O Circo e os Quadrinhos – As artes circenses e a arte de dividir a realidade em quadradinhos

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O Circo e os Quadrinhos

As artes circenses e a arte de dividir a realidade em quadradinhos

A palavra arte nos impõe uma reflexão nem sempre correspondida em uma definição satisfatória. Em todo caso, para não começarmos um texto sem o amparo de algumas certezas, podemos afirmar que a arte exige talento, inteligência, sensibilidade, disponibilidade de alguém que pretende expor suas ideias, ou que estima reproduzir o que é próprio da natureza, ou ainda, em sentido contrário, procura transformar essa primeira visão imposta pelo real em uma concepção irreal das coisas.                          

Como vemos, trata-se de um assunto passível de múltiplos enfoques e de opiniões divididas; mas não desesperemos, é assim que a vida é, repleta de esquinas contraditórias ao trajeto que inicialmente pensávamos que seria retilíneo; ao contrário, trata-se muitas vezes de um percurso ambíguo e surpreendente. Assim é a arte, já que ela é uma manifestação humana, só uma pessoa, mulher ou homem, pode pretender-se um artista, ou seja, aquele que nos mostra o mundo pela sua visão pessoal.

Nesse contexto acima exposto, trataremos hoje de dois tipos de manifestação artística aos quais, eventualmente, se reconhece pouco valor: o circo e os quadrinhos.

O circo é um espetáculo artístico eclético, ele é arte viva, visual, sonora, ele compreende uma atividade física que articula artes variadas, como a acrobacia, os trapézios, o equilíbrio, as diferente formas de palhaços, os malabares, o ilusionismo, a música e o teatro. Provocar o medo ao ver um artista lançar-se de um lado para o outro no trapézio, mesmo com a proteção de uma rede a alguns metros do solo, e também fazer rir, quando o palhaço tropeça e cai, essas duas situações expressam momentos de nossa natureza, ali ampliadas pelas luzes mágicas do picadeiro. Naquele reduto circense, os atores que ali se apresentam representam nossas fraquezas e nossas vitórias, nosso choro e nossa alegria. A atividade do artista de circo é efêmera, ela se produz naquele espetáculo e logo em seguida ela se apaga ao apagar das luzes daquela sessão. Esse é, via de consequência, um tipo de manifestação artística passageiro e carente de repetição para que se satisfaça sua ânsia de permanência. Tudo muito compatível com nossa vida sobre o planeta: estamos aqui de passagem e esforçamo-nos para deixar nosso rasto como marcas de possíveis exemplos para outros que virão depois. No reduto geralmente circular do circo, o que fundamentalmente nos fascina é o “ir mais alto”, “ir além”, provar nossa capacidade de ultrapassar obstáculos e ascender sempre a níveis mais elevados; assim fazendo, colocamos à prova nossa fragilidade, a dor, esse misto de ambição, progresso, esperança, e de outro lado, resignação e humildade. Deixemos que o circo e seus artistas realizem essas proezas por nós, eles vivem as emoções e as situações que nos tocam como pessoas, que nos atingem como participantes de um grupo social.

Passamos agora àquela que alguns estudiosos chamam “a nona arte”, a saber, as histórias em quadrinhos. Os quadrinhos tiveram de transpor muitas dificuldades para adquirir reconhecimento como algo além de um banal divertimento infantil. A princípio destinados unicamente à infância e à juventude, os quadrinhos conseguiram alcançar o status de meio de expressão artística, contando com a obra de certos autores, entre eles, primeiramente, o italiano Hugo Pratt, que viveu de 1927 a 1995. De sua obra, pode-se destacar palavras-chave como viagens, aventuras, erudição, mistério, poesia; o termo “desenho inteligente” é seguidamente utilizado para descrever o conjunto de seu trabalho, onde destaca-se o recurso expressionista do contraste entre o branco e o preto. Trata-se de um pintor que escolheu esse meio gráfico para construir sua obra pictórica. O mesmo poder-se-ia dizer de outros autores, entre os quais destacamos a obra do americano Charles Schultz, que viveu entre 1922 e 2000, e que publicou seus “Peanuts” entre 1950 e 2000. Seus quadrinhos são produzidos fundamentalmente para crianças, mas devemos destacar a “subcamada” de seus desenhos e de suas palavras: ali encontramos nossas diversas situações de vida, sejam de alegrias ou de tristezas, de derrotas ou vitórias, de arrogância e de tolerância, de ódio e de amor.

Para finalizar, meus leitores amigos, permito-me uma modesta recomendação: ler quadrinhos e assistir ao circo faz sempre bem para o espírito, quer dizer, para a saúde!

 

 

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