Platão, Vº século a. C. –  IVº século a. C.

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Platão, Vº século a. C. –  IVº século a. C.

 

Platão nasceu em Atenas, há vinte e cinco séculos, mais precisamente, no ano de 428 a. C, e morreu em 348 a. C.; viveu, pois, oitenta anos, o que era bastante, para a época; mas de uma coisa podemos ter certeza: sua obra perdura até hoje e seu pensamento norteia nossa vida social, mesmo que ignoremos tal fato; sua produção intelectual é um dos pilares de nossa construção civilizatória; sua importância é inquestionável em nossa progressão humana porque tudo que Platão fez foi engrandecer o assim chamado “ser humano”. Platão é geralmente considerado como um dos primeiros filósofos ocidentais, e até, não poucas vezes, como o inventor da filosofia, tal o alcance de seu renome e de sua genialidade. Ele é um filósofo da época da antiga Grécia clássica, contemporâneo da democracia ateniense e dos sofistas, os quais, particularmente, ele criticava, devido ao fato de que aqueles produziam uma retórica ou argumentação sobre uma lógica falaciosa ou enganosa. Platão retoma o trabalho filosófico de seus predecessores, especialmente o de Sócrates, de quem foi discípulo, assim como os de Parmênides, Heráclito e Pitágoras, a fim de elaborar seu próprio pensamento. Seu trabalho pessoal explora a maioria de campos importantes, como a metafísica e a ética, a estética e a política. Sua obra, composta quase que exclusivamente de diálogos, produz as primeiras formulações clássicas dos principais problemas da história da filosofia ocidental. Platão escreveu aproximadamente trinta e cinco diálogos, os quais são tradicionalmente divididos em três grandes grupos, a saber, os diálogos socráticos, mais breves, os diálogos intermediários, marcados por vastos esquemas metafísicos, como a “República” e o “Banquete”, e os diálogos tardios, tendo como exemplo, as “Leis”. Cada diálogo de Platão apresenta-se como a oportunidade de interrogar um determinado assunto, por exemplo, a beleza ou a coragem; ele aí desenvolve o método oriundo de seu mestre, Sócrates, chamado “maiêutica”, ou seja, o “parto”, porque através da multiplicação de perguntas ele induz seu interlocutor – ou discípulo – a descobrir suas próprias verdades e, finalmente, a chegar à conceituação geral daquele assunto; dessa forma, as ideias são “paridas” no curso do diálogo. Platão desenvolve uma reflexão em que as Ideias são Formas imutáveis, sendo a Forma suprema aquela chamada de Bem e, eventualmente, de Belo; sua filosofia política considera que a Cidade justa deve ser construída segundo o modelo do Bem. Destacamos, por outro lado, que o pensamento platônico não é monolítico, ou seja, não esgota-se em somente um bloco, ao contrário, quando lemos seus diálogos, notamos que uma parte deles termina em questões abertas, à vezes não há soluções definitivas nem únicas, o que não impede seu desenvolvimento racional em busca de uma resposta ou de uma formatação adequada ao assunto. Em 387 a. C., Platão funda, em Atenas, sua escola chamada Academia, sendo considerada por muitos autores como a primeira universidade do Ocidente; nesta instituição, o ensino das ciências exatas prepara ao estudo da filosofia, tanto em sua visão desinteressada quanto sendo esta a base para suas aplicações políticas. Filósofos ilustres são formados na Academia e, dentre eles, destaca-se Aristóteles, aluno de Platão que ali permaneceu como tal, por vinte anos. Platão afirmava não ter inventado nada, que só seguira a tradição de pensadores precedentes a ele, mas sabemos que ele fez desses sistemas anteriores uma síntese superior, tendo herdado – especialmente de seu mestre Sócrates –  e também ampliado os ensinamentos que ele utiliza e os quais transfere a seus acadêmicos – particularmente a seu seguidor Aristóteles. Este último inaugura a definição da filosofia como o “amor à sabedoria”, sendo ainda compreendida como a busca do saber por ele mesmo, a interrogação sobre o mundo e a ciência das ciências. Quando da morte de Platão, este ali foi exumado, e sua Academia subsiste por nove séculos, até o reinado do imperador bizantino Justiniano, em 529. No início de nossa exposição, afirmamos que a obra platônica foi vasta porque abrangeu temas da metafísica, da ética, da estética e da política; pois bem, atendo-nos a cada um desses setores do conhecimento, sabemos que a metafísica aponta o conhecimento do mundo, das coisas, dos acontecimentos e de seus processos de desenvolvimento, independente da experiência sensível; foi Aristóteles, na Academia, que a definiu assim, pela primeira vez, como a “filosofia primeira”, “primeira em importância e dignidade”. Quanto à ética, esta é uma disciplina filosófica que trata dos julgamentos morais, ela é uma reflexão fundamental sobre o fato de que todos os povos, todas as criatura humanas podem estabelecer suas normas, seus limites e seus deveres; como vimos, ela também foi inicialmente estudada na Academia, e de lá Aristóteles nos ensina que a ética tem por objetivo definir o que “deve ser”, pensamento este posteriormente ampliado por Kant, já no século XVIII. Referente à estética, esta foi tratada como a noção do belo, enquanto conhecimento sensorial que nos permite perceber o belo como oposição àquilo que se apresenta em desequilíbrio com a natureza. Finalmente, quanto à política, ela designa a organização ou a autogestão de uma cidade e igualmente o exercício do poder nessa sociedade organizada; nesse setor, a principal obra de Platão é a “República”, um de seus diálogos mais conhecidos, o qual trata da justiça para com o indivíduo dentro da Cidade; além disso, nele, Platão faz a crítica da democracia que pode degenerar em demagogia e em tirania por causa do atrativo que exerce o prestígio do poder. Encerrando nosso modesto texto, como vemos, os séculos passam e os ensinamentos de Platão permanecem, amparam discussões científicas e diálogos racionais e até alertam-nos para situações semelhantes àquelas já vividas – e repetidas – há tanto tempo. Sempre é bom observar que a forma de “diálogo” adotada por esse filósofo, significa conversação, exposição de raciocínios – até opostos – entre duas pessoas ou mais; “dia” quer dizer “entre”, e “logos” expressa a “palavra, o discurso”; segundo sua etimologia, esta palavra designa um “discurso mantido entre diferentes pessoas”. Só resta a nós colocá-lo em prática, e discutir sobre nossos sentimentos, nossa vida, nossa sociedade, em termos lógicos: sejamos inteligentes e tornemo-nos “discípulos” modernos desse pensador atemporal!

 

 

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