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“Os Ratos”, de Dyonélio Machado

“Os Ratos”, de Dyonélio Machado   Hoje, vamos falar de um livro que, apesar de pouco comentado, tornou- se uma das obras mais importantes da literatura brasileira moderna, além de ter sido homenageado com o prestigioso prêmio Machado de Assis. Trata-se de “Os Ratos”, publicado em 1935 por seu autor, Dyonélio Machado, nascido em nosso estado, na cidade de Quaraí, em 1895, e formado médico psiquiatra pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre.  A capital é adotada pelo autor, aqui é sua morada e local de trabalho durante toda sua existência, até 1985, e é nessa cidade que ocorre a ação do romance. Nele, utiliza-se uma linguagem simples e  direta, poder-se-ia dizer, econômica, onde nem o sentimentalismo nem o entusiasmo estão presentes, mas sim a preocupação e a ansiedade do protagonista, Naziazeno, em obter os 53 mil réis que lhe faltam para quitar a dívida com o leiteiro que entrega… Continue a ler »“Os Ratos”, de Dyonélio Machado

Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas

Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas   Poesia, em grego antigo, é “poiein”, significa fazer, fabricar, construir: é um verbo, portanto; e verbo quer dizer a palavra que indica ação, situação ou mudança de estado; ela é elemento fundamental na expressão de um pensamento, na confecção de um diálogo. Nossa comunicação faz-se com palavras, com verbos, a partir dessa construção de ideias à qual chamamos, inicialmente, “poesia”. Já a palavra verso, por sua vez, expressa a linha de escrita ou ainda “virar” ou “dobrar”; mas por quê? Porque esta é uma metáfora que nos remete ao latim como idioma de agricultores: a comparação é com o ato de trabalhar a terra, quando o boi que puxa o arado completa um sulco e vira em sentido oposto para fazer outro paralelo a ele. Note-se que, em época do grego e do latim clássicos, escrevia-se até o fim da linha e… Continue a ler »Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas

Akira Kurosawa, 1910 – 1998

Akira Kurosawa, 1910 – 1998   Akira Kurosawa nasceu em Tóquio, em 1910, e morreu na mesma capital, em 1998. Ele é um diretor de cinema ou realizador, produtor, roteirista e montador, quer dizer, ele faz a montagem das cenas dos filmes. É considerado como um dos cineastas mais célebres e influentes da história da indústria cinematográfica mundial; sua técnica e genialidade artística são reconhecidas tanto no Oriente como no Ocidente; em cinquenta e sete anos de carreira, ente 1936 e 1993, ele realiza mais de trinta películas. Começa em 1936, como assistente de direção e roteirista, isto é, ele escreve o que será filmado. Em 1943, em plena Segunda Guerra mundial, ele realiza seu primeiro filme, “A lenda do grande judô”; daí em diante, destacamos somente algumas de suas obras mais marcantes. Em 1950, dirige “Rashomon”, filme onde quatro pessoas apresentam versões diferentes do mesmo fato: a história desenrola-se… Continue a ler »Akira Kurosawa, 1910 – 1998

Onde fica a casa de meu amigo? Abbas Kiarostami, 1940-2016

Onde fica a casa de meu amigo?  Abbas Kiarostami, 1940-2016   Abbas Kiarostami é um cineasta, roteirista e produtor de cinema iraniano, nasceu em Teerã, em 1940, e morreu em Paris, em 2016. Antes de tornar-se diretor ou realizador de filmes, ele começa sua carreira cinematográfica produzindo desenhos animados, suportes publicitários e os créditos de personagens e atores; sua capacidade técnica também foi exercida sendo editor de filmes e diretor artístico, e seu talento ainda alcançou a poesia, a fotografia, a pintura e a ilustração através de desenhos gráficos. No mundo do cinema, desde 1970, ele realiza mais de quarenta filmes, alguns documentários e outros curtas-metragens; recebeu aproximadamente um cento de honrarias vindas de Festivais internacionais de cinema como também de Universidades na Europa e nos Estados Unidos, e por sua vez, presidiu cerca de vinte júris, como os de Cannes e Veneza. Sua trajetória inicia com filmes pedagógicos realizados… Continue a ler »Onde fica a casa de meu amigo? Abbas Kiarostami, 1940-2016

Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940 – A Floresta dos Paradoxos

Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940  A Floresta dos Paradoxos    Jean-Marie Gustave Le Clézio nasceu em Nice, sul de França, mas desde muito jovem mudou-se com sua família para as Ilhas Maurício, a leste da costa africana, e antiga colônia holandesa do século XVII, depois reivindicada como propriedade francesa, no decorrer do século XVIII, e ainda transformada em território inglês no século XIX para, finalmente, tornar-se independente a partir de 1968. A área do país é de somente 2.040 km², a capital e maior cidade é Port Louis, e a nação participa da Commonwealth, da Francofonia e da União Africana, sendo a língua inglesa a primeira língua a ser usada em suas relações internacionais, e o francês é a segunda, falada por boa pare de sua população, sem contar com o idioma nativo. Oficialmente, o país chama-se Ilha Maurício ou República da Maurícia, sendo sua população de um milhão e… Continue a ler »Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940 – A Floresta dos Paradoxos

