Cartas de amor – As “Cartas portuguesas” de sóror Mariana Alcoforado

Cartas de amor As “Cartas portuguesas” de sóror Mariana Alcoforado   As “Cartas de amor” a que nos referimos são aquelas escritas – provavelmente – pela sóror Mariana Alcoforado, em pleno século XVII e mais precisamente, publicadas em 1669. Elas consistem em cinco cartas de amor, todas curtas e cujo conteúdo permite transparecer uma paixão incondicional da jovem freira, a qual sofre desesperadamente com a distância de seu amado. Explicamos a situação: Mariana nasceu em 1640 e ela tem menos de onze anos de idade quando é obrigada, por decisão de sua família de renome, a entrar para o convento da localidade de Beja, no sudeste de Portugal; ela é admitida na clausura da Ordem de Santa Clara, a fim de ficar a salvo do brutal conflito provocado, então, pela guerra entre Portugal e Espanha; sem ter nenhuma inclinação religiosa, ela foi assim destinada a uma vida enclausurada até o… Continue a ler »Cartas de amor – As “Cartas portuguesas” de sóror Mariana Alcoforado

Manoel de Barros, 1916-2014 – A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.

Manoel de Barros, 1916-2014 A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.   Manoel de Barros é um dos maiores poetas brasileiros, recebeu treze prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis, o primeiro em 1989, com o livro “O guardador de águas” e o segundo em 2002, com sua obra “O fazedor de amanhecer”. Nasceu em Cuiabá, desde pequeno escreveu poemas, sua primeira obra publicada leva o título de “Poemas concebidos sem pecado”; formou-se em Direito no Rio de Janeiro, foi membro da Academia Sul-mato-grossense de letras, chegou a morar em outros países tais como Bolívia, Peru e Estados Unidos; viveu um bom tempo em Nova York, onde dedicou-se a fazer um curso de artes plásticas e outro de cinema. Voltando à pátria, além de ser o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários, seu colega Carlos Drummond de Andrade, enquanto ainda escrevia, recusou… Continue a ler »Manoel de Barros, 1916-2014 – A poesia está guardada nas palavras – é tudo que eu sei.

Aristóteles – Classe de filosofia – Nº3

Aristóteles – Classe de filosofia – Nº3   Neste trecho do extenso saber do mestre Aristóteles, dedicamo-nos à política – ou – a maneira como, segundo ele, deveria ser organizada a cidade, em grego, πόλις, polis. Como já vimos em nossa classe anterior, o homem é por natureza um animal político, a saber, o indivíduo não pode encontrar  seu bem ou a sua felicidade independentemente de sua sociabilidade. A “cidade” e a política que a sustenta constituem, ambas, as condições necessárias à felicidade humana. Por princípio, a sociedade serve ao homem não somente para ele ali viver, mas também para ele ali bem viver. A sociedade ou a cidade  que sustentamos e que nos sustenta, por sua vez, ela não é somente um agrupamento para evitar um mal, ou para a troca de serviços entre as pessoas; essa situação não representa, tampouco, um agrupamento de pessoas que dividem as funções… Continue a ler »Aristóteles – Classe de filosofia – Nº3

Monteiro Lobato, nosso escritor do futuro

Monteiro Lobato, nosso escritor do futuro   Nosso querido contador de histórias infantis foi um futurista há quase cem anos. José Bento Monteiro Lobato nasceu na cidade de Taubaté, interior do estado de São Paulo em 1882, e faleceu na capital do mesmo estado em 1948, vitimado por tuberculose. Formado em direito, chegou a ser promotor público. Graças a uma herança deixada por seu avô, conseguiu com o tempo viabilizar seus projetos literários. Dedicado integralmente à literatura, foi contista, ensaísta, tradutor, editor e romancista. Cultivou também a fotografia e a pintura. Suas obras completas perfazem uma coleção de trinta volumes, sendo que dezessete deles são dedicados à literatura infantil. Foi um dos proprietários da Companhia Editora Nacional, tornando-se uma das personalidades literárias mais importantes do Brasil, até meados do século passado. Também passou a vida engajado em lutas pela modernização do país, como a exploração do petróleo e do ferro;… Continue a ler »Monteiro Lobato, nosso escritor do futuro

Aristóteles – Classe de filosofia – Nº2

Aristóteles – Classe de filosofia – Nº2 Retomamos nossas considerações sobre Aristóteles e desta vez, vamos explorar um pouco sua concepção sobre ciência, ao mesmo tempo em que se instala uma preciosa querela entre este sábio e seu mentor Platão. Inicialmente, Aristóteles distingue cinco virtudes intelectuais: a técnica – ou – arte, o conhecimento – ou – ciência, a sabedoria, a prudência e a inteligência. Entretanto, esta episteme ou conhecimento verdadeiro, de natureza científica, não corresponde à noção de ciência moderna porque ela não inclui a experimentação. Enquanto o conhecimento científico é considerado como a ciência das verdades eternas, já a técnica e a arte se consagram ao que o homem desenvolve, a sua produção. Além disso, enquanto a ciência deve ser aprendida em uma escola, por outro lado, a técnica vem da prática e do hábito. Prosseguindo: para Aristóteles, a ciência utiliza a demonstração como um instrumento de pesquisa;… Continue a ler »Aristóteles – Classe de filosofia – Nº2

