Literatura

“Ser homem é precisamente ser responsável” – Antoine de Saint-Exupéry

“Ser homem é precisamente ser responsável” Antoine de Saint-Exupéry   Este comprometimento humanista é o que nos ensina o escritor, poeta, aviador e repórter chamado Antoine de Saint-Exupéry, o qual nasceu em 1900, em Lyon, no sudeste de França, e desapareceu na costa de Marselha, ao sul, no ano de 1944, em serviço de reconhecimento aéreo para seu país em guerra. O autor nasce em uma família da nobreza, passa uma infância feliz, é educado em colégios jesuítas, e desde muito jovem demonstra tendência às aventuras e à composição de textos. Logo após a conclusão do ensino médio, aos dezessete anos de idade, ele pensa no concurso para a Escola Naval, mas não é bem-sucedido, o que o faz orientar-se para o curso de Arquitetura. A seguir, esta tendência é interrompida quando seu serviço militar possibilita que ele se torne piloto; assim, Saint-Exupéry engaja-se como piloto de guerra, em 1922.… Continue a ler »“Ser homem é precisamente ser responsável” – Antoine de Saint-Exupéry

Nosso hospício do Bacamarte

Nosso hospício do Bacamarte   Joaquim Maria Machado de Assis, considerado por muitos especialistas como o maior nome da literatura brasileira e um dos mais respeitáveis autores da língua portuguesa, apresenta-nos um conto – dentre seus múltiplos – o qual nos faz mergulhar em um tema de abusos políticos e de interesses pessoais; imaginem só se tal situação é viável! Sim, com efeito, o autor do século XIX – ele viveu entre 1893 e 1904 – conta-nos a história do Dr. Bacamarte (somente seu nome já é um excesso, considerando-se que ele significa uma antiga arma de fogo de cano largo, ou ainda uma pessoa gorda e inepta, e cujo sentido é sempre pejorativo). Pois bem, continuando, ou melhor, começando nossa trama, o texto leva por título “O Alienista” e foi publicado em 1882, quando aparece incorporado à coletânea de contos “Papéis Avulsos”. Destacamos que, à época, alienista era o nome… Continue a ler »Nosso hospício do Bacamarte

Qual é o seu nome?

Qual é o seu nome?   Quem nos pousa esta questão é, nada mais nada menos que o Sr. José, funcionário da Conservatória Geral do Registro Civil: e atentem que somente ele possui a chave de todos os nossos nomes, e que igualmente só ele tem um nome de batismo! Por outro lado, nós não sabemos mais como nós chamamos; existimos, mas não somos ninguém, em outras palavras, tudo o que fazemos é inútil, sobrevivemos, mas sem qualquer significado! Esta é a chave do romance de José Saramago intitulado “Todos os nomes”: creio que o único prenome do livro acaba sendo um ardil do autor para com seus leitores, para que estes busquem compreender o trabalho do empregado e que, finalmente, as pessoas consigam fazer jus a seus nomes. Daqui em diante, vamos expor nosso texto de maneira mais linear; primeiramente, sobre nosso autor: José Saramago é um escritor português,… Continue a ler »Qual é o seu nome?

O que nos ensinam as fábulas?  

O que nos ensinam as fábulas?   Uma fábula é uma história alegórica de onde se retira um ensinamento moral. Muitos desses textos vêm dos relatos mitológicos da Antiguidade, isto quer dizer, desde tempos imemoriais até a queda do Império romano do Ocidente, no século V de nossa era, quando muitos autores se dedicam a produzir obras do gênero. A alegoria que está na base da fábula corresponde ao modo de expressão ou à interpretação dos pensamentos, das ideias figuradas que não existem na realidade e, assim sendo, um mito não deixa de ser uma “mentira” – bem-intencionada, é óbvio – que queremos utilizar em uma fantasia, para criar uma coisa fabulosa e, em geral, através de versos ou prosas muito bem elaborados. As fábulas podem ensinar-nos um preceito moral, além de nos ensinarem como escrever bem. Ressaltamos que a intenção dos fabulistas foi sempre a melhor, foi a de… Continue a ler »O que nos ensinam as fábulas?  

Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888

Eça de Queiroz, 1845 – 1900  Os Maias, 1888   Eça de Queiroz é um escritor, romancista, contista, poeta, advogado e diplomata português; nasceu em uma pequena cidade no Norte de Portugal e morreu na França, em sua casa, na região parisiense. Após concluir os estudos na província natal, ingressou na Universidade de Coimbra, onde formou-se em Direito, e começou a publicar seus primeiros trabalhos como escritor na revista “Gazeta de Portugal”. Posteriormente à formatura, mudou-se para Lisboa, onde trabalhou como advogado e jornalista. Iniciou a carreira diplomática em 1870 e trabalhou em diversas cidades, até se mudar para Paris e casar-se. Os anos mais produtivos de sua carreira literária vão de 1874 a 1878, quando trabalhou na Inglaterra como diplomata. Com grande senso de observação, Eça de Queirós desmistificou a hipocrisia e o falso moralismo dos costumes sociais. Optando por utilizar a linguagem corrente de Lisboa, Eça renovou a… Continue a ler »Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888

