O Auto da Barca do Inferno, 1517 – Gil Vicente, 1465-1536

O Auto da Barca do Inferno, 1517  Gil Vicente, 1465-1536   O “Auto da Barca do Inferno” é uma obra literária portuguesa do início do século XVI e seu autor é Gil Vicente, cujas datas de nascimento e de falecimento são aproximativas, o que não lhe subtrai em nada a importância de ser considerado o primeiro grande dramaturgo português e poeta de renome. Além de ter sido autor e, eventualmente, ator teatral, também desempenhava as tarefas de músico e encenador de suas peças. É considerado o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico, já que também escreveu em castelhano. Desempenhou, igualmente, a tarefa de mestre de Retórica do rei Dom Manuel I. A obra vicentina reflete a mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, na medida em que erige um verdadeiro inventário de um época em que as hierarquias e a ordem social foram regidas… Continue a ler »O Auto da Barca do Inferno, 1517 – Gil Vicente, 1465-1536

Luigi Pirandello, 1867-1936 – Seis Personagens à Procura de Autor, 1921

Luigi Pirandello, 1867 – 1936  Seis Personagens à Procura de Autor, 1921   “Seis personagens à procura de autor” é o título de uma tragicomédia de autoria do escritor italiano Luigi Pirandello. Uma tragicomédia, como o próprio nome indica, é uma representação teatral que contém elementos trágicos e, igualmente, passagens cômicas; esse tipo de teatro teve seu início com Aristóteles, no século IV a.C., depois progrediu durante o Renascimento europeu e, finalmente, foi revalorizado durante o século XX. Pirandello foi um intelectual brilhante, além de escritor também foi poeta, romancista e, sabemos, dramaturgo; sua obra foi recompensada com o Prêmio Nobel de Literatura em 1934. Nasceu na Sicília, o arquipélago e região localizados no extremo sul da Itália, em uma peque cidade chamada Caos, o que nos permite pensar em calamidade, confusão, desordem dos elementos naturais da vida. Entretanto, nada disso ocorre na vida pessoal do autor; ele foi um… Continue a ler »Luigi Pirandello, 1867-1936 – Seis Personagens à Procura de Autor, 1921

Octavio Paz, 1914-1998 – Autor libertário

Octavio Paz, 1914-1998 Autor libertário   Octavio Paz é um poeta, ensaísta e diplomata mexicano, considerado como um dos mais influentes autores do século XX e um dos maiores poetas de todos os tempos; obteve o Prêmio Nobel de Literatura em 1990 e o Prêmio Cervantes em 1981. Nasceu e morreu na Cidade do México, capital do país de mesmo nome; entretanto, durante boa parte de sua vida, percorreu diversos países e neles habitou por um certo período, seja devido a sua condição de diplomata, seja motivado por convites de autoridades ou ainda de reitores de universidades para proferir cursos de literatura. Já em meados de 1937, foi convidado a participar do Segundo Congresso Internacional de Escritores pela Defesa da Cultura, na Espanha, não em Madri, porque a cidade estava sob o regime franquista, mas em Valência, onde ainda se localizava a sede do governo republicano. Ainda em 1937, de… Continue a ler »Octavio Paz, 1914-1998 – Autor libertário

“Os Ratos”, de Dyonélio Machado

“Os Ratos”, de Dyonélio Machado   Hoje, vamos falar de um livro que, apesar de pouco comentado, tornou- se uma das obras mais importantes da literatura brasileira moderna, além de ter sido homenageado com o prestigioso prêmio Machado de Assis. Trata-se de “Os Ratos”, publicado em 1935 por seu autor, Dyonélio Machado, nascido em nosso estado, na cidade de Quaraí, em 1895, e formado médico psiquiatra pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre.  A capital é adotada pelo autor, aqui é sua morada e local de trabalho durante toda sua existência, até 1985, e é nessa cidade que ocorre a ação do romance. Nele, utiliza-se uma linguagem simples e  direta, poder-se-ia dizer, econômica, onde nem o sentimentalismo nem o entusiasmo estão presentes, mas sim a preocupação e a ansiedade do protagonista, Naziazeno, em obter os 53 mil réis que lhe faltam para quitar a dívida com o leiteiro que entrega… Continue a ler »“Os Ratos”, de Dyonélio Machado

Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas

Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas   Poesia, em grego antigo, é “poiein”, significa fazer, fabricar, construir: é um verbo, portanto; e verbo quer dizer a palavra que indica ação, situação ou mudança de estado; ela é elemento fundamental na expressão de um pensamento, na confecção de um diálogo. Nossa comunicação faz-se com palavras, com verbos, a partir dessa construção de ideias à qual chamamos, inicialmente, “poesia”. Já a palavra verso, por sua vez, expressa a linha de escrita ou ainda “virar” ou “dobrar”; mas por quê? Porque esta é uma metáfora que nos remete ao latim como idioma de agricultores: a comparação é com o ato de trabalhar a terra, quando o boi que puxa o arado completa um sulco e vira em sentido oposto para fazer outro paralelo a ele. Note-se que, em época do grego e do latim clássicos, escrevia-se até o fim da linha e… Continue a ler »Ida Vitale, Louise Glück – Dois poemas

