CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 

Nosso autor Carlos Drummond nasceu em 1902, em Itabira, no sudeste de Minas Gerais, e viveu grande parte de sua presença no Rio de Janeiro; lá faleceu em 1987. O poeta, contista e cronista são considerados como os maiores produtores do século vinte. Os temas de sua obra são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas, familiares e políticas, destacando-se, por vezes, o ‘dialeto mineiro‘.

Sua obra literária abrange a poesia e a crônica – 27 resultados; antologia poética – 9; produtos infantis – nove textos; e prosa – 21 obras.

Agora, vamos inspirar-nos de alguns poemas de Carlos Drummond de Andrade.

Primeiro : “Verbo Ser”.

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.

 

A pergunta é esta : “Que vai ser quando crescer?” Todos nós nos perguntamos, mas nunca chegamos a responder completamente, e tampouco sabemos realizar o crescimento; “Vou crescer assim mesmo”, assim como estou fazendo agora, ao buscar tal pensamento, ele auxilia meu crescimento!

 

Segundo poema: “A Palavra”.

 

Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.

Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.

 

O dicionário é útil, mas ele se impõe de tal forma que pensamos em apagá-lo para “saboreá-la”!

 

Terceiro poema: “Poema Que Aconteceu”.

Nenhum desejo neste domingo
nenhum problema nesta vida
o mundo parou de repente
os homens ficaram calados
domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema
não sabe o que está escrevendo
mas é possível que se soubesse
nem ligasse.

 

“A mão que escreve este poema” pode não saber profundamente o que registra, mas sabemos de “sua” cultura poética dotada de riqueza e importância educacional !

 

 

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