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Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias

Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias  Júlio Verne é um escritor francês que viveu de 1828 a 1905, reconhecido mundialmente como um dos maiores autores de romances de aventuras, carregados de emoções, mas também repletos de ensinamentos decorrentes dos progressos científicos que prosperavam no século XIX. Desde jovem, Júlio Verne escrevia romances e peças de teatro, mas foram seus relatos aventureiros que o alçaram ao sucesso, inclusive no exterior, em vários países e não só europeus. Em 1863, ele publica “Cinco semanas em um balão”, texto inédito em termos literários tanto para a leitura de jovens como para adultos. A partir de seu romance “Aventuras do Capitão Hatteras”, de 1866, suas obras passam a ser editadas em uma coletânea chamada “Viagens extraordinárias”, as quais reúnem sessenta e dois romances e dezoito contos, às vezes publicados em folhetins – ou capítulos – na “Revista de educação e… Continue a ler »Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias

“Os Ratos”, de Dyonélio Machado

“Os Ratos”, de Dyonélio Machado   Hoje, vamos falar de um livro que, apesar de pouco comentado, tornou- se uma das obras mais importantes da literatura brasileira moderna, além de ter sido homenageado com o prestigioso prêmio Machado de Assis. Trata-se de “Os Ratos”, publicado em 1935 por seu autor, Dyonélio Machado, nascido em nosso estado, na cidade de Quaraí, em 1895, e formado médico psiquiatra pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre.  A capital é adotada pelo autor, aqui é sua morada e local de trabalho durante toda sua existência, até 1985, e é nessa cidade que ocorre a ação do romance. Nele, utiliza-se uma linguagem simples e  direta, poder-se-ia dizer, econômica, onde nem o sentimentalismo nem o entusiasmo estão presentes, mas sim a preocupação e a ansiedade do protagonista, Naziazeno, em obter os 53 mil réis que lhe faltam para quitar a dívida com o leiteiro que entrega… Continue a ler »“Os Ratos”, de Dyonélio Machado

Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas

Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas   Poesia, em grego antigo, é “poiein”, significa fazer, fabricar, construir: é um verbo, portanto; e verbo quer dizer a palavra que indica ação, situação ou mudança de estado; ela é elemento fundamental na expressão de um pensamento, na confecção de um diálogo. Nossa comunicação faz-se com palavras, com verbos, a partir dessa construção de ideias à qual chamamos, inicialmente, “poesia”. Já a palavra verso, por sua vez, expressa a linha de escrita ou ainda “virar” ou “dobrar”; mas por quê? Porque esta é uma metáfora que nos remete ao latim como idioma de agricultores: a comparação é com o ato de trabalhar a terra, quando o boi que puxa o arado completa um sulco e vira em sentido oposto para fazer outro paralelo a ele. Note-se que, em época do grego e do latim clássicos, escrevia-se até o fim da linha e… Continue a ler »Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas

Akira Kurosawa, 1910 – 1998

Akira Kurosawa, 1910 – 1998   Akira Kurosawa nasceu em Tóquio, em 1910, e morreu na mesma capital, em 1998. Ele é um diretor de cinema ou realizador, produtor, roteirista e montador, quer dizer, ele faz a montagem das cenas dos filmes. É considerado como um dos cineastas mais célebres e influentes da história da indústria cinematográfica mundial; sua técnica e genialidade artística são reconhecidas tanto no Oriente como no Ocidente; em cinquenta e sete anos de carreira, ente 1936 e 1993, ele realiza mais de trinta películas. Começa em 1936, como assistente de direção e roteirista, isto é, ele escreve o que será filmado. Em 1943, em plena Segunda Guerra mundial, ele realiza seu primeiro filme, “A lenda do grande judô”; daí em diante, destacamos somente algumas de suas obras mais marcantes. Em 1950, dirige “Rashomon”, filme onde quatro pessoas apresentam versões diferentes do mesmo fato: a história desenrola-se… Continue a ler »Akira Kurosawa, 1910 – 1998

Onde fica a casa de meu amigo? Abbas Kiarostami, 1940-2016

Onde fica a casa de meu amigo?  Abbas Kiarostami, 1940-2016   Abbas Kiarostami é um cineasta, roteirista e produtor de cinema iraniano, nasceu em Teerã, em 1940, e morreu em Paris, em 2016. Antes de tornar-se diretor ou realizador de filmes, ele começa sua carreira cinematográfica produzindo desenhos animados, suportes publicitários e os créditos de personagens e atores; sua capacidade técnica também foi exercida sendo editor de filmes e diretor artístico, e seu talento ainda alcançou a poesia, a fotografia, a pintura e a ilustração através de desenhos gráficos. No mundo do cinema, desde 1970, ele realiza mais de quarenta filmes, alguns documentários e outros curtas-metragens; recebeu aproximadamente um cento de honrarias vindas de Festivais internacionais de cinema como também de Universidades na Europa e nos Estados Unidos, e por sua vez, presidiu cerca de vinte júris, como os de Cannes e Veneza. Sua trajetória inicia com filmes pedagógicos realizados… Continue a ler »Onde fica a casa de meu amigo? Abbas Kiarostami, 1940-2016

Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940 – A Floresta dos Paradoxos

Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940  A Floresta dos Paradoxos    Jean-Marie Gustave Le Clézio nasceu em Nice, sul de França, mas desde muito jovem mudou-se com sua família para as Ilhas Maurício, a leste da costa africana, e antiga colônia holandesa do século XVII, depois reivindicada como propriedade francesa, no decorrer do século XVIII, e ainda transformada em território inglês no século XIX para, finalmente, tornar-se independente a partir de 1968. A área do país é de somente 2.040 km², a capital e maior cidade é Port Louis, e a nação participa da Commonwealth, da Francofonia e da União Africana, sendo a língua inglesa a primeira língua a ser usada em suas relações internacionais, e o francês é a segunda, falada por boa pare de sua população, sem contar com o idioma nativo. Oficialmente, o país chama-se Ilha Maurício ou República da Maurícia, sendo sua população de um milhão e… Continue a ler »Jean-Marie Gustave Le Clézio, 1940 – A Floresta dos Paradoxos

Érico Veríssimo, 1905 – 1975

Érico Veríssimo, 1905 – 1975 Escrever sobre Érico Veríssimo é quase como falar sobre um senhor vizinho nosso, com expressão reflexiva e tranquila. Quase é possível ainda encontrar-se com ele, ao sair da rua Sofia Veloso e chegar à avenida Osvaldo Aranha, porque na calçada oposta ao colégio estadual Instituto de Educação, lá está “seu” Érico praticando sua caminhada diária, vindo de sua casa no alto Petrópolis e para lá voltando, sempre a pé. Para mim, tal proximidade frequente não retira dele sua grandeza literária. Érico Veríssimo foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX e destaca- se como um dos mais importantes romancistas da literatura nacional, tendo sido, também, tradutor de obras importantes escritas originalmente em inglês e em francês. Seu texto é o de um autor da chamada geração de 1930, isto é, caracteriza-se pela linguagem sóbria e pela realização de obra de caráter inovador, tendo… Continue a ler »Érico Veríssimo, 1905 – 1975

Edgar Morin, 1921 – Terra-Pátria

Edgar Morin, 1921 Terra-Pátria Edgar Morin nasce em Paris, em 1921, é quase centenário, portanto, e seu pensamento mantém-se lúcido e seu espírito continua brilhante, felizmente. Considerado por muitos como um dos maiores pensadores vivos do Ocidente, ele permanece uma pessoa acessível e mantém o prazer e a alegria de expor suas ideias. Morin é filósofo, sociólogo e antropólogo, formado em Direito, História e Geografia; possui uma extensa obra publicada, perfazendo mais de um cento, sejam livros ou cursos, palestras, ainda entrevistas presenciais, quando era possível e, atualmente, via Internet; trata-se de um pensador da “complexidade”, cuja definição parte dele mesmo, qualificando-se como um “construtivista” e precisando: “eu falo da colaboração do mundo exterior e de nosso espirito, para construir a realidade”. Um dos setores de maior influência exercida por Edgar Morin, é, sem dúvida, a educação; segundo ele, o ensino deve ser um despertar para a filosofia, para a… Continue a ler »Edgar Morin, 1921 – Terra-Pátria

Aleph, a esfera que tudo reflete – Jorge Luis Borges, 1899 – 1986

Aleph, a esfera que tudo reflete  Jorge Luis Borges, 1899 – 1986 Jorge Luis Borges, escritor argentino, nasceu em Buenos Aires, em agosto de 1899 e morreu em Genebra, Suíça, em junho de 1986. Foi autor de contos, mas também foi ensaísta, poeta e tradutor, além de ter sido igualmente uma figura-chave tanto para a literatura em língua espanhola, como para a literatura universal. Seus dois livros mais difundidos são “Ficções”, uma coletânea de contos, publicada pela primeira vez em 1944,  e “O Aleph”, impresso em 1949, também um conjunto de relatos breves. Essas duas obras conectam-se através de seus temas comuns, como os sonhos, os labirintos, a filosofia, as bibliotecas, os espelhos, autores fictícios, a mitologia europeia, sobretudo a clássica e a anglo-saxã, e ainda as histórias de heróis populares, mesclando a realidade com a fantasia e os feitos com a ficção; como consequência, esses livros contribuíram muito para… Continue a ler »Aleph, a esfera que tudo reflete – Jorge Luis Borges, 1899 – 1986

“Contos exemplares” (1616) – Miguel de Cervantes (1547-1616)

“Contos exemplares” (1616) Miguel de Cervantes (1547-1616) Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em Alcalá de Henares, cidade que se localiza nos arredores da capital espanhola, Madrid, e a data de seu nascimento não é certa, mas provavelmente tenha sido em 29 de setembro de 1547; ele morreu em Madrid, em 22 de abril de 1616, e atualmente, seus restos encontram-se em um monumento erigido em sua honra, na igreja de Santo Ildefonso do convento das Trinitárias. Cervantes foi romancista, poeta, dramaturgo e, quando jovem, foi soldado do rei Carlos I de Espanha, na batalha naval de Lepanto, na Grécia, no ano de 1571. A chamada Liga Santa, da qual Espanha participa, sai plenamente vitoriosa desse episódio contra o Império Otomano, e dele Miguel de Cervantes resultou ferido, perdeu a mobilidade da mão esquerda, o que lhe valeu o apelido de “o manco de Lepanto”. Esse fato será retomado pelo autor,… Continue a ler »“Contos exemplares” (1616) – Miguel de Cervantes (1547-1616)