Literatura

Manuel Bandeira, 1886-1968 – O brilho da estrela

Manuel Bandeira, 1886-1968  O brilho da estrela   Manuel Bandeira é um poeta brasileiro nascido em Recife, além de ser professor de literatura e crítico literário e de arte, e também tradutor. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 1940. Tornou-se conhecido pelo ambiente cultural do país como um dos autores da geração de 1922, participando da instauração da Semana de Arte moderna, em São Paulo, quando o primeiro poema a ser lido foi o seu, intitulado “Os Sapos”. Quem eram esses “sapos”? Para o autor desabusado, eles representavam os poetas tradicionais  – os parnasianos – o que, evidentemente, desagradou à elite literária arraigada aos padrões habituais; entretanto, posteriormente, o poema converte-se em um clássico da poesia moderna brasileira, citado em todos os livros didáticos sobre Literatura Brasileira do século XX, e muito contribui para delimitar o fim de uma época cultural. O poeta é eclético e aborda… Continue a ler »Manuel Bandeira, 1886-1968 – O brilho da estrela

A cartomante de Machado de Assis

A cartomante de Machado de Assis   Nosso autor de hoje – e de sempre – Joaquim Maria Machado de Assis, como sabemos, nasceu no Rio de Janeiro, em 1839 e morreu na mesma cidade, em 1908; ele viveu e escreveu sua obra nesse ambiente da sede política brasileira, testemunhou a abolição da escravatura e a mudança política no país, quando a República substituiu o Império, além das mais diversas reviravoltas pelo mundo em finais do século XIX e início do XX; escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário, tendo sido sempre um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época. Ousamos dizer que o autor ultrapassou toda e qualquer época poque ele aprofundou de tal forma seu conhecimento da trama social e sua percepção da chamada “alma humana”, que seu texto torna-se atemporal e universal. É… Continue a ler »A cartomante de Machado de Assis

José de Alencar, autor de nossa nacionalidade

José de Alencar, autor de nossa nacionalidade   José de Alencar nasceu no Ceará, em 1829 e morreu no Rio de Janeiro, em 1877; foi escritor e homem político, e é notável como escritor por ter sido o iniciador do romance brasileiro de temática nacional. Suas obras principais nesse sentido são, cronologicamente, “O Guarani”, publicado primeiro como folhetim, em 1857, a seguir, “Iracema”, escrito em 1865, e finalmente “Ubirajara”, editado em 1874. O autor foi patrono da cadeira fundada por Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras, e na carreia política, foi notória sua tenaz defesa contra a escravidão no Brasil, quando ministro da Justiça do Segundo Império, o de D. Pedro II. Em 1859, tornou-se chefe da Secretaria do Ministério da Justiça, sendo depois consultor do mesmo; em 1860, ingressou na política, como deputado provincial no Ceará, sempre militando pelo Partido Conservador, Brasil Império; em 1868, tornou-se ministro… Continue a ler »José de Alencar, autor de nossa nacionalidade

Madame Bovary de Flaubert

Madame Bovary de Flaubert   Madame Bovary é de Flaubert, ou ainda, Flaubert é de Madame Bovary, pois o próprio autor diz, em determinado momento de sua correspondência com uma amiga, que “Madame Bovary sou eu”. Coisa estranha e até perigosa de se afirmar, na época em que o romance foi publicado, em 1857.  Passamos a explicar a situação, calmamente, como deve ser. O romance “Madame Bovary, Costumes provinciais” – é este o título e subtítulo do romance – no mesmo ano de sua publicação, provoca contra seu autor a acusação de “ofensa à moral pública”; como sabemos, tal publicidade de alguma situação mais audaciosa foi efetiva no sucesso imediato do romance, com uma tiragem de vinte mil exemplares – inédita, para a época – e rapidamente esgotada. Continua, até hoje, sendo o romance mais lido da literatura francesa e um dos mais bem sucedidos em inúmeros países. É considerado… Continue a ler »Madame Bovary de Flaubert

“Teoria do medalhão” (1881), diálogo de Machado de Assis (1839-1908)  

“Teoria do medalhão” (1881), diálogo de Machado de Assis (1839-1908)   Todos sabemos que Machado de Assis é considerado um dos maiores ou, sem desprezo aos outros, o mais importante autor da literatura brasileira. Escreveu obras dos mais variados gêneros, foi romancista, poeta, cronista, dramaturgo, jornalista, crítico literário, até análise de um problema enxadrístico, o primeiro a ser publicado no país, deve-se a ele, que também era um excelente enxadrista. Há, ainda, um gênero em que talvez a genialidade de Machado destaque-se em toda sua exuberância; refiro-me ao conto. Apesar de essa excelência ter sido sempre apresentada pelo autor da maneira mais discreta possível – aparente paradoxo de seu estilo, trilhado permanentemente sobre traços de ironia, pois bem, em língua portuguesa não há textos que se sobreponham aos contos machadianos. Difícil torna-se escolher um entre eles, ainda assim, opto pelo diálogo de um pai com seu filho, intitulado “Teoria do… Continue a ler »“Teoria do medalhão” (1881), diálogo de Machado de Assis (1839-1908)  

