Teatro – Terceira parte: Teatro do absurdo – Rinocerite

Teatro – Terceira parte: Teatro do absurdo Rinocerite Essa palavra acima, “rinocerite”, não existe, na verdade, mas é ela que melhor exprime a situação que se instala e que contagia a todos em uma pequena e desconhecida cidade, em uma peça teatral chamada “Rinocerontes”, de Eugênio Ionesco. Essa obra teatral foi escrita em 1959 e encenada pela primeira vez na Alemanha e em seguida, em 1960, na França, além de ser o marco inicial do chamado “teatro do absurdo”. O teatro do absurdo é um estilo de teatro que aparece no século XX e que se opõe ao realismo, à época imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial, e o qual se caracteriza pela ruptura com os gêneros teatrais clássicos, como o drama ou a comédia, e ainda esse rompimento expressa-se na falta de continuidade ou de lógica aparente nas ações e falas, ou mesmo na ausência de diálogos entre seus… Continue a ler »Teatro – Terceira parte: Teatro do absurdo – Rinocerite

Teatro – Segunda parte – Molière: o Tartufo ou o Impostor

Teatro – Segunda parte Molière: o Tartufo ou o Impostor João Batista Poquelin nasceu em 1622, em Paris, e morreu em 1673, também em Paris. Esses dados não nos importariam nada se não fosse que, a partir de seus 21 anos de idade, João Batista se transformasse em Molière, o grande autor de comédias, de farsas e de comédias-balé, reconhecido mundialmente como um dos maiores dramaturgos da cultura ocidental, além de ter vários adjetivos derivados de seu nome artístico – como “molieresco” ou “o estilo de escrever ao modo de Molière” – e igualmente muitos termos criados por ele os quais entraram no vocabulário francês – como “tartufo” ou “hipócrita”. A obra de Molière, cerca de trinta comédias em versos ou em prosa, acompanhadas ou não de entradas de música e de balé, constitui um dos pilares do ensino literário francês; ela continua a obter um vivo sucesso na França… Continue a ler »Teatro – Segunda parte – Molière: o Tartufo ou o Impostor

Teatro – Primeira parte: Shakespeare, o Bardo inglês

Teatro – Primeira parte: Shakespeare, o Bardo inglês Segundo o grande escritor francês Victor Hugo (1802-1885), “o teatro é um ponto de vista da óptica, tudo deve e pode refletir-se ali”. Que bela definição, ao mesmo tempo concreta, já que “théatron” (em grego) ou “theatrum” (em latim) vem de olhar, colocar-se a uma certa distância para que se possa bem observar, e aí temos a mesma origem de ‘theoria’, aquilo que olhamos de longe, e também junta-se ali a possibilidade de tudo criar, de fazer acontecer qualquer coisa que nossa imaginação nos permita. Pois bem, em nossa fantasia, estamos no séc. XVI, nele permanecemos até o início do próximo, e nele encontramos a obra de um grande conhecedor da chamada “alma humana”, aquele que expôs implacavelmente sua trama de paixões, de intrigas, seus desejos obscuros e seus amores nem sempre realizados; falamos de William Shakespeare. O autor nasceu na região central… Continue a ler »Teatro – Primeira parte: Shakespeare, o Bardo inglês

Ópera – Terceira parte: Giuseppe Verdi

Ópera Terceira parte: Giuseppe Verdi               Em nossa coluna anterior, falamos de ópera e de dois de seus maiores compositores, Mozart e Beethoven, e ao final, declaramos nossa disposição de expor um pouco da obra de outro expoente musical, a saber, Giuseppe Verdi. Verdi nasceu em 1813, em Roncole, no norte da Itália, e morreu em 1901, em Milão; é um compositor romântico cuja extensa obra compreende não somente óperas mas também música instrumental, música vocal, música sacra, hinos, e entre suas maiores composições destacamos em ordem cronológica as óperas “Nabuco” (1852), “O trovador” (1853), “A traviata” (1853), “ Um baile de máscara” (1859), “Rigoleto” (1861), “A força do destino” (1862), “Dom Carlos” (1867), “Aída” (1871), a “Missa de réquiem” (1874), as óperas “Otelo”, (1887) e “Falstaff” (1893). Toda sua produção une o poder melódico à profundidade psicológica e histórica, a maioria de suas óperas… Continue a ler »Ópera – Terceira parte: Giuseppe Verdi

Ópera – Segunda parte: Mozart e Beethoven

Ópera Segunda parte: Mozart e Beethoven A ópera é uma obra musical e teatral para uma orquestra e cantores, calcada sobre um enredo que se chama libreto, o qual coloca em cena personagens e suas histórias, onde os diferentes papeis são cantados; assim sendo, a ópera é uma das formas de arte lírica do teatro musical ocidental. A obra, cantada por intérpretes possuindo um registro vocal determinado em função de seu papel e acompanhados por uma orquestra, tem como roteiro aquele livreto musicado em forma de árias, de recitativos, de coros, de intervalos, e ainda eventualmente embelezado pela dança. Tradicionalmente, considera-se que a ópera ocidental nasceu em Florença, Itália, no século XVII, e tem-se como a primeira “Orfeu”, criado em 1607 por Claudio Monteverdi. Em vários países europeus esse tipo de espetáculo desenvolve-se, desde então, destacando-se, certamente, Itália e Alemanha, sobretudo pelos expoentes musicais que lá exercem seus talentos e… Continue a ler »Ópera – Segunda parte: Mozart e Beethoven

