Rosarita Osorio Torres dos Santos

A beleza da Florbela – Florbela Espanca, 1894 – 1930

A beleza da Florbela Florbela Espanca 1894 – 1930   Batizada como Flor Bela Lobo, autonomeada Florbela d’Alma da Conceição Espanca, quando muito jovem, e finalmente reconhecida como poetisa – ou poeta – Florbela Espanca! Aí alcançamos uma das maiores autoras da literatura portuguesa moderna, tendo sido especialmente celebrada por seus sonetos. Sua vida de apenas trinta e seis anos foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, os quais a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de questões existenciais, de feminilidade e de panteísmo. Nasceu em Vila Viçosa, Portugal, na fronteira com a Estremadura, em Espanha, lá conheceu as primeiras letras e com sete anos começou a escrever poemas. Em 1908, ficou órfã de mãe e passou a ser criada pelo pai, João Maria Espanca, pela madrasta e pelo meio-irmão, Apeles. Mais adiante, frequentou o Liceu de Évora, sendo esta cidade o quinto… Continue a ler »A beleza da Florbela – Florbela Espanca, 1894 – 1930

A pergunta do Drummond e a resposta do Milton

A pergunta do Drummond e a resposta do Milton   Hoje vamos buscar alento em duas obras de dois autores diferentes, um poeta e outro músico; quando os escutamos eles nos transmitem força, parece que recuperamos o fôlego que nos falta para continuarmos. Referimo-nos a Carlos Drummond de Andrade e a Milton Nascimento. Drummond é respeitado como um dos maiores poetas da língua portuguesa, e Milton é pautado como um compositor mundialmente renomado. Carlos Drummond nasce em Itabira, em 1902, e morre no Rio de Janeiro, em 1987. Foi poeta, contista, cronista e farmacêutico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais; igualmente foi um dos principais poetas da segunda geração do modernismo brasileiro, embora sua obra não se restrinja a formas e temáticas de movimentos específicos: os temas de sua obra são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas,… Continue a ler »A pergunta do Drummond e a resposta do Milton

O humanismo de Montaigne

O humanismo de Montaigne   Michel de Montaigne é um filósofo, humanista e moralista que nasceu e morreu na região de Dordonha, no sudoeste de França, entre 1533 e 1592. Viveu no castelo que posteriormente levará seu nome, sendo ele descendente de uma abastada família de negócios de Bordeaux, não distante de sua morada. Seu bisavô adquire as terras e o título que serão herdados por seus familiares, e seus progenitores terão oito filhos, dentre os quais o primogênito Michel. Este foi favorecido por uma refinada educação caseira, durante seus primeiros quinze anos de vida, recebendo aulas de gramática, matemáticas e de latim, língua de sua corrente expressão diária. Adolescente, ingressa no Colégio de Bordeaux, onde distingue-se por sua inteligência na prática da discussão e do duelo retórico. Após seus estudos de direito, ele torna-se conselheiro no Tribunal de sua região, onde permanece por quinze anos; casa-se em 1565, tem… Continue a ler »O humanismo de Montaigne

Cientista brasileiro – Oswaldo Cruz, 1872 – 1917

Cientista brasileiro Oswaldo Cruz, 1872 – 1917   Nome completo, Oswaldo Gonçalves Cruz, conhecido internacionalmente como Oswaldo Cruz, nasceu no interior de São Paulo e morreu na cidade imperial de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Ele foi inicialmente médico, depois tornou-se bacteriologista, especializou-se como epidemiologista e, finalmente, exerceu a função pioneira de sanitarista, no Brasil. Como médico, ocupou-se da saúde humana,  tratando e curando doentes, como bacteriologista, ele estudou as bactérias que provocam graves enfermidades nas pessoas, e como epidemiologista, consagrou-se ao estudou da distribuição dos fenômenos de saúde e doença, de seus fatores condicionantes e determinantes, e dos contágios que atingem muitas pessoas, em um certo território e durante um determinado período. Quanto a sua função de sanitarista, Oswaldo Cruz foi o pioneiro a exercer os cuidados de saúde pública com o objetivo de proporcionar a nós, brasileiros, um estado de boa disposição física e psíquica. Por… Continue a ler »Cientista brasileiro – Oswaldo Cruz, 1872 – 1917

Nós somos múltiplos – Fernando Pessoa

Nós somos múltiplos Fernando Pessoa   Cada um de nós, apesar de sermos uma só pessoa, carregamos algumas outras conosco. E não, não estamos loucos, estamos, isso sim, explorando um pouco de nossas possibilidades criativas. Nós temos vários escaninhos em nossas mentes e em nossos pensamentos; alguns nem chegam à superfície, coitados, enquanto outros conseguem manifestar-se alegremente por estarem, enfim, apresentando-se no chamado “mundo real”: “Ah, finalmente!…” Mas não se preocupem, não procederemos a nenhuma análise ao vivo, frente aos leitores. Nosso texto de hoje dedica-se a descobrir, modestamente e na medida do possível, os pequenos compartimentos da genialidade do escritor português Fernando Pessoa. O autor nasce em 1888, em Lisboa, e morre em 1935, na mesma cidade; ele foi essencialmente um poeta, mas foi igualmente filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político lusitano, e sendo considerado como o mais universal poeta… Continue a ler »Nós somos múltiplos – Fernando Pessoa

O que nos ensinam as fábulas?  

