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Tamara Kamenszain

 

Nossa autora chama-se Tamara Kamenszain, ela nasceu em 1947, em fevereiro de Buenos Aires, e morreu em seu país, em julho de 2021. Tamata foi uma poetisa e ensaísta; ela estudou e formo-se em filosofia na Universidade de Buenos Aires, e desde jovem trabalhou no jornalismo antes de se dedicar ao ensino da literatura. Seus ensaios sobre poesia argentina e latino-americana são estudados em universidades na Argentina e no exterior; seus livros de poesia foram traduzidos, integral ou parcialmente, para diversos idiomas, e ela é considerada uma das vozes que influenciaram novas gerações de poetas. Igualmente, ela foi a fundadora e orientadora geral do programa de Bacharelado em Escrita Criativa da Universidade Nacional das Artes. Entre 1978 e 1985, devido à situação na Argentona, a autora e familiares foram exilados no México, o que provocaou grande influência em sua escrita.

Recebeu, entre outros títulos importantes, o Prêmio à Trajetória Rosa de Cobre (Biblioteca Nacional da Argentina, 2014), o Prêmio da Crítica (Feira do Livro de Buenos Aires, 2013), o Primeiro Prêmio de Poesia Latino-Americana (Festival da Lira do Equador, 2011), o Prêmio Konex de Poesia (2004 e 2014) e a Medalha de Honra Pablo Neruda do Governo do Chile (2004).

Sua obra recebeu mais de um terço de bonificação, desde o chamado “Prêmio de Apoio à Produção Poética”, em 1972, até o “Prêmio Honorífico das Américas”, em 2015. Quanto a seu trabalho poético, este se fez desde inicialmente, “Deste lado do Meridiano, em 1973, até o final, “Garotas em Tempos de Suspensão”, em 2021. A autora também produziu ensaios diversos, desde textos datados de 1983, até 2020. Suas epístolas foram traduzidas como Correspondências desde 1984 até 1997. Seus livros foram traduzidos total ou parcialmente para inglês, francês, italiano, português e alemão. Também – e finalmente – doze artigoa mundiais foram espostos sobre a autora Kamenszain.  

Muito crítica, principalmente em relação às condições das mulheres na sociedade, usou da linguagem poética para expressar as desigualdades que vivia, inclusive no meio literário. Constantemente, Tamara Kamenszains diferencia os termos “poeta” e “poetisa”, como formas preconceituosas, camufladas pelo machismo estrutural.

Passamos a aproveitar da poesia de nossa autora. Primeiro : “Poetisa é uma palavra doce / que deixamos de lado porque nos dava vergonha / e no entanto e no entanto / agora volta em um lenço / que nossas antepassadas amarraram / na garganta de suas líricas roucas. / Se ele me telefonar diga que saí / Alfonsina pedira enquanto se suicidava / e isso nos deu medo. / Melhor poeta do que poetisas / ficamos combinadas então / para garantirmos um lugarzinho que seja / nos cobiçados submundos do cânone. / E no entanto no entanto / outra vez ficamos de fora: / não sabíamos que os poetas / gostam de se tornar vates / já para nós garotas em linguagem inclusiva / a palavra vata não bate / porque nós mulheres não escrevemos / para convencer ninguém. / Por isso a poetisa que todas carregamos dentro / busca sair do armário agora mesmo / para um destino novo que já estava escrito / e que à beira de sua própria história revisitada / nunca cansou de esperar por nós.”

Segundo : “Minha mãe também preferia / ser chamada pelo sobrenome / dizia que no seu trabalho tinha que se mostrar dura / para poder lidar com os homens. / Por isso ela com sua dureza performática / – tailleur, cigarro, uísque ao voltar do trabalho – / me lembra um pouco Juana Bignozzi. / Especialista em lidar com os vates / a poetisa boa de briga / os enfrentava quando ainda ninguém / tivera coragem de fazer isso. / Jogava neles versos de comadre como estes: / “Não estou falando da solidão da alma / essas são coisas de poeta / solidão para mim / é jantar sozinha na minha cidade”. / Ou estes outros em que a rima é uma brincadeira: / “enquanto meus colegas escrevem os grandes versos da poesia argentina / eu fervo vagem na cozinha”. / Juana de fato teria gostado / de ser confundida com mais uma / das garotas de lenço verde / nessa Praça de avós militantes / pela qual ela teria avançado / exibindo um cartaz que dissesse / “ninguém sabe que uma mulher que entrou na velhice / voltar a sentir”.”

Terceiro : “A palavra feminicídio / não estava entre nós / a palavra muso / não estava entre nós / a palavra vata / não é pra nós. / Mas a palavra poetisa sim / embora nos envergonhasse. / Eu  não sou poetisa sou poeta / disse a mim mesma e mil vezes / aos vinte anos / não sou Tamara sou Kamenszain / me queixei sempre que alguém por escrito / aludia à minha obra me chamando pelo nome. / Quando as poetisas uruguaias já eram / puro nome / quando na Argentina não havia divórcio / quando na Argentina ainda nem há aborto legal / o Uruguai pequeno paraíso vintage / continua saindo na frente de nós / porque as poetisas com nome são / jovens velhas que se lidas de novo / piscarão o olho mais atual / para que a poesia de amor / renasça como renasce / em uns versos de Cecília Pavón que dizem: / “quando estou no ônibus, ex-namorado, / como é lindo lembrar de você”. / Alfonsina fez o seu virar ex / em uma operação tão coloquial / que antecipou Pavón enquanto escandalizava / a sobriedade borgiana: / “se ele me telefonar novamente / diga que não insista, que sai” / escreveu com um pé no mar / porque ao que parece o que começa como poesia / está destinado a terminar como romance.”

 

Belas frases estas que a nós nos foram ofertas pela poeta Kamenszain ! Aproveitem e até a próxima!

 

 

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