Mario Vargas Llosa, 1936 – “Pantaleão e as Visitadoras”, 1973

Mario Vargas Llosa, 1936 “Pantaleão e as Visitadoras”, 1973   Jorge Mario Vagas Llosa, mais conhecido como Mario Vargas Llosa, é um escritor sul-americano que nasceu em Arequipa, no sudoeste do Peru, sendo esta a segunda cidade mais populosa do país. Além de peruano, ele conta também com a nacionalidade espanhola, desde 1993, e mais tarde, em 2011, foi-lhe concedido o título de marquês, pelo então rei João Carlos I. Vargas Llosa é considerado um dos mais importantes romancistas e ensaístas contemporâneos, suas obras são acolhidas mundialmente com premiações como o Prêmio Nobel de Literatura, em 2010, e ainda o Prêmio Cervantes, o mais destacado em língua espanhola, outorgado pela Academia Real de Espanha, em 1994, dentre outras. O autor começa a publicar seus textos a partir do início dos anos sessenta e, desde então, já conta com mais de cem obras editadas, tendo escrito romances, contos, ensaios, artigos de… Continue a ler »Mario Vargas Llosa, 1936 – “Pantaleão e as Visitadoras”, 1973

O Vermelho e o Negro, 1830 – Stendhal, 1783 – 1842

O Vermelho e o Negro, 1830 Stendhal, 1783 – 1842   Henri Beyle, mais conhecido por seu pseudônimo Stendhal, é um escritor francês reconhecido particularmente por seu romance “O Vermelho e o Negro”, publicado em 1830. Outras obras também participam do renome do autor, tais como “A cartuxa de Parma”, em duas edições, uma de 1839 e outra, refeita em 1841, e cuja história inicia em 1796, quando da chegada do exército de Napoleão em Milão, o que desperta o sentimento de heroísmo e de mudança nos jovens da região, opostos ao continuísmo e ao colaboracionismo com a dominação do império austríaco. Pois bem, voltemos ao ”Vermelho e o Negro”: sendo esta  considerada a obra-prima de Stendhal, para muitos analistas, ela é primordialmente um livro político, enquanto para outros, trata-se de uma construção romântica, e ainda alguns o elogiam como uma profunda análise psicossocial de sua época. Quanto ao título,… Continue a ler »O Vermelho e o Negro, 1830 – Stendhal, 1783 – 1842

O Pai Goriot, 1834-1835 – Honoré de Balzac, 1799-1850

O Pai Goriot, 1834-1835 – Honoré de Balzac, 1799-1850   “O Pai Goriot” é um romance do escritor francês Honoré de Balzac, inicialmente publicado em dois fascículos, na Revista de Paris, entre 1834 e 1835, e que finalmente aparece nas livrarias em 1842. Este livro participa das “Cenas da vida privada”, sendo parte da coletânea intitulada “A Comédia Humana”. Considera-se que “O Pai Goriot” estabelece as bases do que será um verdadeiro “edifício”, “A Comédia Humana”, uma construção única em seu gênero, revolucionária e marcadora inicial de um outro modo de escrita, onde encontramos ligações de situações e de personagens entre seus volumes, com referências de um romance a outro, e com caracteres que aparecem e reaparecem em um livro mais adiante; ao todo, o autor escreveu 193 obras e pretendeu, assim, traçar um grande painel da vida em sua época, em seu país e em sua cidade de moradia… Continue a ler »O Pai Goriot, 1834-1835 – Honoré de Balzac, 1799-1850

Esperando Godot, 1952-1953 – Samuel Beckett, 1906-1989

Esperando Godot, 1952-1953 Samuel Beckett, 1906-1989    “Esperando Godot” é uma peça de teatro escrita pelo dramaturgo irlandês Samuel Beckett, o qual viveu entre 1906 e 1989; ela foi escrita originalmente em francês, foi publicada pela primeira vez em 1952 e estreou em um pequeno teatro de Paris, em 1953; esta representação teatral é considerada como um dos principais textos do teatro do absurdo e como a principal obra de Samuel Beckett, sendo cotada por especialistas como um dos primeiros entre os cem maiores livros do século XX. Perguntamos: o que é esse “teatro do absurdo”, por que ele porta este nome? Vamos esclarecer: este tipo de peça faz parte de um estilo teatral que apareceu no século XX , à época da Segunda Guerra mundial, e caracteriza- se por uma ruptura total com os outros gêneros tais como a tragédia ou a comédia; é compreensível que tal quebra de… Continue a ler »Esperando Godot, 1952-1953 – Samuel Beckett, 1906-1989

Canção do exílio, 1847 – Gonçalves Dias, 1823-1864

Canção do exílio, 1847 Gonçalves Dias, 1823 – 1864   Antônio Gonçalves Dias é um poeta brasileiro e ainda em vida foi reconhecido como o “poeta nacional do Brasil”, graças aos temas sobre os quais versou, em suas poesias. Nasceu em Caxias, no Maranhão, e faleceu em um naufrágio no litoral maranhense, quando voltava de uma de suas viagens a Portugal. Além de poeta, foi advogado, jornalista, teatrólogo e etnógrafo, tendo realizado estudos antropológicos junto a aldeias indígenas e onde muito pesquisou sobre as diversas línguas autóctones e as várias manifestações do folclore brasileiro; foi professor no prestigioso Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros; também realizou, por ordem do governo brasileiro, missões de coleta de documentos em arquivos europeus. É um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como “indianismo”, onde destaca-se o curto poema épico “I-Juca-Pirama” e muitos… Continue a ler »Canção do exílio, 1847 – Gonçalves Dias, 1823-1864