Bibliotecas
Biblioteca é o lugar onde são guardados livros. O termo chega ao português em meados do século dezesseis, via latim, e ele origina-se do grego, onde “biblion” significa “livro” e “thêkê” é o lugar de seu depósito. Biblioteca pode igualmente ter o sentido de coleção de livros, seja essa institucional ou particular, também designa o local onde alguém estuda, como, por exemplo, a biblioteca da escola, e ainda pode referir-se à informática, onde biblioteca é a coleção de rotinas a que um programador recorre para desenvolver programas. Ainda no domínio da modernização e já no século vinte, surgem bibliotecas que abrigam diversos meios de informação e cultura, tais como diapositivos, filmes, livros, jornais, discos, CDs, e essas são chamadas mediatecas. Bibliotecas existem há muito tempo, sendo considerada a mais famosa da Antiguidade, sem dúvida, a Biblioteca da Alexandria. Alexandria localiza-se no nordeste do Egito, sobre o mar Mediterrâneo, e seu nome é uma homenagem ao rei Alexandre, o Grande, que viveu entre os séculos IV e III antes de Cristo (a.C.). Consta que essa biblioteca foi fundada por um antigo e fiel oficial de Alexandre, chamado Ptolomeu Sóter (“Salvador”), no século III a.C., e que ele e seus sucessores conseguiram formar uma coleção de aproximadamente 700.000 volumes. Como conseguiram acumular tal quantidade de obras? Diz-se que eles apreendiam todos os livros que entravam no Egito, que os enviavam ao Museu da Alexandria, onde seus copistas os transcreviam, e depois eles davam as cópias aos proprietários, e ainda guardavam os originais; dessa forma, obras de grandes autores e pensadores gregos, como Sófocles e Ésquilo, foram transferidas à cultura egípcia. Em fins do século IV a.C., essa Biblioteca foi incendiada; há historiadores que atribuem o incêndio a uma invasão árabe, enquanto outros consideram-no obra de uma luta sangrenta entre pagãos e cristãos. Outra biblioteca que atrai a atenção dos bibliófilos é a Biblioteca Apostólica Vaticana ou, simplesmente, Biblioteca do Vaticano. Esta localiza-se em Roma, é uma das mais antigas do mundo, e é principalmente célebre por suas coleções de manuscritos de todas as épocas. O Papa João Paulo II afirmou que o objetivo dessa biblioteca é o de conservar e de disponibilizar aos pesquisadores do mundo inteiro os tesouros de cultura e de arte que ela abriga. Sua criação remonta ao século XV, à época da Renascença, e seu fundador é o Papa Nicolau V, o qual começa a acolher as obras a partir de 1450; a seguir, em 1475, sob o pontificado de Sisto IV (1414-1484), a biblioteca é institucionalizada; um século após, um novo prédio é construído no intuito de conservar melhor as obras e os manuscritos, entre eles, os da Rainha Cristina da Suécia. Esse é o chamado Salão Sistino, o qual abriga, no século XVI, a então considerada como a maior biblioteca do mundo. Sabemos que o tempo não para e que a Biblioteca do Vaticano, hoje em dia modernizada e usando a informatização em seus espaços para facilitar o acesso a pesquisadores, encontra “rivais” de seu prestígio; contamos com cinco deles, considerados como as maiores bibliotecas do mundo contemporâneo. Em primeiro lugar, a Biblioteca do Congresso, em Washington DC, nos Estados Unidos; ela foi construída em 1800, à época do presidente John Adams, e possui uma coleção de mais de 38 milhões de livros em todas as línguas, 70 milhões de manuscritos, 14 milhões de fotografias, quase 6 milhões de mapas e mais de 8 milhões de gravações sonoras. Hoje, a biblioteca serve principalmente como centro de pesquisa para os congressistas, mas também é aberta ao público. Em segundo lugar, está a Biblioteca nacional da China, em Pequim; criada em 1909, ela foi aberta ao público em 1912, e possui um acervo de aproximadamente 26 milhões de livros. Ela detém a mais rica coleção de documentos chineses, mas contém igualmente numerosas obras estrangeiras em mais de 115 línguas. Outra biblioteca importante é a Biblioteca da Academia de Ciências da Rússia, em São Petersburgo; atualmente, ela conta com uma coleção de mais de 20 milhões de livros, e contém numerosos textos sobre descobertas científicas; desde 1774, cada pesquisador deve fornecer um exemplar gratuito de suas conclusões. A biblioteca só é acessível aos funcionários da Academia de Ciências da Rússia e aos professores e alunos do ensino superior. Em seguida, temos a Biblioteca e Arquivos do Canadá, em Ottawa, com seus quase 19 milhões de livros, 241 quilômetros lineares de textos governamentais e privados, mais de 3 milhões de desenhos, mapas e planos de arquitetura, sendo que alguns deles datam do século XVI. Essa biblioteca ainda contém bilhões de informações sob forma eletrônica, dos quais milhares de teses, jornais, e livros canadenses acessíveis “on line” e quase 30 milhões de fotografias e fotos numéricas. Finalmente, a quinta entre as maiores bibliotecas do mundo, atualmente, é a Biblioteca Nacional Alemã, situada em Frankfurt. Ela foi criada em 1990, a fim de arquivar as publicações alemãs; com seus 18 milhões e quinhentos mil livros, ela ainda possui uma coleção de todas os registros musicais da Alemanha. Na realidade, o acervo dessa biblioteca é dividido por três cidades, o primeiro em Frankfurt, o segundo em Berlim e o terceiro em Leipzig; na soma dos três locais, chega-se a um total de quase 38 milhões de artigos; acrescenta-se a isso o fato de que o governo alemão pede a todos que publicam um livro ou um texto que uma cópia dele seja remetida à biblioteca.
Chegamos ao final de nossa “viagem” pela maiores e mais célebres bibliotecas do mundo, mas não nos envergonhemos se a biblioteca que frequentamos ou que eventualmente possuímos não é tão opulenta: o essencial é que se leia, a biblioteca mais importante para cada um de nós é aquela que carregamos em nosso conhecimento e que guardamos em nosso repertório afetivo!
