Ángel Campos Pámpano
Recanto do Poeta
Ángel Campos Pámpano nasceu em maio de 1957, em San Vicente de Alcántara, na Espanha, à oeste no limite entre Espanha e Portugal. O autor ele foi poeta, professor e tradutor, ficou conhecido por ser defensor da cultura e da literatura de Portugal. Sua criação poética mais importante é “A Cidade Branca”, em 1988, uma obra pioneira de poesia contemplativa, impressionista e de forte impacto de seu conhecimento e descoberta da cultura portuguesa. Ángel for professor do ensino secundário nos institutos da Estremadura, no limite de Espanha, e no Instituto Espanhol Giner de los Ríos, em Lisboa; ele foi responsável pela aproximação das relações culturais e poéticas entre as instituições e os indivíduos da região fronteiriça da Estremadura e de Portugal. Traduziu para o espanhol as obras de importantes autores da literatura portuguesa do século XX, entre eles, Fernando Pessoa, Carlos de Oliveira, António Ramos Rosa, Eugénio de Andrade , Sophia de Mello Breyner Andresen, entre outros. Ángel Campos Pámpano faleceu em novembro de 2008, em Badajoz, Espanha, próximo a Portugal.
Podemos percorrer textos de nosso poeta Ángel para buscarmos alguns de sua obra. O primeiro: “Como peixe na água” / Para pintar / a água é necessário / o movimento / de um peixe que / se repete / incerto, indecifrável. / Sozinho, / a ordem do que está escrito / perdura sempre. / Se você pintar na água, / as cores desaparecem. / Como você tem / a luz, o peixe em voo / para a profundeza / afunda. / E lá descobre / a fertilidade do rio.
O segundo: “O centro à distância” / Abre os olhos, / para um único acorde, para um ritmo / ensimesmado. / Requer um nome novo / esta luz que desponta. / Razão de ti / vão dando tuas palavras / mais pobres, boca / desnuda que conhece / a luz melhor do dia. / Neblina rosa / sumida no silêncio / profundo do ar. / Reconheço em seu nome / esta luz que declina.
O terceiro: “A idade tardia” / Literatura: / (na página em branco, / o não vivido / se cumpre na linguagem) / uma leve nostalgia. / Ler de novo / os jogos da idade / em Albuquerque. / Desejo da escrita, / Desmensurada e nobre.
O quarto: “Número 6” / Guarda um espelho / o rio que nos leva / quase em silêncio. / Veja lá dentro / que o remanso da água / quebra o remo. / Círculo aberto / onde nomear as coisas / que conhecemos.
O quinto: Número 10” / Imagine o brilho / desnudo dos álamos, / os domínios da água / que definem a costa. / Um rio é como um cão / sem plumas, uma espada / – escreveu João Cabral / de Melo. Pelo ar / se ouvem os latidos / das noites de luar.
Os peixes, como nós, necessitamos de água para impormos “a ordem do que está escrito”, mesmo se estamos sozinhos.
Nosso ritmo se impõe para que a luz de “nossos olhos” componha nossos dias.
Finalmente, afirmamos que o autor busca a literatura para que nós possamos cumprir nossas vidas.
Obrigada a Ángel Campos Pámpano!