“Auto da Compadecida”, 1955 – Ariano Suassuna, 1927-2014

“Auto da Compadecida”, 1955  Ariano Suassuna, 1927-2014   Ariano Suassuna é um dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta, professor, advogado e palestrante brasileiro. Ele é autor de mais de trinta obras consideradas insignes, entre as quais destacam-se duas como magna opera: o “Auto da Compadecida” e o romance intitulado “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, este editado em 1971. No texto de hoje, destacamos a chamada obra-prima do autor, a peça teatral “Auto da Compadecida”, a qual foi encenada pela primeira vez em 1956, no Teatro Santa Isabel, em Recife. Trata-se de uma peça dividida em três atos e que tem como pano de fundo o sertão nordestino; além disso, ressaltamos que o “auto” literário surgiu na Espanha, no século XII, expandiu-se em Portugal, no século XVI, e cujas características são a linguagem popular, as tiradas cômicas e a intenção moralizadora; seus personagens, ou melhor, seus… Continue a ler »“Auto da Compadecida”, 1955 – Ariano Suassuna, 1927-2014

A Moratória, de Jorge Andrade

A Moratória, de Jorge Andrade   Jorge Andrade é considerado pelos especialistas literários como um dos dramaturgos brasileiros mais importantes do século XX, tendo em vista que ele realizou, no total de suas obras, um recorte temporal da História do Brasil que vai do século XVII ao XX, através de suas dezoito peças teatrais, sete novelas, dois filmes, duas novelas televisivas, um compêndio de literatura, e ainda – e principalmente – pela coletânea intitulada “Marta, a Árvore e o Relógio”, publicada em 1970. Jorge Andrade, paulista, nasceu no ano de 1922, morreu em 1984, e teve sua produção realizada entre as datas de 1951 até 1980. Entre suas obras de dramaturgia que mais se salientaram, temos “A moratória”, de 1954, “A escada”, 1960, “Os ossos do barão”, de 1962, e sendo que estas duas foram a seguir agrupadas em uma só produção televisiva, sob o título de “Os ossos do… Continue a ler »A Moratória, de Jorge Andrade

A causa secreta – Conto de Machado de Assis

A Causa Secreta Conto de Machado de Assis   Como sabemos, Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro, em 1839, e morreu em 1908, na mesma cidade, até então capital do Império e, à época de seu falecimento, já sede da República; isso significa que ele perpassou por várias etapas políticas e sociais de nossa pátria. Sabemos também que Machado é considerado um dos maiores nomes da cultura brasileira, importante autor de romances, atuando também como dramaturgo, poeta, crítico e jornalista, e sendo reconhecido internacionalmente. Trata-se de um autor de ímpar produção literária no terreno do conto, cotado, segundo alguns analistas, como um dos maiores contistas da literatura ocidental. Dentre seus duzentos contos, destacamos, hoje, “A causa secreta”, publicado pela primeira vez em 1885 e, posteriormente, em “Várias histórias”, de 1896; trata-se do tema de sadismo e, em parte, de “voyeurismo”. Muitos especialistas consideram esta obra um de seus… Continue a ler »A causa secreta – Conto de Machado de Assis

Seminário dos Ratos – “Que século, meu Deus!” – Lygia Fagundes Telles

Seminário dos Ratos – “Que século, meu Deus!” Lygia Fagundes Telles   Lygia Fagundes Telles é uma escritora brasileira, ela nasceu em 1918 e morreu recentemente, em início de abril de 2022; é reconhecida como a “dama da literatura brasileira” e “a maior escritora brasileira” enquanto viva, e ainda considerada por acadêmicos, críticos e leitores como uma das mais importantes e notáveis personalidades culturais brasileiras do século XX e da história literária de nosso país; além de romancista, foi advogada, teve grande representação no pós-modernismo, e suas obras retratavam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo e a loucura, além da fantasia. Na 17.ª edição do Prêmio Camões, ocorrida em 2005, sendo esta a maior láurea concedida a escritores de países que têm o português como a língua oficial, Lygia foi a vencedora. Ganhadora de todos os prêmios literários importantes do Brasil, homenageada nacional e internacionalmente, tornou-se, em 2016, quase centenária, a primeira mulher brasileira a… Continue a ler »Seminário dos Ratos – “Que século, meu Deus!” – Lygia Fagundes Telles

Mãe Coragem – Bertolt Brecht

Mãe Coragem – Bertolt Brecht   “Mãe Coragem” é o título de uma peça teatral escrita em doze quadros pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht, em 1939, representada pela primeira vez em 1941, e com o subtítulo de “Crônica da guerra de Trinta Anos”. Ela é uma das mais famosas peças do teatro de Brecht, um grande autor teatral alemão que viveu entre 1898 e 1956, e também uma das mais dramáticas e representativas de uma guerra. Se nos damos conta, percebemos que também estamos em uma época de conflito bélico, e por isso pensamos trabalhar um pouco sobre este texto e esta situação social da época em que vivemos. Primeiramente, cabe explicar o que foi a guerra de Trinta Anos: ela engloba uma série intermitente de conflitos armados, de batalhas entre países europeus, no período de 1618 a 1648, tendo como origem as desavenças entre protestantes e a hegemonia da… Continue a ler »Mãe Coragem – Bertolt Brecht