Bons sentimentos, boas ações

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Bons sentimentos, boas ações

 

Movidos por nossa disposição para nos comovermos, partimos para nossa atuação e seu efeito. De que falamos? Hoje, vamos dedicar nossa energia na atividade da escrita para ressaltar três personalidades que muito contribuíram – e uma delas está viva e continua a contribuir – para proporcionar uma vida melhor a muitas pessoas. São eles, esses indivíduos notáveis: Martinho, ou São Martinho, santo da Igreja Católica, o qual viveu no século IV da era cristã, e dona Zilda Arns, que viveu de 1934 a 2010, e ainda o padre Júlio Lancellotti, atualmente com 72 anos de idade. Daqui em diante, podemos chamá-los  Martinho, Zilda e Júlio. O que eles têm em comum? Bons sentimentos, muito amor fraternal e inesgotável compreensão humana que eles colocam em prática para melhorar a vidas dos pobres necessitados. Começamos com o mais antigo, Martinho, o qual nasce na atual Hungria, em 316 d.C., filho de progenitores pagãos e, ele mesmo, de profissão militar no exército romano, tendo seguido essa atividade por insistência de seu pai; segundo registros, sempre tratou seus servidores como irmãos e jamais foi brutal contra seus opositores. Em algum momento, em uma cidade no norte de França, o jovem soldado percebe que um homem estava sentado no chão, quase morrendo, transido de frio; imediatamente, Martinho desce de seu cavalo, parte ao meio seu manto militar – ou sua clâmide – e o entrega para o miserável. Tal atitude não era comum e, infelizmente, continua sem o ser, mas ela testemunha sua bondade e exemplifica a partição igualitária que ele realizará por toda sua vida. Após vinte anos de serviço miliar, ele dirige-se à cidade de Poitiers, no oeste de França, onde renuncia a sua carreira de batalhas, entrega-se a sua verdadeira vocação e é ordenado padre; mais adiante, em companhia de discípulos, ele cria o convento de Ligugé, próximo a sua sede religiosa, e que é considerado como o primeiro e o mais antigo mosteiro da Europa e do Ocidente. Toda sua vida, então, é consagrada ao auxílio das pessoas, de seus irmãos de fé e também dos desconhecidos. Aproximadamente dez anos mais tarde, ele é indicado como pastor na cidade de Tours, agora na região centro-oeste de seu país de adoção, e nesse posto, devido a suas atividades de benemerência, Martinho é nomeado bispo da região, onde exerce a caridade quotidianamente e também prega que assim o façam os noviços, além de realizar a evangelização de seu rebanho; dessa forma, e consequentemente, o nome de Martinho permanece associado a inúmeras instituições e a numerosos prédios religiosos. O chamado Bispo de Tours vem a falecer em fins do século IV de nossa era, mais precisamente, em 397, na mesma cidade que reconhece ser a sede de sua prática cristã. Outra pessoa de boa índole, é dona Zilda Arns, nascida no interior de Santa Catarina, em 1934, e morta em acidente fatal, em 2010, na capital do Haiti, Porto Príncipe. Zilda é médica, formada na UFPR, Universidade Federal do Paraná, em 1959, especializa-se em pediatria e a seguir em sanitarismo e saúde pública, sempre no intuito de resgatar crianças pobres da mortalidade infantil e de salvá-las da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Igualmente, Zilda compreende que a educação é a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção, e ainda, sabe que para retirar as crianças da marginalidade, é necessário desenvolver uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres; ela dedica sua energia a esse tipo de contribuição social, assim como se ela fosse partícipe do “milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas”. Para multiplicar o saber e a solidariedade, foram criados três instrumentos, utilizados a cada mês, as visitas domiciliares às famílias, o dia do peso, para verificação do desenvolvimento infantil pretendido, e ainda uma reunião mensal para avaliação e reflexão; a partir de 2004, outra missão desponta, a de fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa; atualmente, mais de cem mil idosos são acompanhados mensalmente por doze mil voluntários. Como vemos, não é por nada, não, que Zilda é eleita membro honorário da Academia Nacional de Medicina, em 2007, além de ser aclamada – postumamente – como a 17° maior brasileira de todos os tempos, em uma seleção internacional, no ano de 2012. Ainda, ela é agraciada com mais de vinte prêmios e honrarias nacionais e internacionais, e o título de doutora Honoris Causa em cinco universidades brasileiras. Zilda morre em Porto Príncipe, onde estava em missão humanitária, em 2010; seu propósito era iniciar a Pastoral da Criança no Haiti; pouco depois de ela proferir uma palestra, o país é atingido por um violento terremoto, e ela foi uma das vítimas da catástrofe. Ressaltamos o discurso que estava sendo terminado por ela, cujo final nos diz da importância de cuidar das crianças, promovendo o respeito a seus direitos e protegendo-os, “tal qual os pássaros cuidam de seus filhos”. Desnecessário confirmarmos a grandeza de Zilda, associando sua bondade ao esforço de seu trabalho. Enfim, nosso terceiro ser humano – merecedor de assim ser chamado – Júlio, o qual nasce em São Paulo, em 1948, ele é pedagogo e exerce a função de pároco em igreja no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, e além da paróquia, o padre também é responsável pelas missas realizadas na capela da Universidade São Judas Tadeu, situada na mesma área urbana. Sua energia é principalmente dedicada à atuação junto a menores infratores, detentos em liberdade assistida, pacientes com HIV/Aids e populações de baixa renda e em situação de rua. Júlio acredita na pessoa humana acima de tudo, “como imagem e semelhança de Deus” – segundo suas palavras – e considera que todos os cidadãos devem ter seus direitos respeitados. Neste momento, aproximamo-nos da repartição da manta feita por Martinho e de sua visão de que o mendigo e ele são iguais frente ao frio, e ainda percebemos que todas as crianças da Zilda também são iguais e merecem todas, indistintamente, respeito e proteção. Por sua vez, Júlio, em 1991, constrói a “Casa Vida I” e, posteriormente, a “Casa Vida II”, para acolher crianças portadoras do vírus HIV, e como vigário episcopal do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, está à frente de vários projetos municipais de atendimento à população carente, como é o programa “A Gente na Rua”, formado por agentes comunitários de saúde, ex-moradores de rua. Na atual situação de pandemia, nesses dois recentes anos, em que a sobrevivência torna-se ainda mais complicada para as pessoas assistidas por Júlio, ele tem dedicado boa parte de sua força de ação e potência moral a arrecadar mantimentos e a preparar refeições com o objetivo de doar esses alimentos aos necessitados, aos moradores de rua; e ele o faz utilizando uma rede de voluntários que o ajudam nessa rotina diária. Nosso benemérito considera que todos os cidadãos devem ter seus direitos respeitados. Até agora, ele já recebeu aproximadamente dez prêmios de reconhecimento de seu trabalho em benefício da população em situação de rua. Estes três personagens dignos de nossa admiração, Martinho, Zilda e Júlio, eles sabem que todos nós somos iguais, eles alcançam essa percepção através da luz que está dentro deles e que ilumina seus pensamentos, indica os bons sentimentos e orienta sua vocação especial para as boas ações. Podemos perguntar se eles são poucos: só três? Não se sabe, não contamos esse tipo de gente pela quantidade, mas sim por sua qualidade e, assim sendo, eles são extraordinários – no que realizam e no que nos podem inspirar e orientar nossas consciências e nossos corações.

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