Qual é o seu nome?

Qual é o seu nome?   Quem nos pousa esta questão é, nada mais nada menos que o Sr. José, funcionário da Conservatória Geral do Registro Civil: e atentem que somente ele possui a chave de todos os nossos nomes, e que igualmente só ele tem um nome de batismo! Por outro lado, nós não sabemos mais como nós chamamos; existimos, mas não somos ninguém, em outras palavras, tudo o que fazemos é inútil, sobrevivemos, mas sem qualquer significado! Esta é a chave do romance de José Saramago intitulado “Todos os nomes”: creio que o único prenome do livro acaba sendo um ardil do autor para com seus leitores, para que estes busquem compreender o trabalho do empregado e que, finalmente, as pessoas consigam fazer jus a seus nomes. Daqui em diante, vamos expor nosso texto de maneira mais linear; primeiramente, sobre nosso autor: José Saramago é um escritor português,… Continue a ler »Qual é o seu nome?

As contradições do amor segundo Camões

As contradições do amor segundo Camões   Luiz Vaz de Camões é um poeta nacional de Portugal, considerado como uma das maiores figuras da literatura de língua portuguesa de todos os tempos e um dos grandes poetas da tradição ocidental; ele viveu no século XVI, aproximadamente entre os anos de 1524 e 1580; nasceu em Lisboa, quando jovem, estudou num convento e mais tarde se tornou professor de história, geografia e literatura. O poeta chegou a entrar no curso de Teologia, mas acabou por desistir da empreitada e por fim, ingressou no curso de Filosofia. Camões percorreu várias terras, teve uma vida atribulada, fez a guerra e assistiu às conquistas marítimas do grande império português na aquisição de colônias; após sua atuação militar, ele regressou a Lisboa, onde voltou a ter sua vida boêmia e com complicações; mas foi durante essa nova – e definitiva temporada na capital portuguesa –… Continue a ler »As contradições do amor segundo Camões

A beleza da Florbela – Florbela Espanca, 1894 – 1930

A beleza da Florbela Florbela Espanca 1894 – 1930   Batizada como Flor Bela Lobo, autonomeada Florbela d’Alma da Conceição Espanca, quando muito jovem, e finalmente reconhecida como poetisa – ou poeta – Florbela Espanca! Aí alcançamos uma das maiores autoras da literatura portuguesa moderna, tendo sido especialmente celebrada por seus sonetos. Sua vida de apenas trinta e seis anos foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, os quais a autora soube transformar em poesia da mais alta qualidade, carregada de questões existenciais, de feminilidade e de panteísmo. Nasceu em Vila Viçosa, Portugal, na fronteira com a Estremadura, em Espanha, lá conheceu as primeiras letras e com sete anos começou a escrever poemas. Em 1908, ficou órfã de mãe e passou a ser criada pelo pai, João Maria Espanca, pela madrasta e pelo meio-irmão, Apeles. Mais adiante, frequentou o Liceu de Évora, sendo esta cidade o quinto… Continue a ler »A beleza da Florbela – Florbela Espanca, 1894 – 1930

A pergunta do Drummond e a resposta do Milton

A pergunta do Drummond e a resposta do Milton   Hoje vamos buscar alento em duas obras de dois autores diferentes, um poeta e outro músico; quando os escutamos eles nos transmitem força, parece que recuperamos o fôlego que nos falta para continuarmos. Referimo-nos a Carlos Drummond de Andrade e a Milton Nascimento. Drummond é respeitado como um dos maiores poetas da língua portuguesa, e Milton é pautado como um compositor mundialmente renomado. Carlos Drummond nasce em Itabira, em 1902, e morre no Rio de Janeiro, em 1987. Foi poeta, contista, cronista e farmacêutico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais; igualmente foi um dos principais poetas da segunda geração do modernismo brasileiro, embora sua obra não se restrinja a formas e temáticas de movimentos específicos: os temas de sua obra são vastos e empreendem desde questões existenciais, como o sentido da vida e da morte, passando por questões cotidianas,… Continue a ler »A pergunta do Drummond e a resposta do Milton

O humanismo de Montaigne

O humanismo de Montaigne   Michel de Montaigne é um filósofo, humanista e moralista que nasceu e morreu na região de Dordonha, no sudoeste de França, entre 1533 e 1592. Viveu no castelo que posteriormente levará seu nome, sendo ele descendente de uma abastada família de negócios de Bordeaux, não distante de sua morada. Seu bisavô adquire as terras e o título que serão herdados por seus familiares, e seus progenitores terão oito filhos, dentre os quais o primogênito Michel. Este foi favorecido por uma refinada educação caseira, durante seus primeiros quinze anos de vida, recebendo aulas de gramática, matemáticas e de latim, língua de sua corrente expressão diária. Adolescente, ingressa no Colégio de Bordeaux, onde distingue-se por sua inteligência na prática da discussão e do duelo retórico. Após seus estudos de direito, ele torna-se conselheiro no Tribunal de sua região, onde permanece por quinze anos; casa-se em 1565, tem… Continue a ler »O humanismo de Montaigne

