PROFESSOR ANTONIO CANDIDO – “A LITERATURA É UM DIREITO E UMA NECESSIDADE DO SER HUMANO”

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PROFESSOR ANTONIO CANDIDO

“A LITERATURA É UM DIREITO E UMA NECESSIDADE DO SER HUMANO”

 

Nosso emérito professor Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no ano 1918, no Rio de Janeiro, e faleceu em 2017, em São Paulo. Ele viveu sua infância junto à sua mãe e a seu pai médico, nos limites de Minas Gerais e de São Paulo, fixando-se na capital paulista, em 1937. A seguir, em 1939, o autor ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, mas decide-se por formar-se em Ciências Sociais, em 1942. Ele foi um sociólogocrítico literário e professor universitário brasileiro; sendo um estudioso de literatura brasileira e estrangeira, é autor de uma obra crítica extensa, respeitada nas principais universidades do Brasil. Foi professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde, entre outros feitos, introduziu, em 1962, a transformação da disciplina de Teoria Literária em Teoria Literária e Literatura Comparada (a literatura comparada estuda os diferentes textos literários junto a seus grupos linguísticos, como as regras gramaticais, as culturas e as nacionalidades). Antonio Candido é considerado um dos grandes expoentes da crítica literária brasileira, pois suas obras tornaram-se base essencial na formação literária associada a uma construção sociológica e humanista. Sua idealização do Suplemento Literário, em 1956, e o caderno de crítica anexo ao jornal O Estado de S. Paulo, em 1966, são vistos como um marco do pensamento crítico brasileiro. Como professor emérito – já aposentado, portanto – ele recebe o título de Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas e da Universidade da República do Uruguai (2005). Entre diversos outros prêmios importantes por seu trabalho, recebeu o Prêmio Jabuti em 1960, 1965, 1966 e 1993, o Prêmio Machado de Assis em 1993, o Prêmio Anísio Teixeira em 1996 e o Prêmio Camões em 1998. No início de sua carreira, ele foi crítico da revista Clima, de 1941 a 1944, onde encontrou a filósofa, professora e crítica literária, Gilda Rocha de Mello e Souza, com a qual veio a se casar. Em 1942, ingressa na Universidade de São Paulo (USP) e assume a cadeira de Sociologia; em 1943, colabora com o jornal Folha da Manhã, e foi o primeiro crítico literário a tecer uma análise sobre a obra de Clarice Lispector. Já em 1945, ele obtém o título de livre-docente na universidade, e entre os anos de 1958 e 1960, foi professor de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (atualmente, Universidade Estadual Paulista, UNESP). Em 1961, o autor regressa à USP e, a partir de 1974, torna-se professor-titular de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP – assim denominada a partir de 1970. O professor aposenta-se em 1978, mas ainda age como professor de pós-graduação até 1992. No ano de 1998, foi agraciado com o Prêmio Camões, principal galardão literário de língua portuguesa; continuando, Antonio Candido foi o primeiro brasileiro a receber o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, em 2005, sendo este um dos mais importantes da América Latina. Ainda relacionado com a Universidade, Candido foi um dos fundadores do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, órgão de pesquisa literária e linguística; o professor permaneceu na instituição por cinco anos, e em sua homenagem, a biblioteca do instituto ganhou o seu nome. Sua biblioteca pessoal, que contava com mais de seis mil livros, foi doada à instituição pelas três filhas, após a morte de seu pai, no ano de 2018. As principais obras de Antonio Candido constam com mais de vinte obras, mais quatro ações em parceria, e ainda mais de doze obras sobre o autor. Quanto aos atos sobre Antonio Candido, estes são próximos de vinte. Relativos a seus prêmios, são estes: Prêmio Jabuti (1960, 1965, 1966, 1993); Prêmio Internacional Alfonso Reyes (2005); Prêmio Juca Pato (2007); Prêmio Camões (1998); Prêmio Machado de Assis (1993). Tranquilamente podemos afirmar que um dos maiores intelectuais da história do Brasil, o crítico literário, sociólogo e professor da USP Antonio Candido é uma das principais referências do País na área da cultura. O sociólogo, crítico literário e professor universitário brasileiro, escreveu o ensaio “O direito à literatura”, onde explora o significado dos direitos humanos: aí questiona se a literatura será um direito de todo ser humano, e mais, defende que ela é uma das necessidades do ser humano. Continuando, o professor nos afirma o seguinte; “….Por isso, a luta pelos direitos humanos pressupõe a consideração de tais problemas, e chegando mais perto do tema eu lembraria que são bens incompressíveis não apenas os que assegurem sobrevivência física em níveis decentes, mas os que garantem a integridade espiritual. São incompressíveis certamente a alimentação, a moradia, o vestuário, a instrução, a saúde, a liberdade individual, o amparo da justiça pública, a resistência à opressão etc.; e também o direito à crença, à opinião, ao lazer e, por que não, à arte e à literatura. Mas a fruição da arte e da literatura estaria mesmo nesta categoria? Como noutros casos, a resposta só pode ser dada se pudermos responder a uma questão prévia, isto é, elas só poderão ser consideradas bens incompressíveis segundo uma organização justa da sociedade se corresponderem a necessidades profundas do ser humano, a necessidades que não podem deixar de ser satisfeitas sob pena de desorganização pessoal, ou pelo menos de frustração mutiladora. A NOSSA QUESTÃO BÁSICA, PORTANTO, É SABER SE A LITERATURA É UMA NECESSIDADE DESTE TIPO. Só então estaremos em condições de concluir a respeito. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. (…) Primeiro, verifiquei que a literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza. Negar a fruição da literatura é mutilar a nossa humanidade. Em segundo lugar, a literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual. Tanto num nível quanto no outro ela tem muito a ver com a luta pelos direitos humanos…..” Concluímos nosso texto e aproveitamos dos ensinamentos a nos concedidos pelo Professor Antonio Candido: “… Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito.”

 

 

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