O cinismo de Diógenes

O cinismo de Diógenes   Quem foi Diógenes? Um filósofo que viveu entre 413 e 327 antes de Cristo, nasceu em Sinope, atualmente uma cidade ao Norte da Turquia e à beira do Mar Negro, foi discípulo de Sócrates e foi contemporâneo de Platão e de Aristóteles, com os quais compartilhou ensinamentos filosóficos. À época, Diógenes de Sinope, como era conhecido, ou simplesmente Diógenes, foi profundamente influenciado pela escola do cinismo, e tornou-se um filósofo sem domicílio fixo, errava pelas cidades e preferia viver dentro de um tonel porque assim sentia- se mais livre para expor seus pensamentos. A tradição atribui ao pensador uma numerosa produção literária e filosófica, mas grande parte de sua obra parece ter sido perdida, e algumas retomadas por outros autores; somente quatro títulos são reconhecidos: três tragédias e um texto filosófico, o “Tratado dobre o amor”. Avançamos, e perguntamos: o que é o cinismo? É… Continue a ler »O cinismo de Diógenes

Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888

Eça de Queiroz, 1845 – 1900  Os Maias, 1888   Eça de Queiroz é um escritor, romancista, contista, poeta, advogado e diplomata português; nasceu em uma pequena cidade no Norte de Portugal e morreu na França, em sua casa, na região parisiense. Após concluir os estudos na província natal, ingressou na Universidade de Coimbra, onde formou-se em Direito, e começou a publicar seus primeiros trabalhos como escritor na revista “Gazeta de Portugal”. Posteriormente à formatura, mudou-se para Lisboa, onde trabalhou como advogado e jornalista. Iniciou a carreira diplomática em 1870 e trabalhou em diversas cidades, até se mudar para Paris e casar-se. Os anos mais produtivos de sua carreira literária vão de 1874 a 1878, quando trabalhou na Inglaterra como diplomata. Com grande senso de observação, Eça de Queirós desmistificou a hipocrisia e o falso moralismo dos costumes sociais. Optando por utilizar a linguagem corrente de Lisboa, Eça renovou a… Continue a ler »Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888

“Auto da Compadecida”, 1955 – Ariano Suassuna, 1927-2014

“Auto da Compadecida”, 1955  Ariano Suassuna, 1927-2014   Ariano Suassuna é um dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta, professor, advogado e palestrante brasileiro. Ele é autor de mais de trinta obras consideradas insignes, entre as quais destacam-se duas como magna opera: o “Auto da Compadecida” e o romance intitulado “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, este editado em 1971. No texto de hoje, destacamos a chamada obra-prima do autor, a peça teatral “Auto da Compadecida”, a qual foi encenada pela primeira vez em 1956, no Teatro Santa Isabel, em Recife. Trata-se de uma peça dividida em três atos e que tem como pano de fundo o sertão nordestino; além disso, ressaltamos que o “auto” literário surgiu na Espanha, no século XII, expandiu-se em Portugal, no século XVI, e cujas características são a linguagem popular, as tiradas cômicas e a intenção moralizadora; seus personagens, ou melhor, seus… Continue a ler »“Auto da Compadecida”, 1955 – Ariano Suassuna, 1927-2014

A Moratória, de Jorge Andrade

A Moratória, de Jorge Andrade   Jorge Andrade é considerado pelos especialistas literários como um dos dramaturgos brasileiros mais importantes do século XX, tendo em vista que ele realizou, no total de suas obras, um recorte temporal da História do Brasil que vai do século XVII ao XX, através de suas dezoito peças teatrais, sete novelas, dois filmes, duas novelas televisivas, um compêndio de literatura, e ainda – e principalmente – pela coletânea intitulada “Marta, a Árvore e o Relógio”, publicada em 1970. Jorge Andrade, paulista, nasceu no ano de 1922, morreu em 1984, e teve sua produção realizada entre as datas de 1951 até 1980. Entre suas obras de dramaturgia que mais se salientaram, temos “A moratória”, de 1954, “A escada”, 1960, “Os ossos do barão”, de 1962, e sendo que estas duas foram a seguir agrupadas em uma só produção televisiva, sob o título de “Os ossos do… Continue a ler »A Moratória, de Jorge Andrade

A causa secreta – Conto de Machado de Assis

A Causa Secreta Conto de Machado de Assis   Como sabemos, Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, em 1839, e morreu em 1908, na mesma cidade, até então capital do Império e, à época de seu falecimento, já sede da República; isso significa que ele perpassou por várias etapas políticas e sociais de nossa pátria. Sabemos também que Machado é considerado um dos maiores nomes da cultura brasileira, importante autor de romances, atuando também como dramaturgo, poeta, crítico e jornalista, e sendo reconhecido internacionalmente. Trata-se de um autor de ímpar produção literária no terreno do conto, cotado, segundo alguns analistas, como um dos maiores contistas da literatura ocidental. Dentre seus duzentos contos, destacamos, hoje, “A causa secreta”, publicado pela primeira vez em 1885 e, posteriormente, em “Várias histórias”, de 1896; trata-se do tema de sadismo e, em parte, de “voyeurismo”. Muitos especialistas consideram esta obra um de seus… Continue a ler »A causa secreta – Conto de Machado de Assis

