Música e Ópera
Da música instrumental ao drama operístico
Primeira parte: Johann Sebastian Bach
Nenhuma outra forma de arte nos faz ascendermos a um grau de satisfação espiritual e mesmo de apaziguamento harmonioso como a música. Talvez seja por isso que, na Grécia antiga, a música era considerada o conjunto de todas as artes; música significava a reunião dos trabalhos das musas; a palavra vem do grego mousikê, de mousê, «musa». As musas eram, por definição, as nove deusas que forneciam inspiração aos poetas, e entre elas, destacamos Euterpe, a “doadora de prazeres”, a entidade dotada de características divinas cuja função era estimular o aparecimento da beleza através da música. Mais de vinte séculos depois, nasce praticamente no coração da Alemanha, especificamente em Eisenach, mais um jovem na família de músicos, os Bach; esse é Johann Sebastian Bach, organista, cravista e compositor, que viveu de 1685 a 1750, quando morreu em Leipzig. Sua carreira desenvolveu-se inteiramente na Alemanha central, a serviço de pequenas comunidades e de cortes menos importantes, e ainda, ao final, no conselho municipal de Leipzig, o qual não lhe manifestava grande consideração; por outro lado, obteve suficiente reconhecimento por parte do soberano Frederico II da Prússia, chamado Frederico o Grande (1712-1786); esse era um soberano dotado de educação e cultura suficientes para identificar em Bach a genialidade de sua obra. Sua música diferencia-se das demais da tradição ocidental; em um momento de escolha das principais tradições musicais europeias, ele operou uma síntese muito inovadora para seu tempo. Mesmo que o compositor não tenha criado formas musicais novas, ele pratica todos os gêneros existentes a sua época, com exceção da ópera, e em todos esses estilos, suas composições mostram uma qualidade excepcional em invenção melódica, em desenvolvimento de contraponto, em conhecimento harmônico, em lirismo inspirado de uma profunda fé cristã. A música de Bach realiza o equilíbrio perfeito entre o contraponto e a harmonia, antes que isso aconteça a partir da metade para o fim do século XVIII. Particularmente, Bach é o grande mestre da arte da fuga, do prelúdio coral, da cantata religiosa e das suítes que ele elevou ao mais alto nível de perfeição. Quando vivo, Bach foi pouco conhecido fora da Alemanha, mas foi plenamente redescoberto pela comunidade artística e cultural europeia, no século XIX; tal revalorização de sua obra começou a partir de 1829, quando o jovem regente e compositor Felix Mendelssohn arranjou e regeu o oratório “Paixão de Cristo segundo São Mateus”, de Bach, em Berlim. O sucesso dessa apresentação, a primeira desde a morte de Bach, foi de grande importância para que sua música voltasse a ser tocada na Alemanha e, depois, em toda a Europa. Sua obra compreende mais de mil composições e é geralmente considerada como o resultado e o coroamento da tradição musical barroca. Segundo alguns músicos, Johann Sebastian Bach é, em nossa época, considerado como um dos grandes compositores de todos os tempos, se não é o maior dentre todos.
A seguir, vamos esclarecer alguns termos utilizados acima, para melhor compreensão do texto.
Contraponto é a composição musical que sobrepõe melodias diferentes, para serem executadas ao mesmo tempo; é o conjunto de técnicas composicionais da polifonia, da simultaneidade melódica.
Harmonia, em música, é o fato de diversos sons serem percebidos como um conjunto e que vão bem, juntos; eles concordam, e a música da qual esses sons participam nos parece harmoniosa; na música ocidental, a arte da harmonia estuda a construção dos acordes.
Lirismo corresponde à exaltação do espírito, à expressão viva de sentimentos.
Fuga, em música, é uma forma de escrita musical, nascida no século XVII, cujo nome vem do latim, «fuga»; trata-se de uma composição inteiramente fundada sobre esse procedimento, «fugir», porque quem ouve tem a impressão de que o tema da música foge de uma voz à outra; é uma forma de composição das mais exigentes, explorando os recursos do contraponto e o princípio da imitação (quando uma melodia se repete nas diferentes vozes).
Prelúdio coral é uma pequena composição litúrgica, instrumental para órgão, usada como introdução para o canto congregacional, na Igreja Luterana.
Cantata é uma composição vocal-instrumental, predominantemente religiosa, com diversos movimentos ou andamentos, isto é, velocidades.
Suíte é uma composição instrumental feita de uma sequência de movimentos de caráter diverso.
Música barroca considera-se aquela produzida entre o século XVII até a morte de Bach, em 1750; seus compositores e intérpretes realizaram composições mais elaboradas, desenvolveram técnicas instrumentais novas, assim como novos instrumentos; inúmeros termos e conceitos deste período ainda são usados até hoje.
Continuaremos nossas considerações musicais nas próximas colunas. Boa semana a todos e boa música!
