A cartomante de Machado de Assis

A cartomante de Machado de Assis   Nosso autor de hoje – e de sempre – Joaquim Maria Machado de Assis, como sabemos, nasceu no Rio de Janeiro, em 1839 e morreu na mesma cidade, em 1908; ele viveu e escreveu sua obra nesse ambiente da sede política brasileira, testemunhou a abolição da escravatura e a mudança política no país, quando a República substituiu o Império, além das mais diversas reviravoltas pelo mundo em finais do século XIX e início do XX; escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário, tendo sido sempre um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época. Ousamos dizer que o autor ultrapassou toda e qualquer época poque ele aprofundou de tal forma seu conhecimento da trama social e sua percepção da chamada “alma humana”, que seu texto torna-se atemporal e universal. É… Continue a ler »A cartomante de Machado de Assis

Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias

Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias  Júlio Verne é um escritor francês que viveu de 1828 a 1905, reconhecido mundialmente como um dos maiores autores de romances de aventuras, carregados de emoções, mas também repletos de ensinamentos decorrentes dos progressos científicos que prosperavam no século XIX. Desde jovem, Júlio Verne escrevia romances e peças de teatro, mas foram seus relatos aventureiros que o alçaram ao sucesso, inclusive no exterior, em vários países e não só europeus. Em 1863, ele publica “Cinco semanas em um balão”, texto inédito em termos literários tanto para a leitura de jovens como para adultos. A partir de seu romance “Aventuras do Capitão Hatteras”, de 1866, suas obras passam a ser editadas em uma coletânea chamada “Viagens extraordinárias”, as quais reúnem sessenta e dois romances e dezoito contos, às vezes publicados em folhetins – ou capítulos – na “Revista de educação e… Continue a ler »Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias

Platão, a alegoria da caverna

Platão, a alegoria da caverna   Muitos denominam o tema que apresentaremos a seguir de “mito”, enquanto outros o chamam de “alegoria”; sabemos que mito é uma narrativa fantástica ou simbólica, ou ainda uma forma alegórica de se expor uma ideia ou uma teoria e que, por outro lado, alegoria é uma forma de expressão que visa a transmissão de concepções ou ensinamentos. Quase poder-se-ia afirmar que ambas palavras têm o mesmo sentido, não fosse por um detalhe a meu ver determinante, a saber: na etimologia ou origem da palavra alegoria, constam os seguintes elementos em grego, “állos” significa “outro” e “agoreu” é “falar em público”; no conjunto, temos o significado de “falar em público de outra forma”, o que exatamente apresenta-se nesta narrativa de Platão. O filósofo viveu entre os séculos V e IV a.C., foi discípulo de Sócrates e escreveu, entre diversos trabalhos notáveis, um deles intitulado “A… Continue a ler »Platão, a alegoria da caverna

Bons sentimentos, boas ações

Bons sentimentos, boas ações   Movidos por nossa disposição para nos comovermos, partimos para nossa atuação e seu efeito. De que falamos? Hoje, vamos dedicar nossa energia na atividade da escrita para ressaltar três personalidades que muito contribuíram – e uma delas está viva e continua a contribuir – para proporcionar uma vida melhor a muitas pessoas. São eles, esses indivíduos notáveis: Martinho, ou São Martinho, santo da Igreja Católica, o qual viveu no século IV da era cristã, e dona Zilda Arns, que viveu de 1934 a 2010, e ainda o padre Júlio Lancellotti, atualmente com 72 anos de idade. Daqui em diante, podemos chamá-los  Martinho, Zilda e Júlio. O que eles têm em comum? Bons sentimentos, muito amor fraternal e inesgotável compreensão humana que eles colocam em prática para melhorar a vidas dos pobres necessitados. Começamos com o mais antigo, Martinho, o qual nasce na atual Hungria, em… Continue a ler »Bons sentimentos, boas ações

José de Alencar, autor de nossa nacionalidade

José de Alencar, autor de nossa nacionalidade   José de Alencar nasceu no Ceará, em 1829 e morreu no Rio de Janeiro, em 1877; foi escritor e homem político, e é notável como escritor por ter sido o iniciador do romance brasileiro de temática nacional. Suas obras principais nesse sentido são, cronologicamente, “O Guarani”, publicado primeiro como folhetim, em 1857, a seguir, “Iracema”, escrito em 1865, e finalmente “Ubirajara”, editado em 1874. O autor foi patrono da cadeira fundada por Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras, e na carreia política, foi notória sua tenaz defesa contra a escravidão no Brasil, quando ministro da Justiça do Segundo Império, o de D. Pedro II. Em 1859, tornou-se chefe da Secretaria do Ministério da Justiça, sendo depois consultor do mesmo; em 1860, ingressou na política, como deputado provincial no Ceará, sempre militando pelo Partido Conservador, Brasil Império; em 1868, tornou-se ministro… Continue a ler »José de Alencar, autor de nossa nacionalidade

