O homem enciclopédia – Denis Diderot (1713-1784) – Enciclopédia ou Dicionário racional das ciências, das artes e das profissões (1747-1765)
Denis Diderot nasceu em 1713 e morreu em 1784, na França; ele foi escritor, filósofo e enciclopedista do Iluminismo, o movimento intelectual do século XVIII responsável pela revisão dos conceitos científicos e pela racionalidade crítica no questionamento filosófico, visto que o movimento iluminista implica recusa a todas as formas de dogmatismo, especialmente o das doutrinas políticas e religiosas tradicionais. Diderot foi também romancista, dramaturgo, contista, ensaísta, autor de diálogos filosóficos, crítico de arte, crítico literário e tradutor; ele é reconhecido por sua erudição, seu espírito crítico e por sua genialidade; em todos os gêneros em que se aventurou, ele deixou sua marca de inteligência e de inovação, tanto na literatura como no teatro, ainda no pensamento filosófico, até o apogeu de sua capacidade, quando cria e supervisiona a redação de uma das obras mais marcantes de seu século, a célebre Enciclopédia ou Dicionário racional das ciências, das artes e das profissões, entre os anos de 1747 e 1765. A Enciclopédia começou a ser editada em 1751 e o foi até 1772, sob a direção do próprio Diderot e de seus mais assíduo colaborador, o matemático e físico Jean d´Alembert. Pela síntese dos conhecimentos científicos e práticos que ela contém, desde o ensino de como fabricar meias até a retomada da defesa do heliocentrismo exposto no século XVI, e ainda os estudos de Newton entre os séculos XVII e XVIII, assim como a explicação científica do movimento da Terra e dos outros planetas ao redor do sol, produz-se um tipo de pensamento e de postura intelectual com caraterística libertária de antigos dogmas impostos à sociedade de sábios. O passo seguinte almejado e realizado pelos enciclopedistas, é o que corresponde à difusão dessa nova forma de pensar e de ver o mundo, isento de crendices e com expectativa de imposição da racionalidade em lugar da insensatez obscura. O avanço intelectual é acompanhado pelo progresso moral e, via de consequência, a difusão dos conhecimentos da época para o uso de todos, desde o início norteou o pensamento dos enciclopedistas; Diderot, pessoalmente, divulgou sua obra junto aos chamados “déspotas esclarecidos”, aqueles monarcas europeus que pretendiam colocar em prática as ideias dos filósofos iluministas, dentre os quais, o mais célebre foi Frederico II da Prússia (1712-1786). A Enciclopédia era vendida em fascículos aos seus assinantes, e na esteira da publicação desses artigos, houve eventualmente perseguição de autoridades eclesiásticas e de personalidades da corte do rei Luís XV; em uma ocasião, Diderot chegou a ser encarcerado em prisão. Apesar disso, o número total de edições da Enciclopédia abrange dezessete volumes iniciais, onze volumes de pranchas – ilustrações de máquinas cujos desenhos eram feitos à mão por Diderot – quatro volumes de Suplemento, dois volumes de Tabelas e mais um Suplemento de pranchas ou desenhos técnicos; esse total perfaz trinta e cinco volumes da chamada edição de base, a de Paris; nessa primeira edição, foram publicados 4225 exemplares. Mais tarde, uma Enciclopédia monumental, originária daquela de Diderot e d´Alembert, acrescida de volumes, aparece entre 1782 e 1832 sob o título de Enciclopédia Metódica. Terminamos nossa coluna, retomando algumas das primeiras palavras expressas por Diderot em seus “Pensamentos” da segunda edição, em 1754: “Jovem, pega e lê. Se puderes ir até o fim deste trabalho, então serás capaz de compreender um outro melhor. (…) Um mais hábil te ensinará a conhecer as forças da natureza; para mim bastará o fato de que eu te fiz experimentar as tuas próprias.” Enfim, observamos nesse trecho o foco permanente da “luz” emitida pelo pensamento de Diderot: seu constante objetivo de favorecer o crescimento racional e ético de todos aqueles que se disponham a receber os ensinamentos de sua Enciclopédia.