Nélida Piñon e o passado afetivo

Nélida Piñon e o passado afetivo   Nélida Piñon deixou-nos há pouco mais de dez dias. Ela viveu de 1937 a 17 de dezembro de 2022, foi uma escritora brasileira com nacionalidade também espanhola; ocupou a cadeira número trinta como membro da Academia Brasileira de Letras, foi a primeira mulher que chegou a ser presidenta da mesma Academia, em 1996; participou da Academia Real de Espanha e da Academia Mexicana, em 2003 foi distinguida pelo Prêmio Internacional Menéndez Pelayo, em 2005, recebeu o Prêmio Jabuti, no Brasil, e ainda no ano de 2005 obteve o prêmio Príncipe de Astúrias, de Espanha, pelo conjunto de sua obra; esse galardão é outorgado pelo príncipe herdeiro de Espanha com o objetivo de honrar o trabalho cultural, científico, social e humano de autores ou instituições que enobrecem a humanidade. Já em 2007, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Autônoma do México,… Continue a ler »Nélida Piñon e o passado afetivo

Aristóteles – “Aristos, o melhor”, e “telos, realização” – Classe de filosofia – Nº 1

Aristóteles “Aristos, o melhor”, e “telos, realização” Classe de filosofia – Nº 1   Este pensador acima nomeado é um dos pilares de nossa civilização ocidental (mesmo que uma certa parcela dos contemporâneos talvez não o reconheçam assim). Aristóteles viveu no século IV a.C., entre os anos de 384 e 322; ele foi um filósofo grego e um polímata, alguém com grande alcance cogntivo e conhecedor de muitos ramos das ciências. Ele foi discípulo de um outro influente pensador grego, Platão; Aristóteles freqenta a Academia de Mestre por uma longa temporada, onde desenvolve quase todas as áreas do conhecimento de sua época: biologia, física, metafísica, lógica, poética, política, retórica, ética e, ocasionalmente, economia. Até então, a filosofia era originalmente conhecida como “amor à sabedoria”, mas a partir do entendimento de Aristóteles, ela é compreendida em sentido mais amplo como a busca do conhecimento por si mesmo, onde se impõe o… Continue a ler »Aristóteles – “Aristos, o melhor”, e “telos, realização” – Classe de filosofia – Nº 1

“Ser homem é precisamente ser responsável” – Antoine de Saint-Exupéry

“Ser homem é precisamente ser responsável” Antoine de Saint-Exupéry   Este comprometimento humanista é o que nos ensina o escritor, poeta, aviador e repórter chamado Antoine de Saint-Exupéry, o qual nasceu em 1900, em Lyon, no sudeste de França, e desapareceu na costa de Marselha, ao sul, no ano de 1944, em serviço de reconhecimento aéreo para seu país em guerra. O autor nasce em uma família da nobreza, passa uma infância feliz, é educado em colégios jesuítas, e desde muito jovem demonstra tendência às aventuras e à composição de textos. Logo após a conclusão do ensino médio, aos dezessete anos de idade, ele pensa no concurso para a Escola Naval, mas não é bem-sucedido, o que o faz orientar-se para o curso de Arquitetura. A seguir, esta tendência é interrompida quando seu serviço militar possibilita que ele se torne piloto; assim, Saint-Exupéry engaja-se como piloto de guerra, em 1922.… Continue a ler »“Ser homem é precisamente ser responsável” – Antoine de Saint-Exupéry

Adélia Prado – “O poder humanizador da poesia”

Adélia Prado “O poder humanizador da poesia”   Daqui a um mês, nossa Adélia Prado festejará seus oitenta e sete anos. Ela nasceu em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, cidade localizada no centro-oeste de Minas Gerais e a somente 120 km distante da capital, Belo Horizonte. A autora é poetisa, professora, filósofa, romancista e contista, e sua produção é ligada ao chamado movimento modernista de 1922, a saber, quando diversos autores e de múltiplas tendências artísticas propõem reformar aquela cultura considerada ultrapassada, em busca de uma arte atualizada e mais próxima da espontaneidade cultural. É por aí que vamos descobrir a literatura de Adélia, e encantar-nos com ela. Sua obra retrata o cotidiano com perplexidade e arrebatamento, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características de seu estilo único. Em 1975, envia o manuscrito de sua coletânea “Bagagem” para a coluna de crítica literária… Continue a ler »Adélia Prado – “O poder humanizador da poesia”

Nosso hospício do Bacamarte

Nosso hospício do Bacamarte   Joaquim Maria Machado de Assis, considerado por muitos especialistas como o maior nome da literatura brasileira e um dos mais respeitáveis autores da língua portuguesa, apresenta-nos um conto – dentre seus múltiplos – o qual nos faz mergulhar em um tema de abusos políticos e de interesses pessoais; imaginem só se tal situação é viável! Sim, com efeito, o autor do século XIX – ele viveu entre 1893 e 1904 – conta-nos a história do Dr. Bacamarte (somente seu nome já é um excesso, considerando-se que ele significa uma antiga arma de fogo de cano largo, ou ainda uma pessoa gorda e inepta, e cujo sentido é sempre pejorativo). Pois bem, continuando, ou melhor, começando nossa trama, o texto leva por título “O Alienista” e foi publicado em 1882, quando aparece incorporado à coletânea de contos “Papéis Avulsos”. Destacamos que, à época, alienista era o nome… Continue a ler »Nosso hospício do Bacamarte