POEMAS DE FABIANO CALIXTO

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POEMAS DE FABIANO CALIXTO

Fabiano Calixto nasceu em Garanhuns, no estado do agreste em Pernambuco, na data de 1973, e atualmente ele reside em Santo André, também em São Paulo.  

Calixto editou livros de poesia, como Algum (1998), Fábrica (2000) e Um Mundo Só Para Cada Par (2001), sendo este último publicado em parceria com outros autores, como a “Música Possível” (2006), e “Prosa do que Está na Esfera” (o mesmo).

Vamos “trabalhar” com alguns poemas do livro Fábrica, Alpharrabio Edições, Santo André, SP, 2000:

 

fábrica

eco da canção

(de esguelha)

no protetor

de orelha

 

o pé inoxidável

retalhando odores

constantes

durante o turno

 

uma leve sensação

de chumbo cavalga

as vértebras –

o pássaro pousa

 

num único lembrar

de galho de árvore –

uma gota de suor

suspensa no óleo

 

reafirma uma

reação química 

 

 

máquinas (Fábrica 2)

 

máquinas

vapores

produtos reagentes

peças a dezenas

 

(muro poroso:

tabuleiro de xadrez)

 

– tarde purgatório

cozido cansaço –

 

matemático-céu

onde nuvens inteiras

fracionam o céu

 

último dia (fábrica 3)

             

bolor ao sol

entre o maço de cigarros

e a pedra

que a sombra

toca

mas não absorve

 

fungos e caveira

verme-

olhos os degraus

os felizes

 

muro-vitiligo

(raízes que não

crescem)

 

o tempo não

deixou de existir

 

 

areia

 

onde o lugar

cabe num sopro

 

onde cabe no rosto

um estudo de

barthes

[Roland Barthes, 1915-1980, importante filósofo, crítico literário, sociólogo]

 

 

– à primeira vista

o lodo é circunstancial –

 

existir

: etapa

devorada pelo pó

 

 

Agora, Calixto nos proporciona sua Música possível, do Rio de Janeiro, em 2007.

 

Poema n. 15

 

a fotografia

sobre a cristaleira (lembrança

da avó) toma conta

da sala

 

(teus olhos,

pequenos sóis tornando

mais beleza o universo

de luzes

que é teu rosto,

umedecem

os meus)

 

lá fora

a tarde cai

 

os pássaros

não suspeitam

do conteúdo

desta carta

 

e nesta caligrafia

– noite marítima

soprando brisas

sobre esta folha

de amarelos múltiplos –

caminhas comigo

 

 

Um espelho

 

um espelho

e ao que.

 

sol sem

esperanças

 

de melodia.

crianças desafiam

 

a altura de um

voo. diversão à

 

sombra de.

enquanto asas

 

dormem

ímpares.

 

Neste momento, temos Equatorial: poemas escolhidos, 2014.  149 P.  15X21cm  “ Fabiano Calixto “  Ex. bibl. Salomão Sousa.

 

Dias de chuva

dia de chuva
fina
poucos passos na rua
escassa luz

          um pardal no telhado
escondido
na telha que
não mais segura
a secura do estoque

          na porta do bar
apenas
fiapos de garoa
ameaçam entrar

 

Finalmente

 

Rejuvenescer

quero uma palavra
que pinte
não minha parte preferida
mas aquela
escondida
empoeirada
jogada no chão
atrás da estante
que não brilhou
por
falta de ânimo

 

 

 Afinal = Calixto capta em versos de batida seca o ritmo da linha de montagem – cujo sentido, no entanto, ele reverte, estabelecendo correspondências entre o interior repetitivo da fábrica e um lado de fora, um mais além em que “o tempo não / deixou de existir” e que é possibilitado por essa poesia econômica, que faz da representação poética uma forma aguda de crítica. 

 

O poeta e editor Fabiano Calixto “afiança” nossas poesias que iluminam nossos tempos sombrios !                                     

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