Símbolos e sentimentos
Nossa época é plena de símbolos, os quais, muitas vezes, substituem as palavras e representam, também, emoções e sentimentos.
Pois vamos a eles. A palavra “símbolo” tem sua origem no grego “sumbolon” ou objeto cortado em dois, e constitui um signo ou sinal indicativo de reconhecimento para quando seus portadores possam montar o conjunto dos dois pedaços. A palavra chegou até nós vinda do latim, mais especificamente, do latim cristão, utilizado pela religião católica, quando o símbolo constituía uma marca de reconhecimento para os iniciados nos mistérios ou culto religioso; tal símbolo comum fazia os companheiros se reconhecerem como tal.
Na verdade, um símbolo representa algum fato real e praticamente o substitui, ele se apodera de seu significado, ele passa a “ser” aquela realidade. Um bom exemplo é o de quando vemos nossa bandeira hasteada em uma cerimônia oficial ou esportiva; aquele retângulo se transforma em nossa identidade nacional, ali está nossa pátria. Além disso, na esfera da publicidade comercial, é muito comum a utilização do símbolo da marca, e a esse dá-se o nome de logotipo, isto é, aqueles traços facilmente reconhecíveis que nos remetem à identificação de uma empresa, uma instituição, um produto.
Mais recentemente, vimos surgir outros elementos gráficos que funcionam também como signos referentes a realidades diversas, assim como os símbolos o fazem. Esses pictogramas são os ícones representativos de objetos, de programas, tomando como exemplo, o desenho de um pequeno envelope em nossos computadores, o qual significa “correspondência”.
Ainda, entre os símbolos atualmente utilizados, destacam-se aqueles que representam sentimentos e emoções; são os chamados “emojis”. Emoji é uma palavra derivada da junção dos seguintes termos em japonês: “e”, de “imagem” + “moji”, de “letra”. São ideogramas criados pela tecnologia oriental e são usados em mensagens eletrônicas e páginas “web” na maioria dos países. Eles existem em diversos gêneros, incluindo expressões faciais, objetos, lugares, animais e tipos de clima, e a inclusão internacional dos celulares atuais permite sua popularização sempre crescente.
Até aqui falamos de símbolos; daqui em diante falaremos de sentimentos. O que chama a atenção em nossa vida atual, é exatamente essa “intromissão” dos signos e ideogramas criados eletronicamente com o objetivo de substituir nossos sentimentos e de expressar nossas emoções. Pergunto: há algum perfeito mistério, algo inexplicável na utilização dos emojis para que eles possam evocar as características de nossos sentimentos ou para que, pouco a pouco, eles possam apoderar-se da decodificação, da interpretação de nossas sensações ?
Creio que não, se assim o quisermos, ou seja, se resistirmos à desumanização crescente à qual somos expostos em nosso dia a dia contemporâneo. É intrigante o descaso com que tratamos dos temas considerados banais ou de pouca importância visível. Por exemplo, por que devo preocupar-me com um papel que atirei na calçada, ocasionalmente, se eu não vou mais passar por lá, isso que fique a cargo das pessoas que moram na redondeza. Os sentimentos podem e devem ser ensinados: a educação traz à tona, entre outros, o sentimento de solidariedade interpessoal e social, e este não é representado por nenhuma figurinha eletrônica.
Então, entre símbolos e sentimentos, fiquemos com os primeiros para facilitar nosso entendimento técnico e nossa comunicação no trabalho, mas insistamos em fazer permanecerem vivas nossas emoções e exprimamos nossos sentimentos da maneira mais humana possível, falando, olhando, escutando as outras pessoas. Assim nós usaremos a tecnologia e não seremos usados por ela.