Cientista brasileiro – Oswaldo Cruz, 1872 – 1917

Cientista brasileiro Oswaldo Cruz, 1872 – 1917   Nome completo, Oswaldo Gonçalves Cruz, conhecido internacionalmente como Oswaldo Cruz, nasceu no interior de São Paulo e morreu na cidade imperial de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Ele foi inicialmente médico, depois tornou-se bacteriologista, especializou-se como epidemiologista e, finalmente, exerceu a função pioneira de sanitarista, no Brasil. Como médico, ocupou-se da saúde humana,  tratando e curando doentes, como bacteriologista, ele estudou as bactérias que provocam graves enfermidades nas pessoas, e como epidemiologista, consagrou-se ao estudou da distribuição dos fenômenos de saúde e doença, de seus fatores condicionantes e determinantes, e dos contágios que atingem muitas pessoas, em um certo território e durante um determinado período. Quanto a sua função de sanitarista, Oswaldo Cruz foi o pioneiro a exercer os cuidados de saúde pública com o objetivo de proporcionar a nós, brasileiros, um estado de boa disposição física e psíquica. Por… Continue a ler »Cientista brasileiro – Oswaldo Cruz, 1872 – 1917

Nós somos múltiplos – Fernando Pessoa

Nós somos múltiplos Fernando Pessoa   Cada um de nós, apesar de sermos uma só pessoa, carregamos algumas outras conosco. E não, não estamos loucos, estamos, isso sim, explorando um pouco de nossas possibilidades criativas. Nós temos vários escaninhos em nossas mentes e em nossos pensamentos; alguns nem chegam à superfície, coitados, enquanto outros conseguem manifestar-se alegremente por estarem, enfim, apresentando-se no chamado “mundo real”: “Ah, finalmente!…” Mas não se preocupem, não procederemos a nenhuma análise ao vivo, frente aos leitores. Nosso texto de hoje dedica-se a descobrir, modestamente e na medida do possível, os pequenos compartimentos da genialidade do escritor português Fernando Pessoa. O autor nasce em 1888, em Lisboa, e morre em 1935, na mesma cidade; ele foi essencialmente um poeta, mas foi igualmente filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político lusitano, e sendo considerado como o mais universal poeta… Continue a ler »Nós somos múltiplos – Fernando Pessoa

O que nos ensinam as fábulas?  

O que nos ensinam as fábulas?   Uma fábula é uma história alegórica de onde se retira um ensinamento moral. Muitos desses textos vêm dos relatos mitológicos da Antiguidade, isto quer dizer, desde tempos imemoriais até a queda do Império romano do Ocidente, no século V de nossa era, quando muitos autores se dedicam a produzir obras do gênero. A alegoria que está na base da fábula corresponde ao modo de expressão ou à interpretação dos pensamentos, das ideias figuradas que não existem na realidade e, assim sendo, um mito não deixa de ser uma “mentira” – bem-intencionada, é óbvio – que queremos utilizar em uma fantasia, para criar uma coisa fabulosa e, em geral, através de versos ou prosas muito bem elaborados. As fábulas podem ensinar-nos um preceito moral, além de nos ensinarem como escrever bem. Ressaltamos que a intenção dos fabulistas foi sempre a melhor, foi a de… Continue a ler »O que nos ensinam as fábulas?  

O cinismo de Diógenes

O cinismo de Diógenes   Quem foi Diógenes? Um filósofo que viveu entre 413 e 327 antes de Cristo, nasceu em Sinope, atualmente uma cidade ao Norte da Turquia e à beira do Mar Negro, foi discípulo de Sócrates e foi contemporâneo de Platão e de Aristóteles, com os quais compartilhou ensinamentos filosóficos. À época, Diógenes de Sinope, como era conhecido, ou simplesmente Diógenes, foi profundamente influenciado pela escola do cinismo, e tornou-se um filósofo sem domicílio fixo, errava pelas cidades e preferia viver dentro de um tonel porque assim sentia- se mais livre para expor seus pensamentos. A tradição atribui ao pensador uma numerosa produção literária e filosófica, mas grande parte de sua obra parece ter sido perdida, e algumas retomadas por outros autores; somente quatro títulos são reconhecidos: três tragédias e um texto filosófico, o “Tratado dobre o amor”. Avançamos, e perguntamos: o que é o cinismo? É… Continue a ler »O cinismo de Diógenes

Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888

Eça de Queiroz, 1845 – 1900  Os Maias, 1888   Eça de Queiroz é um escritor, romancista, contista, poeta, advogado e diplomata português; nasceu em uma pequena cidade no Norte de Portugal e morreu na França, em sua casa, na região parisiense. Após concluir os estudos na província natal, ingressou na Universidade de Coimbra, onde formou-se em Direito, e começou a publicar seus primeiros trabalhos como escritor na revista “Gazeta de Portugal”. Posteriormente à formatura, mudou-se para Lisboa, onde trabalhou como advogado e jornalista. Iniciou a carreira diplomática em 1870 e trabalhou em diversas cidades, até se mudar para Paris e casar-se. Os anos mais produtivos de sua carreira literária vão de 1874 a 1878, quando trabalhou na Inglaterra como diplomata. Com grande senso de observação, Eça de Queirós desmistificou a hipocrisia e o falso moralismo dos costumes sociais. Optando por utilizar a linguagem corrente de Lisboa, Eça renovou a… Continue a ler »Eça de Queiroz, 1845 – 1900 – Os Maias, 1888