O encantador transcendental

O encantador transcendental   “A poesia não é um modo de libertar a emoção, mas uma fuga da emoção; não é uma expressão da própria personalidade, mas uma fuga da personalidade.” – T. S. Eliot, no ensaio “Tradição e talento individual”.   Falamos de Thomas Stearns Eliot ou, simplesmente, T. S. Eliot, autor de língua inglesa, nasce em Saint Louis, no estado de Missouri, Estados Unidos, em 1888, e morre em 1965, em Londres. Eliot é um poeta, dramaturgo e crítico de língua inglesa, considerado como um dos representantes mais importantes do modernismo literário, a saber, quando os versos são livres e a prosa pode ser poética. Eliot inicialmente estuda filosofia e literatura em Harvard, a seguir perfaz os estudos na Sorbonne e em 1914, frequenta a Universidade de Marburg, na região central da Alemanha. No início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, Eliot passa a morar em Londres, onde… Continue a ler »O encantador transcendental

O vintém de cobre é moeda de ouro – Cora Coralina, 1889-1985

O vintém de cobre é moeda de ouro  Cora Coralina, 1889-1985   Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas prefere ser chamada de Cora Coralina, e é exatamente com esta poetisa e contista brasileira, considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, que vamos dialogar despretensiosamente. Isso mesmo, talvez seja esta a característica mais contumaz de sua obra, ou seja, Cora Coralina nos ensina muito em sua “pretensa” escritura humilde. A autora nasceu em 1889, na Cidade de Goiás, e morreu em Goiânia no ano de 1985, pouco antes de completar 96 anos de idade. Era filha de um desembargador nomeado por D. Pedro II, ela teve pouco tempo de escolaridade, na época, sabemos, não interessava às mulheres terem acesso aos livros, à cultura, em geral. Apesar disso, ela escreveu desde cedo, começou sua produção de poesias e de contos a partir dos quatorze anos, mas somente teve seu primeiro livro publicado em… Continue a ler »O vintém de cobre é moeda de ouro – Cora Coralina, 1889-1985

Ray Bradbury – Fahrenheit 451

Ray Bradbury – Fahrenheit 451   Nosso autor Ray Bradbury nasce em 1920, em uma pequena cidade de Chicago, no nordeste norte-americano. Ele vem de origem modesta, lê e escreve desde tenra idade, frequenta a escola secundária, faz parte de um clube do livro de teatro, e forma-se em 1938. Nessa época, ele começa a escrever contos de ficção científica e publica seu primeiro texto aos 17anod de idade. Mais adiante, filia-se a um clube de Ciência Fantástica, a partir de 1942 dedica-se exclusivamente a sua produção literária, e em 1948 já é reconhecido como um profícuo escritor; casa-se nesse mesmo ano, ao logo do tempo, o casal tem quatro filhas e oito netos. Em 1950, ele recebe a consagração da edição internacional de suas “Crônicas marcianas”, e é em 1953 que ele publica seu célebre romance “Fahrenheit 451”, através do qual o autor representa uma visão de mundo no… Continue a ler »Ray Bradbury – Fahrenheit 451

Sophia de Mello Breyner Andresen – Coral

Sophia de Mello Breyner Andresen Coral   Sophia de Mello Breyner Andresen nasce em 1919 no Porto, noroeste de Portugal, lá, ela tem muito contacto com o oceano e desenvolve verdadeira paixão pelo mar. Entre 1939-1940 estuda Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, onde começa a publicar seus poemas e seus textos a partir de 1940, nos Cadernos de Poesia. Em 1944 sai, em edição de autor, o seu primeiro livro de poemas intitulado “Poesia”, título inaugural de uma obra incontornável que a torna uma das maiores vozes da poesia do século XX. Seus livros estão traduzidos em várias línguas e foi muitas vezes premiada, tendo recebido, entre outros – e pela primeira vez uma mulher – o Prêmio Camões 1999, o Prêmio Poesia Max Jacob 2001 e o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003, inédito para alguém de cidadania portuguesa a receber este prestigiado galardão. Sua linguagem poética… Continue a ler »Sophia de Mello Breyner Andresen – Coral

Me enfio nessa pele de seda elástica e saio a correr mundo – Raul Bopp, 1898-1984

Me enfio nessa pele de seda elástica e saio a correr mundo Raul Bopp, 1898-1984   Raul Bopp nasce na região central do Rio Grande do Sul, na atual Itaara, próxima de Santa Maria, e falece no Rio de Janeiro, no então centro cultural do Brasil. Por volta de 1917, funda os semanários “O Lutador” e “Mignon”, em Tupanciretã, no Rio Grande do Sul; também cursa Direito, entre 1918 e 1925, em Porto Alegre, Recife, Belém e Rio de Janeiro, frequentado cada ano letivo em uma capital. Após sua formatura, ele vem a ser diplomata. Viaja, então, por todo o Brasil, tendo conhecido, sobretudo, a Amazônia, base para a construção de sua obra-prima, “Cobra Norato”. Este é considerado seu principal livro e obra mais importante do movimento antropofágico. A obra ostenta a grandeza do mundo em formação que é o Amazonas; pela força de suas descrições, pelo lirismo que informa… Continue a ler »Me enfio nessa pele de seda elástica e saio a correr mundo – Raul Bopp, 1898-1984

Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo – Murilo Mendes, 1901-1975

Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo Murilo Mendes, 1901-1975   Murilo Mendes foi dotado de uma inteligência múltipla; ele nasceu em Juiz de Fora e morreu Lisboa, foi um poeta, prosador e crítico de artes plásticas, inicialmente foi um católico fervoroso, o que não o impediu de se tornar um expoente do surrealismo da literatura brasileira e um crítico acirrado da sociedade de seu país. Enquanto jovem, ele tentou várias ocupações para seu provimento cotidiano, tais como farmacêutico, funcionário de banco e escrevente de cartório. Nunca adaptou-se a nenhum desses empregos, porém, começou cedo a produzir textos e poemas que destacaram-se a seguir; contam-se suas obras poéticas em mais de vinte e cinco antologias, e ainda há três seleções póstumas e várias publicações inéditas. Pelos seus trinta anos, o poeta voltou sua atenção ao Rio de Janeiro e lá conviveu por um certo período, confraternizou com… Continue a ler »Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo – Murilo Mendes, 1901-1975

A poesia nos conforta – Alphonsus de Guimaraens, 1870 – 1921

A poesia nos conforta Alphonsus de Guimaraens, 1870 – 1921   Alphonsus de Guimaraens – ou Afonso Henrique da Costa Guimarães – é um escritor e sobretudo um poeta brasileiro; ele viveu de 1870 até 1921; nasceu em Ouro Preto, Mina Gerais, e morreu na cidade de Mariana, no mesmo estado. Ele é filho de uma família de nacionalidade portuguesa; em 1887, inscreve-se na faculdade como estudante de Engenharia, mas em 1890 ele vai para São Paulo e lá completa a Faculdade de Direito do Largo São Francisco; a partir de então passa também a exercer a função de jornalista, colabora com o vespertino diário A Gazeta, e publica “Kyriale” em 1902, sob o pseudônimo de Alphonsus de Guimaraens, sendo essa obra bem reconhecida pelos críticos literários. O poeta tem a oportunidade de passar uma temporada em França, lá ele frequenta os intelectuais franceses e de lá ele traz para… Continue a ler »A poesia nos conforta – Alphonsus de Guimaraens, 1870 – 1921

Eu sou aquele que ficou sozinho cantando sobre os ossos do caminho – Augusto dos Anjos, 1884 – 1914

Eu sou aquele que ficou sozinho cantando sobre os ossos do caminho  Augusto dos Anjos, 1884 – 1914   Augusto dos Anjos, o mais sombrio dos poetas brasileiros, foi também o mais original. Sua obra poética, composta por apenas um livro de poemas, intitulado “Eu”, não se encaixa em nenhuma escola literária, embora tenha sido influenciado por características do naturalismo e do simbolismo. A produção única de Augusto dos Anjos não pode ser enquadrada, propriamente, a nenhum desses movimentos; entretanto, para efeitos de nomenclatura, é por isso que se classifica o poeta juntamente aos seus contemporâneos do pré-modernismo. Além disso, destacamos que, com o tempo, outros poemas foram adicionados postumamente a sua obra única, “Eu”. Ao nos defrontarmos com este título de uma obra poética, já nos preparamos para a leitura de um autor que nos declara seu engajamento pessoal como nenhum outro o fizera anteriormente. Mesclando termos filosóficos embebidos… Continue a ler »Eu sou aquele que ficou sozinho cantando sobre os ossos do caminho – Augusto dos Anjos, 1884 – 1914

Profissão de fé – Olavo Bilac

Profissão de fé Olavo Bilac   O que é a chamada “última flor do Lácio”? O que ela significa? Esta assim chamada “última flor” é a língua portuguesa, considerada a última das filhas do latim. Refere-se ao fato de a língua portuguesa ser a última língua neolatina formada a partir do latim vulgar, aquele falado pelos soldados da região italiana do Lácio. A propósito, hoje em dia, o território do Lácio reúne aproximadamente cinco milhões de habitantes, trata-se de uma extensão central e é uma das principais portas de entrada da Itália, estando ali localizada a capital Roma. Pois bem, a partir dessa “última flor do Lácio”, vamos nos dedicar a expor um pouco do talento de um grande escritor brasileiro, mesmo que ultimamente esteja um pouco relegado; falamos de Olavo Bilac, nascido no Rio de Janeiro, em 1865 e morto na mesma capital federal do país, em 1918. Foi… Continue a ler »Profissão de fé – Olavo Bilac

Uma mulher ganha o primeiro Prêmio Nobel ibero-americano

Uma mulher ganha o primeiro Prêmio Nobel ibero-americano   Ela é diplomata, professora, pedagoga e poetisa, sua terra natal é o Chile, seu nome oficial é Lucila Godoy Alcayaga, mas é mundialmente conhecida como Gabriela Mistral. Nasceu no ano de 1889, em Vicuña, região central de seu país, a aproximadamente seiscentos metros do mar, e morreu em Nova York, em 1957. Começou a trabalhar como docente em 1904, percorreu várias escolas em diversas regiões de seu país, algumas vezes foi criticada pelos preconceitos religiosos, mas ainda assim sempre progrediu como professora. Em 1910, então com vinte e um anos, prestou serviço como diretora de Liceu Feminino, no qual desenvolveu o ensino de trabalhos manuais, desenho, higiene e economia doméstica. Nessa época, Mistral observou e comentou que os “indígenas sabem amar sua terra”, e a seguir a docente partiu para trabalhar em áreas nativas, junto aos autóctones. Já em 1922, ela… Continue a ler »Uma mulher ganha o primeiro Prêmio Nobel ibero-americano