Poesia

Adélia Prado – “O poder humanizador da poesia”

Adélia Prado “O poder humanizador da poesia”   Daqui a um mês, nossa Adélia Prado festejará seus oitenta e sete anos. Ela nasceu em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, cidade localizada no centro-oeste de Minas Gerais e a somente 120 km distante da capital, Belo Horizonte. A autora é poetisa, professora, filósofa, romancista e contista, e sua produção é ligada ao chamado movimento modernista de 1922, a saber, quando diversos autores e de múltiplas tendências artísticas propõem reformar aquela cultura considerada ultrapassada, em busca de uma arte atualizada e mais próxima da espontaneidade cultural. É por aí que vamos descobrir a literatura de Adélia, e encantar-nos com ela. Sua obra retrata o cotidiano com perplexidade e arrebatamento, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único. Em 1975, envia o manuscrito de sua coletânea “Bagagem” para a coluna de crítica literária… Continue a ler »Adélia Prado – “O poder humanizador da poesia”

As contradições do amor segundo Camões

As contradições do amor segundo Camões   Luiz Vaz de Camões é um poeta nacional de Portugal, considerado como uma das maiores figuras da literatura de língua portuguesa de todos os tempos e um dos grandes poetas da tradição ocidental; ele viveu no século XVI, aproximadamente entre os anos de 1524 e 1580; nasceu em Lisboa, quando jovem, estudou num convento e mais tarde se tornou professor de história, geografia e literatura. O poeta chegou a entrar no curso de Teologia, mas acabou por desistir da empreitada e por fim, ingressou no curso de Filosofia. Camões percorreu várias terras, teve uma vida atribulada, fez a guerra e assistiu às conquistas marítimas do grande império português na aquisição de colônias; após sua atuação militar, ele regressou a Lisboa, onde voltou a ter sua vida boêmia e com complicações; mas foi durante essa nova – e definitiva temporada na capital portuguesa –… Continue a ler »As contradições do amor segundo Camões

A beleza da Florbela – Florbela Espanca, 1894 – 1930

A beleza da Florbela Florbela Espanca 1894 – 1930   Batizada como Flor Bela Lobo, autonomeada Florbela d’Alma da Conceição Espanca, quando muito jovem, e finalmente reconhecida como poetisa – ou poeta – Florbela Espanca! Aí alcançamos uma das maiores autoras da literatura portuguesa moderna, tendo sido especialmente celebrada por seus sonetos. Sua vida de apenas trinta e seis anos foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, os quais a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de questões existenciais, de feminilidade e de panteísmo. Nasceu em Vila Viçosa, Portugal, na fronteira com a Estremadura, em Espanha, lá conheceu as primeiras letras e com sete anos começou a escrever poemas. Em 1908, ficou órfã de mãe e passou a ser criada pelo pai, João Maria Espanca, pela madrasta e pelo meio-irmão, Apeles. Mais adiante, frequentou o Liceu de Évora, sendo esta cidade o quinto… Continue a ler »A beleza da Florbela – Florbela Espanca, 1894 – 1930

A pergunta do Drummond e a resposta do Milton

A pergunta do Drummond e a resposta do Milton   Hoje vamos buscar alento em duas obras de dois autores diferentes, um poeta e outro músico; quando os escutamos eles nos transmitem força, parece que recuperamos o fôlego que nos falta para continuarmos. Referimo-nos a Carlos Drummond de Andrade e a Milton Nascimento. Drummond é respeitado como um dos maiores poetas da língua portuguesa, e Milton é pautado como um compositor mundialmente renomado. Carlos Drummond nasce em Itabira, em 1902, e morre no Rio de Janeiro, em 1987. Foi poeta, contista, cronista e farmacêutico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais; igualmente foi um dos principais poetas da segunda geração do modernismo brasileiro, embora sua obra não se restrinja a formas e temáticas de movimentos específicos: os temas de sua obra são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas,… Continue a ler »A pergunta do Drummond e a resposta do Milton

Nós somos múltiplos – Fernando Pessoa

Nós somos múltiplos Fernando Pessoa   Cada um de nós, apesar de sermos uma só pessoa, carregamos algumas outras conosco. E não, não estamos loucos, estamos, isso sim, explorando um pouco de nossas possibilidades criativas. Nós temos vários escaninhos em nossas mentes e em nossos pensamentos; alguns nem chegam à superfície, coitados, enquanto outros conseguem manifestar-se alegremente por estarem, enfim, apresentando-se no chamado “mundo real”: “Ah, finalmente!…” Mas não se preocupem, não procederemos a nenhuma análise ao vivo, frente aos leitores. Nosso texto de hoje dedica-se a descobrir, modestamente e na medida do possível, os pequenos compartimentos da genialidade do escritor português Fernando Pessoa. O autor nasce em 1888, em Lisboa, e morre em 1935, na mesma cidade; ele foi essencialmente um poeta, mas foi igualmente filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político lusitano, e sendo considerado como o mais universal poeta… Continue a ler »Nós somos múltiplos – Fernando Pessoa

Vem o sol, quero alegria – (Fica decretado que agora vale a verdade) – Thiago de Mello

Vem o sol, quero alegria (Fica decretado que agora vale a verdade)  Thiago de Mello   Amadeu Thiago de Mello foi um poeta, jornalista e tradutor brasileiro; ele é natural do estado do Amazonas, nasceu em 1926 e morreu recentemente, em janeiro de 2022. O autor é um dos poetas mais influentes e respeitados de nosso país, e tem suas obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Quando jovem, ele cursou a faculdade de medicina, mas abandonou o curso na metade e ingressou na carreira  diplomática, na década de 50. Seu primeiro livro de prosa foi escrito aos 25 anos, intitulado “Silêncio e Palavra”, editado em 1951, do qual mereceu críticas de renomados autores como sendo “um dos mais típicos representantes da chamada ‘geração de 1945’ (preocupada com causas sociais e descomprometida de fórmulas rígidas de escrita) e, mais adiante, com o decorrer do tempo e da publicação de suas… Continue a ler »Vem o sol, quero alegria – (Fica decretado que agora vale a verdade) – Thiago de Mello

Octavio Paz, 1914-1998 – Autor libertário

Octavio Paz, 1914-1998 Autor libertário   Octavio Paz é um poeta, ensaísta e diplomata mexicano, considerado como um dos mais influentes autores do século XX e um dos maiores poetas de todos os tempos; obteve o Prêmio Nobel de Literatura em 1990 e o Prêmio Cervantes em 1981. Nasceu e morreu na Cidade do México, capital do país de mesmo nome; entretanto, durante boa parte de sua vida, percorreu diversos países e neles habitou por um certo período, seja devido a sua condição de diplomata, seja motivado por convites de autoridades ou ainda de reitores de universidades para proferir cursos de literatura. Já em meados de 1937, foi convidado a participar do Segundo Congresso Internacional de Escritores pela Defesa da Cultura, na Espanha, não em Madri, porque a cidade estava sob o regime franquista, mas em Valência, onde ainda se localizava a sede do governo republicano. Ainda em 1937, de… Continue a ler »Octavio Paz, 1914-1998 – Autor libertário