Seminário dos Ratos – “Que século, meu Deus!” – Lygia Fagundes Telles

Seminário dos Ratos – “Que século, meu Deus!” Lygia Fagundes Telles   Lygia Fagundes Telles é uma escritora brasileira, ela nasceu em 1918 e morreu recentemente, em início de abril de 2022; é reconhecida como a “dama da literatura brasileira” e “a maior escritora brasileira” enquanto viva, e ainda considerada por acadêmicos, críticos e leitores como uma das mais importantes e notáveis personalidades culturais brasileiras do século XX e da história literária de nosso país; além de romancista, foi advogada, teve grande representação no pós-modernismo, e suas obras retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo e a loucura, além da fantasia. Na 17.ª edição do Prêmio Camões, ocorrida em 2005, sendo esta a maior láurea concedida a escritores de países que têm o português como a língua oficial, Lygia foi a vencedora. Ganhadora de todos os prêmios literários importantes do Brasil, homenageada nacional e internacionalmente, tornou-se, em 2016, quase centenária, a primeira mulher brasileira a… Continue a ler »Seminário dos Ratos – “Que século, meu Deus!” – Lygia Fagundes Telles

Mãe Coragem – Bertolt Brecht

Mãe Coragem – Bertolt Brecht   “Mãe Coragem” é o título de uma peça teatral escrita em doze quadros pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht, em 1939, representada pela primeira vez em 1941, e com o subtítulo de “Crônica da guerra de Trinta Anos”. Ela é uma das mais famosas peças do teatro de Brecht, um grande autor teatral alemão que viveu entre 1898 e 1956, e também uma das mais dramáticas e representativas de uma guerra. Se nos damos conta, percebemos que também estamos em uma época de conflito bélico, e por isso pensamos trabalhar um pouco sobre este texto e esta situação social da época em que vivemos. Primeiramente, cabe explicar o que foi a guerra de Trinta Anos: ela engloba uma série intermitente de conflitos armados, de batalhas entre países europeus, no período de 1618 a 1648, tendo como origem as desavenças entre protestantes e a hegemonia da… Continue a ler »Mãe Coragem – Bertolt Brecht

Manuel Bandeira, 1886-1968 – O brilho da estrela

Manuel Bandeira, 1886-1968  O brilho da estrela   Manuel Bandeira é um poeta brasileiro nascido em Recife, além de ser professor de literatura e crítico literário e de arte, e também tradutor. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1940. Tornou-se conhecido pelo ambiente cultural do país como um dos autores da geração de 1922, participando da instauração da Semana de Arte moderna, em São Paulo, quando o primeiro poema a ser lido foi o seu, intitulado “Os Sapos”. Quem eram esses “sapos”? Para o autor desabusado, eles representavam os poetas tradicionais  – os parnasianos – o que, evidentemente, desagradou à elite literária arraigada aos padrões habituais; entretanto, posteriormente, o poema converte-se em um clássico da poesia moderna brasileira, citado em todos os livros didáticos sobre Literatura Brasileira do século XX, e muito contribui para delimitar o fim de uma época cultural. O poeta é eclético e aborda… Continue a ler »Manuel Bandeira, 1886-1968 – O brilho da estrela

Um século de modernidade –  Semana de Arte Moderna de 1922

Um século de modernidade  Semana de Arte Moderna de 1922   Entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922, instaura-se a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo. Instala-se, assim, a nova estética artística para todos os campos das artes, com apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de obras de arte, como pinturas e esculturas, e palestras. Seu objetivo central é a mudança dos cânones estéticos da época, no Brasil, todos sob forte influência e inspiração dos conceitos europeus tradicionais; pretende-se criar uma “arte brasileira” calcada, em parte, nas vanguardas artísticas europeias. Para alcançar seu objetivo, busca-se implementar um novo processo de “confecção” artística o qual, em termos de literatura, significa especialmente romper com a chamada corrente parnasiana. Cabe a nós explicar que o parnasianismo é a escola poética de fins do século XIX, na Europa, sobretudo em França, e também no Brasil,… Continue a ler »Um século de modernidade –  Semana de Arte Moderna de 1922

Vem o sol, quero alegria – (Fica decretado que agora vale a verdade) – Thiago de Mello

Vem o sol, quero alegria (Fica decretado que agora vale a verdade)  Thiago de Mello   Amadeu Thiago de Mello foi um poeta, jornalista e tradutor brasileiro; ele é natural do estado do Amazonas, nasceu em 1926 e morreu recentemente, em janeiro de 2022. O autor é um dos poetas mais influentes e respeitados de nosso país, e tem suas obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Quando jovem, ele cursou a faculdade de medicina, mas abandonou o curso na metade e ingressou na carreira  diplomática, na década de 50. Seu primeiro livro de prosa foi escrito aos 25 anos, intitulado “Silêncio e Palavra”, editado em 1951, do qual mereceu críticas de renomados autores como sendo “um dos mais típicos representantes da chamada ‘geração de 1945’ (preocupada com causas sociais e descomprometida de fórmulas rígidas de escrita) e, mais adiante, com o decorrer do tempo e da publicação de suas… Continue a ler »Vem o sol, quero alegria – (Fica decretado que agora vale a verdade) – Thiago de Mello