Ópera
Segunda parte: Mozart e Beethoven
A ópera é uma obra musical e teatral para uma orquestra e cantores, calcada sobre um enredo que se chama libreto, o qual coloca em cena personagens e suas histórias, onde os diferentes papeis são cantados; assim sendo, a ópera é uma das formas de arte lírica do teatro musical ocidental. A obra, cantada por intérpretes possuindo um registro vocal determinado em função de seu papel e acompanhados por uma orquestra, tem como roteiro aquele livreto musicado em forma de árias, de recitativos, de coros, de intervalos, e ainda eventualmente embelezado pela dança. Tradicionalmente, considera-se que a ópera ocidental nasceu em Florença, Itália, no século XVII, e tem-se como a primeira “Orfeu”, criado em 1607 por Claudio Monteverdi. Em vários países europeus esse tipo de espetáculo desenvolve-se, desde então, destacando-se, certamente, Itália e Alemanha, sobretudo pelos expoentes musicais que lá exercem seus talentos e pelas circunstâncias histórico-sociais dessas culturas. Na Itália, destaca-se Giuseppe Verdi (1813-1901) e na Alemanha distingue-se Richard Wagner (1813-1883).
Em nossa coluna de hoje, trataremos de dois dos maiores músicos ocidentais de todos os tempos. Um deles compôs muitas óperas, entre outros gêneros e é austríaco, pelo critério territorial de hoje, posto que Áustria, no século XVIII, era um Estado do Santo-Império romano-germânico, e o outro é um compositor alemão que só concebeu uma única ópera em sua extensa criação musical.
Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburgo, em 1756 e morreu muito jovem em Viena, em 1791; deixou uma obra de 893 peças que abraça todos os gêneros musicais de seu tempo; também foi um virtuose tanto ao piano como ao violino. Reconhecido como o compositor que elevou à perfeição o concerto, a sinfonia, a sonata, os quais tornaram-se as principais formas da música clássica, e também considerado como um dos maiores mestres da ópera. Assim, seu nome passou à linguagem corrente como sinônimo de gênio precoce, de virtuosismo e de perfeita maestria.
Dentre suas óperas, destacamos a última, escrita quase ao final de sua vida terrena e ao mesmo tempo em que escrevia também, curiosamente, seu “Réquiem”, sendo este sua última obra. A ópera a que referimo-nos é “A Flauta mágica” (“Die Zauberflöte”, 1791), composta por Mozart sobre o libreto de Emanuel Schikaneder. Habitualmente, afirma-se que “A flauta mágica” é uma ópera maçônica, onde estão presentes o percurso de ritos iniciáticos dos personagens e o simbolismo de elementos que levam à harmonia, na tentativa de assegurar a unidade e o equilíbrio do mundo. A alternância entre passagens obscuras e outras iluminadas, esses elementos de escuridão e de luz remetem-nos também ao movimento cultural chamado Iluminismo, o qual começava a difundir-se em países da Europa. Todos esses elementos estão presentes nesta ópera de Mozart como significativos
de inteligência e bondade, de um lado, e de impureza e crime, de outro. Mozart canta, assim, com sua “flauta mágica” os temas da purificação, da fraternidade e da paz entre os homens. Quê mais podemos querer de uma música, naquela época e ainda nos dias atuais?
Passamos agora ao compositor cuja influência na história da música foi imensa: ele escreveu inúmeras sonatas, nove sinfonias e de 1816 até 1827, ano de sua morte, ainda conseguiu compor cerca de 44 obras musicais; ao morrer, ainda trabalhava em uma nova sinfonia, assim como projetava escrever um Réquiem; entretanto, ele só dedicou-se a escrever uma ópera. Falamos de Ludwig van Beethoven, compositor e pianista alemão, nascido em Bonn, em 1770, que morreu em Viena, em 1827; ficou surdo a partir dos 27 anos de idade, mas superava sua perda de audição com muita resiliência. A ópera de Beethoven chama-se “Fidelio”, uma clara alusão à fidelidade conjugal, pois é disso que essa obra trata; a composição data de 1804, tendo versões subsequentes em 1805, em 1806 e finalmente em 1814; o libreto é assinado por Joseph Sonnleithner. O personagem central chama-se Florestan, nome indicativo de sua vida em meio bucólico, um tema recorrente ao romantismo que despontava na época; sua esposa é Leonor; por motivos políticos, Florestan é preso em uma prisão espanhola, perto de Sevilha, seu cruel carcereiro chama-se Rocco, e a ação desenvolve-se no século XVII. Por quê, então, o título “Fidelio”; onde encontra-se esse personagem? Leonor é Fidélio, Fidélio é Leonor. Sublime amor e exemplar fidelidade ! Leonor disfarça-se de homem, este chama-se Fidélio, como sabemos, e assim ela penetra na masmorra onde está seu marido Florestan. Provoca-se uma rebelião entre os presos, o carcereiro tenta intervir mas Leonor/Fidélio o ameaça com uma pistola. Com a chegada do governador da região, D. Fernando, um governante esclarecido, a situação se acalma e ao final todos são libertos, porque crimes políticos não devem ser punidos dessa forma, segundo a opinião de D. Fernando. Beethoven sempre demonstrou ter uma personalidade independente e livre, e nessa ópera ele mantém em alta estima seus ideais de liberdade, fidelidade e fraternidade.
Nossa coluna seguinte tratará da figura exponencial da ópera; ao falarmos desse estilo musical, obrigatoriamente falamos de Verdi; fica para a próxima.
É tudo por hoje, caros leitores; bons pensamentos e boa música!