Música e Ópera – Da música instrumental ao drama operístico – Primeira parte: Johann Sebastian Bach

Música e Ópera Da música instrumental ao drama operístico Primeira parte: Johann Sebastian Bach Nenhuma outra forma de arte nos faz ascendermos a um grau de satisfação espiritual e mesmo de apaziguamento harmonioso como a música. Talvez seja por isso que, na Grécia antiga, a música era considerada o conjunto de todas as artes; música significava a reunião dos trabalhos das musas; a palavra vem do grego mousikê, de mousê, «musa». As musas eram, por definição, as nove deusas que forneciam inspiração aos poetas, e entre elas, destacamos Euterpe, a “doadora de prazeres”, a entidade dotada de características divinas cuja função era estimular o aparecimento da beleza através da música. Mais de vinte séculos depois, nasce praticamente no coração da Alemanha, especificamente em Eisenach, mais um jovem na família de músicos, os Bach; esse é Johann Sebastian Bach, organista, cravista e compositor, que viveu de 1685 a 1750, quando morreu… Continue a ler »Música e Ópera – Da música instrumental ao drama operístico – Primeira parte: Johann Sebastian Bach

O Circo e os Quadrinhos – As artes circenses e a arte de dividir a realidade em quadradinhos

O Circo e os Quadrinhos As artes circenses e a arte de dividir a realidade em quadradinhos A palavra arte nos impõe uma reflexão nem sempre correspondida em uma definição satisfatória. Em todo caso, para não começarmos um texto sem o amparo de algumas certezas, podemos afirmar que a arte exige talento, inteligência, sensibilidade, disponibilidade de alguém que pretende expor suas ideias, ou que estima reproduzir o que é próprio da natureza, ou ainda, em sentido contrário, procura transformar essa primeira visão imposta pelo real em uma concepção irreal das coisas.                           Como vemos, trata-se de um assunto passível de múltiplos enfoques e de opiniões divididas; mas não desesperemos, é assim que a vida é, repleta de esquinas contraditórias ao trajeto que inicialmente pensávamos que seria retilíneo; ao contrário, trata-se muitas vezes de um percurso ambíguo e surpreendente. Assim é a arte, já que ela é uma manifestação humana, só… Continue a ler »O Circo e os Quadrinhos – As artes circenses e a arte de dividir a realidade em quadradinhos

Arte encanta

Arte encanta A arte encanta, é verdade, mas perguntamos como isso pode ocorrer e por quê? Arte já foi considerada, em épocas antigas, uma ciência oculta, com poderes encantatórios, que podia enfeitiçar uma pessoa, fazê-la transformar-se em outra, até então desconhecida. Pois bem, quanto a esse suposto poder da arte, podemos tranquilizar-nos, já não se crê mais nisso desde o século XVI, quando instalou-se o processo de renovação cultural e de costumes, chamando Renascimento. É a partir desse período da civilização que a arte passou a ser vista como um exercício consciente criador, indicando um objetivo alcançável pelo domínio de certas técnicas inerentes a sua atividade. Ainda podemos acrescentar que desde então, a produção artística é associada ao efeito de satisfação que provoca nas pessoas. Pretendo escrever uma série sobre as diferentes modalidades de arte. Nosso primeiro texto, o de hoje, destaca a dança e a pintura. A dança é… Continue a ler »Arte encanta

Amigos e Livros

Amigos e Livros Aprendemos que amigo é aquele que demonstra afeto, amizade, é também aquele a quem admiramos ou, sentido inverso, aquele que nutre admiração por nós. Podemos dizer que ele coloca-se a nosso lado e nos “olha”, percebe o que sentimos, alegria ou tristeza, sem que para isso seja necessário falarmos; desenvolvemos, assim, o que se convencionou chamar de amenidade de convívio, quando a vida nos é aprazível porque sentimos bem-estar. Diz-se que os verdadeiros amigos são poucos; talvez para suprir essa carência, inventam-se, nas redes sociais, uma multidão de “amigos”. Assim fazendo, despersonificamos a amizade, ela passa a ser considerada como o mais extenso possível grupo de pessoas, porque assim eu me apresento como alguém popular, que frequenta muitos ambientes, em resumo, como alguém bem relacionado socialmente. Esse tipo de suposta “amizade”, não possui validade como tal, posto que é, em grande parte, somente uma manifestação narcisista, é… Continue a ler »Amigos e Livros

Linguagem e Amor de mãe

Linguagem e Amor de mãe Uma investigação científica internacional com pessoas que falam inglês, espanhol, hebreu e chinês sustenta que “há um princípio universal de organização cerebral”. Sabemos que esses idiomas escrevem-se, leem e falam de formas muito diferentes. Entretanto, esses investigadores que trabalharam na Universidade de Yale (Estados Unidos), no Centro Basco de Cognição, Cérebro e Linguagem (Espanha), na Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel) e na Universidade Nacional Yang-Ming de Taipei (Taiwan), sustentam sua comprovação de que nos cérebros dessas pessoas ativam-se áreas comuns para decifrar a linguagem oral e a escrita, o que os levou a considerarem que se trata de um princípio universal. O processo natural de aprendizagem tem como base o desenvolvimento da rede neuronal encarregada de compreender a linguagem oral, a partir dos primeiros meses de vida, e essa compreensão servirá como base para a etapa posterior, quando aprendemos a ler, até o final da… Continue a ler »Linguagem e Amor de mãe