Érico Veríssimo, 1905 – 1975

Érico Veríssimo, 1905 – 1975 Escrever sobre Érico Veríssimo é quase como falar sobre um senhor vizinho nosso, com expressão reflexiva e tranquila. Quase é possível ainda encontrar-se com ele, ao sair da rua Sofia Veloso e chegar à avenida Osvaldo Aranha, porque na calçada oposta ao colégio estadual Instituto de Educação, lá está “seu” Érico praticando sua caminhada diária, vindo de sua casa no alto Petrópolis e para lá voltando, sempre a pé. Para mim, tal proximidade frequente não retira dele sua grandeza literária. Érico Veríssimo foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX e destaca- se como um dos mais importantes romancistas da literatura nacional, tendo sido, também, tradutor de obras importantes escritas originalmente em inglês e em francês. Seu texto é o de um autor da chamada geração de 1930, isto é, caracteriza-se pela linguagem sóbria e pela realização de obra de caráter inovador, tendo… Continue a ler »Érico Veríssimo, 1905 – 1975

Edgar Morin, 1921 – Terra-Pátria

Edgar Morin, 1921 Terra-Pátria Edgar Morin nasce em Paris, em 1921, é quase centenário, portanto, e seu pensamento mantém-se lúcido e seu espírito continua brilhante, felizmente. Considerado por muitos como um dos maiores pensadores vivos do Ocidente, ele permanece uma pessoa acessível e mantém o prazer e a alegria de expor suas ideias. Morin é filósofo, sociólogo e antropólogo, formado em Direito, História e Geografia; possui uma extensa obra publicada, perfazendo mais de um cento, sejam livros ou cursos, palestras, ainda entrevistas presenciais, quando era possível e, atualmente, via Internet; trata-se de um pensador da “complexidade”, cuja definição parte dele mesmo, qualificando-se como um “construtivista” e precisando: “eu falo da colaboração do mundo exterior e de nosso espirito, para construir a realidade”. Um dos setores de maior influência exercida por Edgar Morin, é, sem dúvida, a educação; segundo ele, o ensino deve ser um despertar para a filosofia, para a… Continue a ler »Edgar Morin, 1921 – Terra-Pátria

Aleph, a esfera que tudo reflete – Jorge Luis Borges, 1899 – 1986

Aleph, a esfera que tudo reflete  Jorge Luis Borges, 1899 – 1986 Jorge Luis Borges, escritor argentino, nasceu em Buenos Aires, em agosto de 1899 e morreu em Genebra, Suíça, em junho de 1986. Foi autor de contos, mas também foi ensaísta, poeta e tradutor, além de ter sido igualmente uma figura-chave tanto para a literatura em língua espanhola, como para a literatura universal. Seus dois livros mais difundidos são “Ficções”, uma coletânea de contos, publicada pela primeira vez em 1944,  e “O Aleph”, impresso em 1949, também um conjunto de relatos breves. Essas duas obras conectam-se através de seus temas comuns, como os sonhos, os labirintos, a filosofia, as bibliotecas, os espelhos, autores fictícios, a mitologia europeia, sobretudo a clássica e a anglo-saxã, e ainda as histórias de heróis populares, mesclando a realidade com a fantasia e os feitos com a ficção; como consequência, esses livros contribuíram muito para… Continue a ler »Aleph, a esfera que tudo reflete – Jorge Luis Borges, 1899 – 1986

“Contos exemplares” (1616) – Miguel de Cervantes (1547-1616)

“Contos exemplares” (1616) Miguel de Cervantes (1547-1616) Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em Alcalá de Henares, cidade que se localiza nos arredores da capital espanhola, Madrid, e a data de seu nascimento não é certa, mas provavelmente tenha sido em 29 de setembro de 1547; ele morreu em Madrid, em 22 de abril de 1616, e atualmente, seus restos encontram-se em um monumento erigido em sua honra, na igreja de Santo Ildefonso do convento das Trinitárias. Cervantes foi romancista, poeta, dramaturgo e, quando jovem, foi soldado do rei Carlos I de Espanha, na batalha naval de Lepanto, na Grécia, no ano de 1571. A chamada Liga Santa, da qual Espanha participa, sai plenamente vitoriosa desse episódio contra o Império Otomano, e dele Miguel de Cervantes resultou ferido, perdeu a mobilidade da mão esquerda, o que lhe valeu o apelido de “o manco de Lepanto”. Esse fato será retomado pelo autor,… Continue a ler »“Contos exemplares” (1616) – Miguel de Cervantes (1547-1616)

Um grande amigo!

Um grande amigo! Hoje, dedicamos algumas linhas a um grande amigo: ele é fiel, pois podemos confiar nas palavras que nos transmite, é estável, visto que constante, as novidades não o assustam, ao contrário, ele acaba por aceitá-las, e ainda é muito prestativo, já que ele tem o hábito de nos ajudar; falamos de quem gostamos muito, o dicionário! Um dicionário é uma obra de referência que contém um conjunto de palavras de uma língua ou de um campo do conhecimento, palavras essas apresentadas em ordem alfabética e fornecedoras de uma definição, ou explicação, ou correspondência, tais como sinônimo, antônimo, etimologia. Há dicionários unilíngues, bilíngues e até portadores de palavras em diversas línguas, da mesma maneira que há obras dedicadas a temas especiais, como os dicionários jurídicos, ou do comercio, da geografia, e assim  por diante; ainda há os dicionários que explicam as coisas, os fenômenos, sendo conhecidos como enciclopédias… Continue a ler »Um grande amigo!