Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias

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Júlio Verne e a volta ao mundo em oitenta dias

 Júlio Verne é um escritor francês que viveu de 1828 a 1905, reconhecido mundialmente como um dos maiores autores de romances de aventuras, carregados de emoções, mas também repletos de ensinamentos decorrentes dos progressos científicos que prosperavam no século XIX. Desde jovem, Júlio Verne escrevia romances e peças de teatro, mas foram seus relatos aventureiros que o alçaram ao sucesso, inclusive no exterior, em vários países e não só europeus. Em 1863, ele publica “Cinco semanas em um balão”, texto inédito em termos literários tanto para a leitura de jovens como para adultos. A partir de seu romance “Aventuras do Capitão Hatteras”, de 1866, suas obras passam a ser editadas em uma coletânea chamada “Viagens extraordinárias”, as quais reúnem sessenta e dois romances e dezoito contos, às vezes publicados em folhetins – ou capítulos – na “Revista de educação e de recreação”, destinada principalmente ao ensino literário da juventude. Seus romances, sempre muito documentados com situações científicas e exemplos tecnológicos, transcorrem geralmente na segunda metade do século XIX; eles levam em conta  processos e instrumentos da época, como em “Os filhos do Capitão Grant”, de 1868, “A volta ao mundo em oitenta dias”, editado entre 1872-73, “Miguel Strogoff” (cuja aventura histórica acontece na Sibéria), publicado em 1876, “A estrela do sul”, em 1884, e ainda vários outros livros mais voltados à plena fantasia, tais como “Da Terra à Lua”, de 1865, “Vinte mil léguas submarinas”, em 1870, e tantos outros. O autor escreveu, ainda, biografias, poesias, canções e, não poderiam faltar, estudos científicos realizados por ele mesmo, além de dedicar-se a análises artísticas e literárias. A quantidade e a variedade de suas obras são excepcionais, seu conhecimento e abrangência são multifacetados, o que explica por que seus livros conhecem múltiplas adaptações cinematográficas, televisivas e até em quadrinhos, também no teatro, na música ou em jogos eletrônicos.

A obra de Júlio Verne é universal; segundo o “Index Translationum”, organização que controla as traduções de obras de diversos países do mundo, e que é um segmento da UNESCO (Organização das Nações Unidas pela educação, a ciência e a cultura), o conjunto de textos deste autor já alcançou aproximadamente cinco mil traduções e encontra-se muito próximo de outros grandes autores traduzidos para países do mundo inteiro, tais como Agatha Christie e William Shakespeare. Em nosso texto de hoje, vamos dedicar-nos a uma análise de “A volta ao mundo em oitenta dias”, escrito no último terço do século XIX. Quem não gostaria de fazer uma volta ao mundo, conhecer lugares diferentes, costumes e linguagens igualmente, sair da rotina? Para a maioria das pessoas, o empecilho seria o custo desse tipo de viagem, mas não para o personagem central do livro, Mister Fogg, um inglês muito rico, um homem respeitável e reconhecido em seu clube, por seus amigos, sendo um aficionado da rotina e da pontualidade de horários; em determinada ocasião, ele faz uma aposta audaciosa com seus camaradas, ele coloca seu nome e parte de sua fortuna em jogo, e resolve dar a volta ao mundo em oitenta dias! Caso não cumpra essa meta estipulada em dia e hora certa para se apresentar, Mr. Fogg abrirá mão de uma quantia de vinte mil libras que seria descontada em um cheque em favor dos cavalheiros do clube, o Reform Club. O motivo real  que deu início a essa ideia da aventura em ínfimos oitenta dias aconteceu quando da notícia de um grande assalto praticado contra o Banco da Inglaterra, três dias antes dessa conversa entre os cavalheiros. O sujeito larápio possuía boa aparência, boa conversa, e levou cinquenta e cinco mil libras consigo. Fogg logo afirma aos colegas que dificilmente o “ladrão” seria pego, pois na atualidade em que viviam, e com os avanços tecnológicos, facilmente se daria a volta entorno do globo no prazo de oitenta dias. O assunto ficou acalorado, sendo discutido pelos diferentes cavalheiros, com diversas ideias e múltiplas teorias em que ora um, ora outro sócio do clube manifesta desejo de pôr em prática algum planejamento a favor de seus próprios argumentos. Junto a seu criado que acabara de contratar, Passepartout, Mr. Fogg embarca em uma corrida contra o tempo e repleta de incidentes inesperados – típico de um livro de aventuras, exatamente aquilo que a maioria das pessoas sempre desejou, mas nunca tornou real. Continuamos: enquanto viaja para cumprir sua jornada, Mr. Fogg é perseguido pelo inspetor de polícia Mr. Fix, o qual acredita veementemente que o viajante é o ladrão de banco e que a viagem não passa de um pretexto para a fuga de seu país. Um resumo do roteiro de viagem: de Londres a Suez, durante sete dias, em navio mercante a vapor; de Suez a Bombaim, por treze dias, também em paquete, de Bombaim a Calcutá, durante três dias, locomoção em trem; de Calcutá a Hong Kong, por navio e por treze dias; de Hong Kong a Yokohama, em paquete, por seis dias; de Yokohama a São Francisco, em navio, por vinte e dois dias; de São Francisco a Nova Iorque, por trem, em sete dias; e, finalmente, de Nova Iorque de volta a Londres, em navio a vapor e parte em caminho-de-ferro, duração de nove dias. Durante toda a viagem, Mr. Fogg demonstra sua principal preocupação de cumprir prazos, de pegar a próxima condução e de chegar logo à Inglaterra, enquanto, por outro lado, damo-nos conta da personalidade mais leve de Passepartout, totalmente fiel a seu senhor e sempre expressando uma visão alegre e feliz da grande aventura da qual participa. A propósito, em francês, o nome Passepartout tem o significado de chave que abre todas as portas, mas também abriga o sentido figurado de algo conveniente a todas as situações, ou ainda, alguém adaptável a todas as circunstâncias e que delas sabe extrair o que há de melhor; parece-me ser este o sentido do nome próprio do servidor fiel de Mr. Fogg. Chegando ao final da história: Fogg pensava ter chegado a Londres um dia atrasado, no dia 81, e que teria perdido a aposta; seus companheiros o informam que ele chegou no dia certo, no dia 80, porque ele ganhara um dia ao atravessar de Yokohama, no Japão, para São Francisco, nos Estados Unidos, e que por isso ele alcançara o prazo estipulado. Enfim, Mr. Fogg cumprira sua volta ao mundo em 80 dias! Júlio Verne em seu livro “A volta ao mundo em oitenta dias” apresenta-nos um texto propositivo, seu enunciado sugere audácia, organização e espírito aventureiro; sabemos que riscos, perigos e incertezas fazem-se presentes nesse livro, como acontece também em nossa “vida real”. A literatura existe para suprir as falhas verdadeiras que nos intimidam, causam sofrimento e nos oprimem, porque confiamos que este grande peso pode ser compartilhado com o patrimônio cultural de um bom livro, como este, por exemplo. Boa leitura e Bom Ano Novo, com coragem e perseverança!

 

 

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