimentos, o destino intervém e, em uma próxima viagem de trem, Vronski e Anna encontram-se novamente, ele declara seu amor por ela, e ambos dão início a um ardente e tempestuoso romance – mais um, segundo a contagem de Vronski, e uma infidelidade conjugal, para Anna. Ambos afastam-se da Rússia, vivem à margem da sociedade, entre França e Itália; ela engravida do jovem oficial, dá à luz uma menina, enquanto ele persiste em sua vida de missões de combate e de vida social despreocupada, passada em festas com seus companheiros oficiais. Anna contrai uma febre insalubre e, a seguir, envia um telegrama pedindo auxilio a seu marido, o qual a socorre, comovido por sua situação; depois de curada, Vronski volta a procurá-la e ela, atormentada por essas emoções contraditórias e pelo remorso de sua traição inicial, chega a pensar em tirar a própria vida. Esse clima pesado provoca uma incompreensão recíproca crescente que termina por obscurecer a união dos dois; Anna, mortificada por suas preocupações e não vendo possibilidade de uma saída honrosa, chega ao desenlace de matar-se, e assim o faz, jogando-se sob as rodas de um trem: tal fim do romance nos ensina que assim vence a engrenagem social, imprimindo seu castigo a quem a desobedece e desafia. Não é demais lembrar que outros livros trataram do mesmo assunto – o adultério feminino – seja depois ou antes dessa obra de Tolstói, e aqui destacamos um outro romance bem acolhido pelos leitores, cujo título é “Madame Bovary”, do escritor francês Gustave Flaubert, contendo 398 páginas e publicado entre 1856/57, tendo o mesmo tipo de desfecho. Voltando a nosso autor: como vimos, Tolstói dedica-se a expor e a estudar as emoções humanas em seu extremos, tanto em termos mais amplos e abrangentes de um país em guerra, tanto em uma situação pessoal e definitiva de uma pessoa; assim fazendo, este autor nos oferece uma obra literária profunda, repleta de sentimentos e de reflexões sobre o que nos torna humanos, e mais, como fazemos para manter-nos como tais; sabemos, entretanto, que não há fórmula pronta, só cabe a cada um de nós encontrar seu próprio caminho de “humanização”, mas, é claro, há alguns autores que nos ajudam a cumprir nossa tarefa!

 

 

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