As Meninas de Velázquez – Diego Velázquez (1599-1660) – “As Meninas” (1656)

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As Meninas de Velázquez – Diego Velázquez (1599-1660) – “As Meninas” (1656)

Velázquez é considerado um dos principais representantes da pintura espanhola e um dos mestres da pintura universal. Passou os primeiros anos de sua vida em Sevilha, no sul da Espanha, aos 24 anos de idade instalou-se em Madrid, onde foi nomeado pintor do rei Felipe IV (1605-1665), e quatro anos depois torna-se “pintor da corte”, o que significa, à época, ser o artista encarregado de retratar os membros da família real ou ainda algumas famílias da nobreza. Como superintendente das obras realizadas no castelo real, o pintor tem acesso a diversas telas adquiridas na Itália, assim como esculturas da antiguidade, o que enriquece muito a coleção palaciana e a própria cultura da corte. Nos últimos dez anos de vida, seu estilo tornou-se mais esquemático e o pintor chegou a dominar perfeitamente a luminosidade em seus trabalhos. Seu catálogo contém aproximadamente 125 obras, entre pinturas e desenhos. Velázquez atinge o mais alto grau da fama entre o final do século XIX e o início do século XX, no período que coincide com o sucesso da corrente impressionista, quando o pintor Manet, grande admirador de sua obra, qualifica Velázquez como o “pintor dos pintores”, ou ainda como “o maior pintor que já existiu”. A maioria de suas telas, as quais faziam parte da coleção real, é conservada no museu do Prado, em Madrid. Entre seus maiores trabalhos, destaca-se, seguramente, a tela “As Meninas”, realizada em 1656; “menina” é um termo que vem da corte portuguesa, e significa jovem serviçal da infanta, ela é acompanhante da princesa; na época da realização dessa pintura, Portugal encontrava-se anexado à coroa espanhola (de 1580 a 1640), e as filhas das grandes famílias portuguesas eram prestigiadas quando aceitavam esse privilégio de serem as companheiras das infantas espanholas. No caso, trata-se da infanta Margarida Teresa, filha de Felipe IV e de sua segunda esposa, Mariana de Áustria; o quadro é de grandes dimensões, tem 318 cm de altura por 276 cm de largura, e pode ser apreciado no museu do Prado, em Madrid. A composição complexa e enigmática da tela interroga a relação entre realidade e ilusão, e cria um vínculo ambíguo entre quem olha a tela e os personagens que ali estão retratados. A possibilidade de interpretações diversas faz com que essa seja uma das obras mais comentadas da história da pintura ocidental. A tela retrata uma grande peça do palácio real, onde encontram-se diversos personagens da corte; no centro da tela, encontra-se a infanta Margarida, assistida por duas meninas, a sua direita, na tela, está uma anã, e um menino italiano diverte-se, colocando seu pé sobre um cachorro que está sentado. Atrás deles, Velázquez representa-se no ato de pintar, olhando para além do quadro, como se ele olhasse diretamente o observador da tela. Um espelho, mais atrás, em segundo plano, reflete as imagens da rainha e do rei, talvez eles estejam observando a pintura, ou mesmo sendo também ali retratados; pelo jogo de imagem espelhada, o casal real parece mais estar fora da pintura, como espectadores. Ao fundo, o camareiro real, alto funcionário da corte, está subindo uns degraus e afasta uma cortina que se abre sobre um espaço vazio. Mais atrás, na penumbra, descobrimos uma dama de companhia e um segurança, e ainda, em terceiro plano, mal podemos identificar uma coleção de quadros pendurados na parede do palácio. O que nos intriga, nessa pintura, é que os olhares da infanta, do pintor, da anã, de uma das meninas e do funcionário à porta, e mesmo do cachorro, dirigem-se todos ao espectador que observa a tela, ou seja, nós, ocupando, assim, o ponto de foco onde deveriam encontrar-se os soberanos. O que Velázquez pinta está fora de seu alcance, fora da tela, mas encontra-se no espaço real do espectador; assim fazendo, o pintor integra esses dois limites, confundindo o espaço real do espectador com o primeiro plano da tela, e criando a ilusão de continuidade entre um e outro. Como ele o consegue? Pela forte iluminação do primeiro plano e o tom neutro e até escuro da penumbra uniforme e dominante de todo o resto do quadro. A tela que Velázquez está pintando, essa é uma tela que nós, espectadores, não vemos, mas sim, nós é que somos vistos e, possivelmente, até analisados pelos personagens ali dispostos. O centro dessa obra é simbolicamente ocupado pelo soberano, o rei Felipe IV, e sua esposa, mas deve-se constatar que uma tripla função aí ocupa também seu espaço. A esse ponto central sobrepõe-se o olhar do modelo no exato momento em que é retratado, e ainda o olhar do espectador que contempla a cena, e, finalmente, o olhar do pintor no momento em que ele compõe o quadro; esse pintor que está frente a nós e do qual podemos afirmar que seu quadro, essa representação da natureza ou criação artística aconteceu como pura representação, estando ali perenizado seu criador.

 

 

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