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Um grande amigo!

Hoje, dedicamos algumas linhas a um grande amigo: ele é fiel, pois podemos confiar nas palavras que nos transmite, é estável, visto que constante, as novidades não o assustam, ao contrário, ele acaba por aceitá-las, e ainda é muito prestativo, já que ele tem o hábito de nos ajudar; falamos de quem gostamos muito, o dicionário! Um dicionário é uma obra de referência que contém um conjunto de palavras de uma língua ou de um campo do conhecimento, palavras essas apresentadas em ordem alfabética e fornecedoras de uma definição, ou explicação, ou correspondência, tais como sinônimo, antônimo, etimologia. Há dicionários unilíngues, bilíngues e até portadores de palavras em diversas línguas, da mesma maneira que há obras dedicadas a temas especiais, como os dicionários jurídicos, ou do comercio, da geografia, e assim  por diante; ainda há os dicionários que explicam as coisas, os fenômenos, sendo conhecidos como enciclopédias ou dicionários enciclopédicos, os quais reúnem conhecimentos para edificar o saber e a educação, na preservação da memória cultural. A origem da palavra “dicionário” vem do latim “dictio” (“o que é dito”), passa ao latim medieval de cerca do século XIII, como “ação de dizer,  modo de falar, palavras”. Finalmente, chegamos à etimologia ou à base de um dicionário, a saber, as palavras que nele constam como signos gráficos; para nós, seres racionais, as palavras são importantes poque elas contêm a capacidade de exprimir nossas ideias e nossas emoções; e quanto mais apegamo-nos a elas, mais autênticos procuramos ser, na medida em que a palavra “etimologia” tem como base o adjetivo grego “étumos”, o qual significa ‘certo’, ‘verdadeiro’. A primeira vez que se utilizou o termo “dicionário”, foi em 1220, quando o gramático ou ‘conhecedor das letras’, o inglês Jean de Garlande, apresentou seu ‘Dictionarius’. A Antiguidade, ou seja, o período histórico entre os séculos IV a.C. e V d.C., não teve dicionários no sentido próprio; os que conhecemos como tais datam do século XVII. Podemos, entretanto, falar de listas de palavras ou glossários, e a primeira a aparecer foi na Suméria, antiga região localizada no sudeste do atual Iraque; já no século II a.C., no Egito, também surgem essas listas de palavras organizadas, então, de maneira temática. Na Grécia antiga, encontram-se compilações de palavras destinadas ao ensino, alunos e professores, e ao público letrado, sendo também profusos os glossários temáticos. Já na era cristã, sábios gregos desempenham um papel importante na evolução do dicionário, graças a seus estudos lexicográficos. Os romanos também mostram um vivo interesse pela linguagem, sobretudo no intuito de elaboração dos “codex” ou glossários de termos jurídicos, próprios à jurisprudência utilizada em toda extensão de suas conquistas territoriais. No mundo árabe, entre os séculos VIII e XV, diversos dicionários são escritos, os quais continham, além de palavras, citações, poesias e provérbios. Quanto à China, o primeiro dicionário aparece no século III d.C. Já na Índia, o primeiro léxico ou glossário surge no século IV d.C.  Na Idade Média europeia, entre os séculos V e XV, divulgam-se muitos estudos sobre a etimologia das palavras, e destaca-se a obra do supra citado Jean de Garlande, o qual redige seu “Dictionarius”, sendo o mais remoto emprego desse nome, constituindo-se, assim, no ancestral de nosso “dicionário”. Ainda não é na Renascença que surge o “dicionário” atual, considerando-se que esse período transcorre de 1300 a 1600. É somente em 1611 que, finalmente, surge a primeira obra totalmente consagrada à língua viva de seu tempo, intitulada “Tesouro da língua castelhana ou  espanhola”, do autor Covarrubias; esse dicionário propõe “entradas” ou palavras que servem de índice para cada artigo, como as conhecemos hoje, e definições para todas as palavras. No século XVIII, a reflexão sobre a linguagem se torna mais complexa, os neologismos são aceitos nos dicionários, assim como as exigências de correção linguística. Na Europa, fulcro do conhecimento refinado do mundo ocidental de então, qualifica-se o século XIX como o “século dos dicionários”, e a boa novidade é que muitos deles dão lugar ao léxico científico, assim como à ampliação dos significados das palavras e proporcionam a abertura à produção literária da época. O século XX apresenta vários dicionários que oferecem ao estudioso ou ao leitor dados etimológicos aprofundados, exemplos de emprego diversos das palavras, e uma dimensão quase enciclopédica através de ilustrações. E, finalmente, em nosso século XXI, com o desenvolvimento da ‘web”, os dicionários estão à disposição “online” ou na “internet”, sua utilidade e praticidade são evidentes, e isso também porque seus conteúdos são atualizados regularmente. No Brasil, hoje, possuímos dicionários muito bons e modernos, os quais nos oferecem opções variadas das palavras e exemplos úteis de construção de períodos, além da conjugação de verbos e de ensinamentos gramaticais. Assim, concluímos nosso reconhecimento ao querido amigo, agradecendo por sua assistência incansável em nossa formação intelectual e em nosso crescimento humano!

 

 

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