Ferreira Gullar – 1930-2016 – A vida inventada – Poema Sujo

Ferreira Gullar, 1930-2016 – A vida inventada Poema Sujo   Ferreira Gullar, nosso autor de hoje – e de sempre – nasceu em São Luís do Maranhão, e na vida real chama-se José Ribamar Ferreira; ele explica o codinome pelo qual é conhecido tanto no país como no exterior: “Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é, pois, um nome inventado; como a vida é inventada, eu inventei o meu nome”. Iniciamos exatamente com esse agnome criado pelo próprio autor, o qual explica bem sua poesia; afinal,… Continue a ler »Ferreira Gullar – 1930-2016 – A vida inventada – Poema Sujo

Castro Alves, 1847-1871 – O Navio Negreiro, 1868 – “Era um sonho dantesco!…”

Castro Alves, 1847-1871 – O Navio Negreiro, 1868  “Era um sonho dantesco!…”   Nosso “poeta dos escravos” e “poeta republicano”, Castro Alves, nasceu no interior da Bahia, seus primeiros estudos foram orientados por educadores particulares e em 1858, a partir dos dez anos de idade, junto aos irmãos, frequentou o “Ginásio Baiano”, este dirigido por um renomado professor da época; ali encontra um ambiente cultural fértil, com os habituais saraus, então em moda, festas de arte, música, poesia, declamação de versos e discursos; tal ambiente fez com que revelasse precocemente seu talento: suas primeiras composições foram realizadas antes dos treze anos e, de fato, as datas de seus versos iniciais vão de 1859 a 1861. Começou sua produção maior aos dezesseis anos de idade, e seus versos de “Os Escravos” foram iniciados aos dezessete, com ampla divulgação através de recitais do poema e também via a imprensa do país, o… Continue a ler »Castro Alves, 1847-1871 – O Navio Negreiro, 1868 – “Era um sonho dantesco!…”

O Auto da Barca do Inferno, 1517 – Gil Vicente, 1465-1536

O Auto da Barca do Inferno, 1517  Gil Vicente, 1465-1536   O “Auto da Barca do Inferno” é uma obra literária portuguesa do início do século XVI e seu autor é Gil Vicente, cujas datas de nascimento e de falecimento são aproximativas, o que não lhe subtrai em nada a importância de ser considerado o primeiro grande dramaturgo português e poeta de renome. Além de ter sido autor e, eventualmente, ator teatral, também desempenhava as tarefas de músico e encenador de suas peças. É considerado o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico, já que também escreveu em castelhano. Desempenhou, igualmente, a tarefa de mestre de Retórica do rei Dom Manuel I. A obra vicentina reflete a mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, na medida em que erige um verdadeiro inventário de um época em que as hierarquias e a ordem social foram regidas… Continue a ler »O Auto da Barca do Inferno, 1517 – Gil Vicente, 1465-1536

Mario Vargas Llosa, 1936 – “Pantaleão e as Visitadoras”, 1973

Mario Vargas Llosa, 1936 “Pantaleão e as Visitadoras”, 1973   Jorge Mario Vagas Llosa, mais conhecido como Mario Vargas Llosa, é um escritor sul-americano que nasceu em Arequipa, no sudoeste do Peru, sendo esta a segunda cidade mais populosa do país. Além de peruano, ele conta também com a nacionalidade espanhola, desde 1993, e mais tarde, em 2011, foi-lhe concedido o título de marquês, pelo então rei João Carlos I. Vargas Llosa é considerado um dos mais importantes romancistas e ensaístas contemporâneos, suas obras são acolhidas mundialmente com premiações como o Prêmio Nobel de Literatura, em 2010, e ainda o Prêmio Cervantes, o mais destacado em língua espanhola, outorgado pela Academia Real de Espanha, em 1994, dentre outras. O autor começa a publicar seus textos a partir do início dos anos sessenta e, desde então, já conta com mais de cem obras editadas, tendo escrito romances, contos, ensaios, artigos de… Continue a ler »Mario Vargas Llosa, 1936 – “Pantaleão e as Visitadoras”, 1973

O Vermelho e o Negro, 1830 – Stendhal, 1783 – 1842

O Vermelho e o Negro, 1830 Stendhal, 1783 – 1842   Henri Beyle, mais conhecido por seu pseudônimo Stendhal, é um escritor francês reconhecido particularmente por seu romance “O Vermelho e o Negro”, publicado em 1830. Outras obras também participam do renome do autor, tais como “A cartuxa de Parma”, em duas edições, uma de 1839 e outra, refeita em 1841, e cuja história inicia em 1796, quando da chegada do exército de Napoleão em Milão, o que desperta o sentimento de heroísmo e de mudança nos jovens da região, opostos ao continuísmo e ao colaboracionismo com a dominação do império austríaco. Pois bem, voltemos ao ”Vermelho e o Negro”: sendo esta  considerada a obra-prima de Stendhal, para muitos analistas, ela é primordialmente um livro político, enquanto para outros, trata-se de uma construção romântica, e ainda alguns o elogiam como uma profunda análise psicossocial de sua época. Quanto ao título,… Continue a ler »O Vermelho e o Negro, 1830 – Stendhal, 1783 – 1842