O que nos ensinam as fábulas?   Uma fábula é uma história alegórica de onde se retira um ensinamento moral. Muitos desses textos vêm dos relatos mitológicos da Antiguidade, isto quer dizer, desde tempos imemoriais até a queda do Império romano do Ocidente, no século V de nossa era, quando muitos autores se dedicam a produzir obras do gênero. A alegoria que está na base da fábula corresponde ao modo de expressão ou à interpretação dos pensamentos, das ideias figuradas que não existem na realidade e, assim sendo, um mito não deixa de ser uma “mentira” – bem-intencionada, é óbvio – que queremos utilizar em uma fantasia, para criar uma coisa fabulosa e, em geral, através de versos ou prosas muito bem elaborados. As fábulas podem ensinar-nos um preceito moral, além de nos ensinarem como escrever bem. Ressaltamos que a intenção dos fabulistas foi sempre a melhor, foi a de… Continue a ler »O que nos ensinam as fábulas?  

O cinismo de Diógenes

O cinismo de Diógenes   Quem foi Diógenes? Um filósofo que viveu entre 413 e 327 antes de Cristo, nasceu em Sinope, atualmente uma cidade ao Norte da Turquia e à beira do Mar Negro, foi discípulo de Sócrates e foi contemporâneo de Platão e de Aristóteles, com os quais compartilhou ensinamentos filosóficos. À época, Diógenes de Sinope, como era conhecido, ou simplesmente Diógenes, foi profundamente influenciado pela escola do cinismo, e tornou-se um filósofo sem domicílio fixo, errava pelas cidades e preferia viver dentro de um tonel porque assim sentia- se mais livre para expor seus pensamentos. A tradição atribui ao pensador uma numerosa produção literária e filosófica, mas grande parte de sua obra parece ter sido perdida, e algumas retomadas por outros autores; somente quatro títulos são reconhecidos: três tragédias e um texto filosófico, o “Tratado dobre o amor”. Avançamos, e perguntamos: o que é o cinismo? É… Continue a ler »O cinismo de Diógenes

Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888

Eça de Queiroz, 1845 – 1900  Os Maias, 1888   Eça de Queiroz é um escritor, romancista, contista, poeta, advogado e diplomata português; nasceu em uma pequena cidade no Norte de Portugal e morreu na França, em sua casa, na região parisiense. Após concluir os estudos na província natal, ingressou na Universidade de Coimbra, onde formou-se em Direito, e começou a publicar seus primeiros trabalhos como escritor na revista “Gazeta de Portugal”. Posteriormente à formatura, mudou-se para Lisboa, onde trabalhou como advogado e jornalista. Iniciou a carreira diplomática em 1870 e trabalhou em diversas cidades, até se mudar para Paris e casar-se. Os anos mais produtivos de sua carreira literária vão de 1874 a 1878, quando trabalhou na Inglaterra como diplomata. Com grande senso de observação, Eça de Queirós desmistificou a hipocrisia e o falso moralismo dos costumes sociais. Optando por utilizar a linguagem corrente de Lisboa, Eça renovou a… Continue a ler »Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888

“Auto da Compadecida”, 1955 – Ariano Suassuna, 1927-2014

“Auto da Compadecida”, 1955  Ariano Suassuna, 1927-2014   Ariano Suassuna é um dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta, professor, advogado e palestrante brasileiro. Ele é autor de mais de trinta obras consideradas insignes, entre as quais destacam-se duas como magna opera: o “Auto da Compadecida” e o romance intitulado “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, este editado em 1971. No texto de hoje, destacamos a chamada obra-prima do autor, a peça teatral “Auto da Compadecida”, a qual foi encenada pela primeira vez em 1956, no Teatro Santa Isabel, em Recife. Trata-se de uma peça dividida em três atos e que tem como pano de fundo o sertão nordestino; além disso, ressaltamos que o “auto” literário surgiu na Espanha, no século XII, expandiu-se em Portugal, no século XVI, e cujas características são a linguagem popular, as tiradas cômicas e a intenção moralizadora; seus personagens, ou melhor, seus… Continue a ler »“Auto da Compadecida”, 1955 – Ariano Suassuna, 1927-2014

A Moratória, de Jorge Andrade

A Moratória, de Jorge Andrade   Jorge Andrade é considerado pelos especialistas literários como um dos dramaturgos brasileiros mais importantes do século XX, tendo em vista que ele realizou, no total de suas obras, um recorte temporal da História do Brasil que vai do século XVII ao XX, através de suas dezoito peças teatrais, sete novelas, dois filmes, duas novelas televisivas, um compêndio de literatura, e ainda – e principalmente – pela coletânea intitulada “Marta, a Árvore e o Relógio”, publicada em 1970. Jorge Andrade, paulista, nasceu no ano de 1922, morreu em 1984, e teve sua produção realizada entre as datas de 1951 até 1980. Entre suas obras de dramaturgia que mais se salientaram, temos “A moratória”, de 1954, “A escada”, 1960, “Os ossos do barão”, de 1962, e sendo que estas duas foram a seguir agrupadas em uma só produção televisiva, sob o título de “Os ossos do… Continue a ler »A Moratória, de Jorge Andrade