Palavras que ensinam
O título de nossa troca de ideias de hoje, “Palavras que ensinam”, pode ser tranquilamente substituído por “Palavras que mostram”, e em seguida veremos por quê.
Ensinar significa mostrar, assinalar, indicar o que deve ser apreendido ou aprendido, enfim. Ensinar é transmitir a uma pessoa conhecimentos e costumes de maneira que ela os compreenda e que os assimile, na expectativa de que esse aluno utilizará essas informações para seu crescimento intelectual e moral. Nessa situação, as palavras contemplam amplamente seu sentido original, a saber, “palavra” vem de “parabòla”, em latim, e este vocábulo vem do grego “parabolê”, significando “aproximação”, “comparação” ou troca de ideias (voltamos a elas!).
E como faremos para que os alunos compreendam ou aprendam o que é mostrado ou ensinado? Quanto aos costumes, esse aprendizado começa em casa; são os pais ou responsáveis aqueles que indicam o caminho correto a ser seguido, de acordo com seus padrões morais, e quando tal não acontece, é dever familial que essa trajetória seja corrigida. Mais adiante, quando já em idade apropriada, passamos ao exemplo habitual de situação em sala de aula. Esse é o momento em que o professor assume a formação de seus alunos. Sabemos que o professor é aquele indivíduo que ensina, qualificado etimologicamente, em latim, como “o que se dedica a” esse trabalho, é a pessoa que transmite conhecimentos de uma maneira habitual e organizada. Constatamos, a essa altura, que a educação é a dupla tarefa de transmissão de princípios éticos, ao mesmo tempo que cumpre seu papel de transferência de domínio intelectual.
Geralmente esse processo ocorre em ambiente escolar, e é exatamente aí que podemos acrescentar mais um importante propósito do ensino: a sociabilização dos educandos. Aqueles valores morais trazidos do lar e os preceitos éticos ensinados na escola, dos quais falamos acima, encontram aí o ambiente favorável para sua posta em prática e seu aperfeiçoamento. O tripé do bom relacionamento social instala-se nesse estágio inicial de seu desenvolvimento, a saber, trabalhar em grupo, escutar o que o outro me diz e aceitar, mesmo que não seja igual ao que eu penso. Quando se pratica essa dupla aproximação, intelectual e de caráter social, o diálogo pode ser estabelecido e as situações tendem a ser resolvidas mais facilmente. Poder-se-á dizer que esse procedimento é uma utopia, que não existe tal possibilidade na vida real. Pois é por isso mesmo que existe o local chamado escola, é lá que o professor deve praticar esse exercício de tolerância tendo como escopo fazer vingar plenamente a ética exigida para se viver bem em sociedade.
Para finalizar, impõe-se que se diga que a palavra “escola” vem do grego e nessa língua, escola tem o sentido original de “folga do trabalho”; explica-se: os gregos paravam o trabalho para ir à escola, aquele local onde discutiam sobre assuntos variados e apreendiam diversos conhecimentos. Aqui temos de entender o ócio como o tempo livre para o cultivo do espírito; enquanto o trabalho se move na esfera do necessário para a vida, o cultivo do ócio, por outro lado, põe em movimento a esfera do “livre”, da liberdade de espírito. Dessa forma compreendemos a diferença entre “viver” e “viver bem”, ou dito de outro modo, entre “sobreviver” e “viver”.
É essa a lição das palavras: elas nos indicam o caminho para o aperfeiçoamento cognitivo e social, elas se manifestam como a grande contribuição humana para o bom entendimento entre as pessoas; que se desfaçam as incertezas carregadas de ignorância e que se estabeleça a sabedoria da vida justa, repleta de racionalidade, equidade e respeito!