Madame Bovary de Flaubert

Madame Bovary de Flaubert   Madame Bovary é de Flaubert, ou ainda, Flaubert é de Madame Bovary, pois o próprio autor diz, em determinado momento de sua correspondência com uma amiga, que “Madame Bovary sou eu”. Coisa estranha e até perigosa de se afirmar, na época em que o romance foi publicado, em 1857.  Passamos a explicar a situação, calmamente, como deve ser. O romance “Madame Bovary, Costumes provinciais” – é este o título e subtítulo do romance – no mesmo ano de sua publicação, provoca contra seu autor a acusação de “ofensa à moral pública”; como sabemos, tal publicidade de alguma situação mais audaciosa foi efetiva no sucesso imediato do romance, com uma tiragem de vinte mil exemplares – inédita, para a época – e rapidamente esgotada. Continua, até hoje, sendo o romance mais lido da literatura francesa e um dos mais bem sucedidos em inúmeros países. É considerado… Continue a ler »Madame Bovary de Flaubert

“Teoria do medalhão” (1881), diálogo de Machado de Assis (1839-1908)  

“Teoria do medalhão” (1881), diálogo de Machado de Assis (1839-1908)   Todos sabemos que Machado de Assis é considerado um dos maiores ou, sem desprezo aos outros, o mais importante autor da literatura brasileira. Escreveu obras dos mais variados gêneros, foi romancista, poeta, cronista, dramaturgo, jornalista, crítico literário, até análise de um problema enxadrístico, o primeiro a ser publicado no país, deve-se a ele, que também era um excelente enxadrista. Há, ainda, um gênero em que talvez a genialidade de Machado destaque-se em toda sua exuberância; refiro-me ao conto. Apesar de essa excelência ter sido sempre apresentada pelo autor da maneira mais discreta possível – aparente paradoxo de seu estilo, trilhado permanentemente sobre traços de ironia, pois bem, em língua portuguesa não há textos que se sobreponham aos contos machadianos. Difícil torna-se escolher um entre eles, ainda assim, opto pelo diálogo de um pai com seu filho, intitulado “Teoria do… Continue a ler »“Teoria do medalhão” (1881), diálogo de Machado de Assis (1839-1908)  

Ferreira Gullar – 1930-2016 – A vida inventada – Poema Sujo

Ferreira Gullar, 1930-2016 – A vida inventada Poema Sujo   Ferreira Gullar, nosso autor de hoje – e de sempre – nasceu em São Luís do Maranhão, e na vida real chama-se José Ribamar Ferreira; ele explica o codinome pelo qual é conhecido tanto no país como no exterior: “Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é, pois, um nome inventado; como a vida é inventada, eu inventei o meu nome”. Iniciamos exatamente com esse agnome criado pelo próprio autor, o qual explica bem sua poesia; afinal,… Continue a ler »Ferreira Gullar – 1930-2016 – A vida inventada – Poema Sujo

Castro Alves, 1847-1871 – O Navio Negreiro, 1868 – “Era um sonho dantesco!…”

Castro Alves, 1847-1871 – O Navio Negreiro, 1868  “Era um sonho dantesco!…”   Nosso “poeta dos escravos” e “poeta republicano”, Castro Alves, nasceu no interior da Bahia, seus primeiros estudos foram orientados por educadores particulares e em 1858, a partir dos dez anos de idade, junto aos irmãos, frequentou o “Ginásio Baiano”, este dirigido por um renomado professor da época; ali encontra um ambiente cultural fértil, com os habituais saraus, então em moda, festas de arte, música, poesia, declamação de versos e discursos; tal ambiente fez com que revelasse precocemente seu talento: suas primeiras composições foram realizadas antes dos treze anos e, de fato, as datas de seus versos iniciais vão de 1859 a 1861. Começou sua produção maior aos dezesseis anos de idade, e seus versos de “Os Escravos” foram iniciados aos dezessete, com ampla divulgação através de recitais do poema e também via a imprensa do país, o… Continue a ler »Castro Alves, 1847-1871 – O Navio Negreiro, 1868 – “Era um sonho dantesco!…”

Martins Pena, 1815-1848 – O consolidador do teatro no Brasil

Martins Pena, 1815 – 1848 O consolidador do teatro no Brasil   Luís Carlos Martins Pena nasceu no Rio de Janeiro, filho de uma família de posses medianas, seu pai foi desembargador e morreu quando o menino tinha somente um ano de idade, mais adiante, sua mãe casou-se novamente, mas morreu quando ele mal completara dez anos; a seguir, seu padrasto, um militar, deixou-o sob tutela e, seguindo a orientação dos tutores, ingressou na carreira comercial e concluiu em 1835, aos vinte anos, o curso de Comércio. Estudou, ainda, literatura, teatro, desenho, música, arquitetura, história, além de outras línguas; devido a essa competência linguística, Martins Pena ingressou na carreira diplomática, tendo trabalhado principalmente em Londres e em Portugal. Programou seu regresso ao Brasil, e na viagem de volta à pátria, o autor sofreu complicações da tuberculose que adquirira há algum tempo; como consequência, faleceu em Lisboa, em 1848, tendo vivido… Continue a ler »Martins Pena, 1815-1848 – O consolidador do teatro no Brasil